Projeto teve origem em proposta apresentada pela senadora Patrícia Saboya.
Depois de passar pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Direitos Humanos (CDH) do Senado, a nova lei de adoção foi aprovada nesta quarta-feira (15) pelo plenário da Casa. A matéria vai agora à sanção presidencial. A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), autora do projeto que deu origem a essa proposta, comemorou a decisão. “Hoje é um dia muito importante para todos nós que militamos na área da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes”, destacou Patrícia. “Tenho certeza de que essa lei vai facilitar a adoção no nosso País. Vai nos ajudar a resolver um problema muito grave, que é a longa permanência de tantos meninos e meninas nos abrigos públicos”, completou a senadora.
Os senadores fizeram questão de ressaltar o papel de Patrícia Saboya no processo de elaboração e discussão da matéria. Presidente da CDH, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que a proposta deveria se chamar “Lei Bia”, em referência a Maria Beatriz, de quatro anos, adotada pela senadora Patrícia em 2005. A senadora Fátima Cleide (PT-RO), por sua vez, parabenizou Patrícia Saboya por mais essa vitória em prol das crianças e adolescentes brasileiros.
Uma das principais modificações propostas pelo projeto diz respeito aos prazos para adoção. A intenção é tornar esses processos mais rápidos para evitar que tantas crianças e adolescentes permaneçam anos a fio nos abrigos públicos. A proposta prevê, por exemplo, que a situação de meninos e meninas que estejam em instituições públicas ou famílias acolhedoras seja reavaliada a cada seis meses, devendo o juiz, com base no relatório elaborado por equipe multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou colocação para adoção.
Outra mudança é relativa ao tempo máximo de permanência da criança ou adolescente nos abrigos, que não poderá se prolongar por mais de dois anos. O projeto também prevê que as entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem a prévia determinação da autoridade competente. No entanto, têm a obrigação de fazer a comunicação do fato em até 24 horas para o Juiz da Infância e da Juventude.
O projeto estabelece também a criação e a implementação de um cadastro nacional e de cadastros estaduais de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pessoas ou casais habilitados à adoção. Também haverá um cadastro de pessoas ou casais residentes fora do país interessados em adotar, que, entretanto, só serão consultados caso não haja brasileiros aptos. Outra proposta é reforçar o preceito já existente no ECA que estabelece que grupos de irmãos sejam colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, evitando, assim, o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
Criança no centro das atenções
“Todas essas medidas certamente vão tornar mais ágeis os processos de adoção. Trabalhamos muito nesse projeto, participando de todas as reuniões com representantes de órgãos governamentais e da sociedade civil organizada para chegarmos ao substitutivo aprovado hoje. Vale ressaltar que o nosso foco sempre esteve no bem-estar da criança e do adolescente”, explica a senadora Patrícia. Ela acrescentou que o cerne da proposta é tentar, primeiro, a reintegração desses meninos e meninas às suas famílias de origem, ficando a adoção como uma medida a ser tomada na impossibilidade de haver esse retorno.
Para o senador Aloizio Mercadante, relator da matéria, entre os pontos importantes do projeto estão a exigência de preparação prévia dos pais adotivos e de acompanhamento familiar pós-acolhimento em caso de adoção internacional. Embora tenha sido mantida a prioridade de acolhimento da criança ou do adolescente pela família natural, a proposta inovou, assinalou Mercadante, ao inserir o conceito de família extensa, formada por parentes próximos com os quais a criança convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. Ele também considerou um avanço a possibilidade de a criança ser ouvida por uma equipe interprofissional durante o processo de adoção.
A proposta permite que a adoção seja feita por maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, e, no caso de adoção conjunta, exige que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável. Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros também podem adotar conjuntamente, mas devem estar de acordo quanto à guarda e ao regime de visitas e provarem a existência de vínculos de afinidade e afetividade.
O projeto estabelece ainda que, enquanto não se localizar pessoa ou casal interessado em sua adoção, a criança ou o adolescente afastado do convívio familiar deverá ser colocado – sempre que possível e recomendável – sob a guarda de família cadastrada em programa de acolhimento familiar. Esse tipo de iniciativa terá preferência sobre o acolhimento da criança ou adolescente em instituições e deverá ser estimulada pelo poder público por meio da concessão de assistência judiciária, incentivos fiscais e subsídios às famílias que aderirem ao programa.
Fonte: Assessoria de Imprensa /Agência Senado







































Prezados,
Sou brasileira e resido há 30 anos fora do Brasil e há mais de 20 que colaboro com uma entidade acreditada na adoção e na cooperação. Não conheço exatamente o texto, mas fiquei muito feliz com tal mudança e que seja considerados os direitos da criança ao convívio familiar.
Espero também que os casais ou pessoas brasileiras intencionadas a adotar uma criança seja realmente preparada e que sobretudo que mature com o tempo o que quer dizer realmente ADOTAR.. A CRIANÇA DEVE SER CONSIDERADA COMO FILHO COM TODOS SEUS DIREITOS E COM TODOS SEUS DEFEITOS E QUALIDADES, SER RESPEITADA COMO SER HUMANO!!!
tomara que as coisas possam realmente mudar!!!
Salvador-Bahia, 24/07/2009.
Senhora senadora Patrycia Saboya,
patricia@senadora.gov.br
Meus respeitos,
Tenho acompanhado suas investidas magnânimas pela proteção de nossas crianças e adolescentes e estou cada dia mais vendo que nossa juventude se esvai através do sangue da marginalidade, da morte prematura, da exploração, deste sistema nacional de educação, do valor da família que se perdeu. Sou divorciada, triste fiquei com a separação. Gostaria e ainda acho que um casamento é para sempre. Pelo menos assim penso. Mas infelizmente existiram uns percalços em minha vida, mas nada que não se possa atravessar. Tive oito filhos e apenas dois conseguir levar a termo e hoje educados em todas as áreas fiz o meu impossível para formar cidadãos de caráter. Uma tem 32 anos, outro 21 anos. Uma graduada e o outro graduando. Trabalho no Hospital Geral do Estado – na Emergência e estou sempre indagando a mim mesma condoída por que nossos jovens estão tomando um rumo para a criminalidade e morrendo tão jovens. Minha alma despedaça cada vez que vejo um jovem morto e em estado crítico chegando ao HGE. Senhora e muita gente não entendem a minha indignação e dor. Estão despreparados os policiais, os jovens, os pais, as famílias. Morre-se o jovem criminoso e o policial que tem família e filhos para educar. Não posso ficar olhando para meu umbigo e chorando o leite derramado. Minha tristeza por uma família que não “vingou”. Preciso ajudá-la ajudando estas crianças e estes jovens. O que faço senhora? Por onde começo? Meu filho de 21 anos, Jorge Eduardo é um rapaz de grande valor humanitário. Caráter íntegro, objetivos definidos. Trabalha, graduando em Direito e pertence a um grupo chamado Wado. Um grupo que aprende e toca músicas e leva conhecimento do Japão para o Brasil e todos os jovens que fazem parte do grupo liderada pela senhora Lika são maravilhosos. Será que eles com o cônsul honorário do Japão na Bahia, Sr. Odecil não pode ajudá-la de alguma forma e eu o que posso fazer por nossas crianças? Tenho 54 anos e em véspera de 55 (nascida em 17/10) e não posso apesar de não ter uma situação financeira muito boa ficar de braços cruzados. Assistir uma entrevista sua na TV Senado e fiquei impressionada e até feliz por que na minha indignação não estou só. Não estou maluca de ter pena, aflição pelo futuro de nossos jovens: crianças e adolescentes. Que Deus lhe abençoe, dando-lhe sabedoria, luz, saúde e paz para continuar seu imenso e belo trabalho que Deus lhe pôs na mão. O que posso fazer? Por onde começar? Cordialmente e com todo respeito,
Cristina Maria Ribeiro Benevides.