PARÁ – Seis homens estão presos na delegacia de Portel, no Pará, acusados de abuso sexual contra crianças e adolescentes. A cidade, a 270 km de Belém, na região de Marajó, tem 45 mil habitantes. Estima-se que 25 mil crianças tenham sofrido abuso sexual nos últimos cinco anos no Pará. Destes, apenas 12 mil foram registrados nas delegacias. Na capital do Estado, no mesmo período, foram registradas 4.700 denúncias. Somente 900 tiveram inquérito policial concluído e, dessas, somente 400 foram denunciadas à Justiça.
Os dados são do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que instaurou o Grupo de Trabalho para o Enfrentamento da Exploração Sexual de Menores. A primeira ação do grupo foi direcionada ao Arquipélago do Marajó.
O depoimento dos acusados da cidade de Portel choca.
- Eu criei, eu desenvolvi, eu vou ser o primeiro – disse o lavrador Carlos Alberto Gonçalves de Lima, de 42 anos, que confessou abuso sexual da enteada, de 12 anos.
Lima acusa a a mãe da menina de ter feito chantagem contra ele, exigindo droga para afirmar na justiça que ele é inocente.
- Quando vi que o negócio pegou, eu me arrependi. A filha acaba tendo a cabeça feita pela mãe – diz Lima, que vendia açaí, mandioca e demais culturas da região.
Edvaldo Rocha, 37, é acusado de violência sexual contra a enteada, menor de idade. O trabalhador autônomo, que realiza serviços de pedreiro, nega as acusações.
- Eu não queria que ela fosse para o caminho das drogas, queria que ela fosse apenas para escola. Eu controlava ela, não deixava se misturar – confessou Edvaldo.
Edvaldo é acusado de bater na menina, hoje com 12 anos. Ela, por determinação judicial, acabou sendo transferida para uma casa de abrigo de Portel e lá deve ficar até a Justiça avaliar a situação do padrasto.
- Cheguei a bater nela porque ela era rebelde. Fui para o conselho, assinei um termo, mas nunca mais bati nela – disse Edvaldo, afirmando ser “vítima de complô” da família da menina e de professores da escola.
Sebastião Bahia Costa, 37 anos, é acusado de abusar durante sete anos da filha, hoje com 14 anos. A menina está sob a suspeita de ter adquirido Aids.
- Existe no interior uma cultura de que as mulheres tenham cedo o seu parceiro. Mas uma coisa é cultura, a pedofilia já é doença. Nós temos instintos animalescos, mas devemos nos conter – diz a delegada Socorro Maciel.
FONTE: O GLOBO






































