
Crueldade, barbárie e silêncio ao longo dos meses. O caso Dudu, como ficou conhecido em Campo Grande o sumiço do menino de 10 anos Luiz Eduardo Gonçalves parece estar perto de ser concluído pela polícia.
Três testemunhas revelaram que o garoto foi espancado com socos e pontapés até a morte, segundo o Midiamax apurou com fontes policiais. O caso corre como segredo de Justiça na 2ª Vara do Tribunal do Júri.
No inquérito consta a seguinte informação: “ Restou evidenciada a intenção, o dolo, a vontade dos representados [José Aparecido Bispo da Silva, J.A, E., José Carlos da Silva, Holly Lee de Souza e Maria de Fátima Leandro Azevedo] em ceifar a vida de Luiz Eduardo Martins Gonçalves, conhecido por ‘Dudu’ de modo absolutamente repugnante em vista da violência e requinte de crueldade que mataram a criança”.
Todos deverão ser indiciados por homicídio qualificado cuja pena é de doze a trinta anos de reclusão e ainda, por destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele cuja punição é de um a três anos, e multa, conforme o Código Penal.
Segundo apurou a reportagem, embora Dudu tivesse sido visto pela última vez no dia 22 de dezembro de 2007 foi por volta da meia-noite de 23 de dezembro daquele ano que o garoto foi assassinado em plena rua, conforme a versão policial.
‘Serviço’
Em 21 de dezembro, uma sexta-feira, o ex-padrasto, pedreiro José Aparecido Bispo da Silva teria ordenado aos adolescentes J.A., E. e Holly Lee de Souza e José Carlos da Silva a dar uma surra em Dudu. Cada um receberia a quantia no valor de R$ 100.
O motivo da barbárie, vingança por conta de intrigas que cercam o esquema de tráfico ‘formiguinha’ [pequena monta] na região. O ex-padrasto seria o líder do grupo e ainda estava separado há pelo menos dois anos da mãe do menino, a salgadeira Eliane Aparecida.
O principal suspeito nutria mágoa dela pelo rompimento. Desde o desaparecimento do filho, a mãe tinha a certeza de que o ex-marido estaria envolvido no assassinato da criança.
A família do menino desconhece a informação de que Dudu chegou a ser usado pelo tráfico, conforme a versão policial.
Dudu morava em uma casa no Jardim das Hortênsias com o pai, o vendedor de salgados, Roberto Gonçalves, 62, e os dois irmãos pré-adolescentes. A mãe residia em outra casa, mas trabalhava com o ex-marido para sustentar os filhos.
Na madrugada da morte, o menino tinha passado o dia na rua onde brincava com outras crianças. Como ficou tarde, uma moradora do bairro mandou que ele fosse pra casa por causa do horário.
Dudu brincava com as crianças dela. As ruas do bairro são escuras e conforme as testemunhas era meia-noite quando a missão dada pelo ex-padrasto ao grupo que já o procurava foi cumprida.
O garoto foi cercado na Rua Clevelândia entre Raquel de Queiroz e Onze Horas. Foram vistos dando pontapés e socos em Dudu os jovens Holly Lee de Souza, José Carlos da Silva e os dois adolescentes.
Uma das testemunhas tentou proteger o menino. Ela gritou e pediu para pararem com a agressão, mas não foi ouvida e ainda enfrentou ameaças até tomar coragem e depor à polícia. Outras duas testemunhas confirmaram a ação do grupo naquela noite. Em março deste ano Holly acabou preso e contou o que aconteceu e E. junto com os outros confirmaram.
‘Bonde’
Dudu apanhou muito e desmaiou ali na rua. Desacordado, o garoto foi levado para a casa do ex-padrasto, na Rua Clevelândia. A residência ainda no reboco fica em frente a uma quadra com matagal e pé de manga conhecida como ‘Mangal’, onde no dia seguinte foi encontrado um chinelo da criança.
Na casa de Seo Cido, sem conseguir abrir os olhos e esboçar reação o garoto foi alvo da fúria do ex-padrasto. Na presença de Maria de Fátima Leandro Azevedo, conhecida no bairro como Marlene, pessoa muito amiga de Seo Cido, ele continuou a bater em Dudu. Ali, mandou que Holly e E. e J.A. dessem um ‘bonde’ [levar] em Dudu e o ‘serviço’ fosse concluído no ‘Mangal’.
Lá, embaixo do pé de manga, o menino recebeu golpes até morrer.
Os pais de Dudu pediram ajuda à polícia já no dia seguinte, quando vizinhos, jornalistas, até a primeira-dama Maria Antonieta Amorim Trad estiveram no ‘Mangal’ durante busca pelo menino. O chinelo de Dudu foi encontrado.
“O chinelinho dele ficou meses num saco plástico embaixo da mesa do delegado”, disse a mãe do menino ao Midiamax na última entrevista em março.
A polícia chegou a levar cão farejador até o local, mas foram dias depois. Até a quebrar o piso da casa a pedido do ex-padrasto que desde então nega envolvimento com o sumiço do menino. Os vizinhos apontavam que o menino poderia estar lá.
Ocultação de cadáver
O corpo foi ocultado na região de mata perto do Museu José Antônio Pereira. Em março deste ano, 15 meses após o desaparecimento do menino, somente fragmentos de uma ossada foram encontrados no local, como havia dito os jovens Holly e os dois adolescentes.
Porém, no local não havia o crânio, o fêmur, enfim uma estrutura inteira. Dezenas de fragmentos foram encaminhados ao laboratório Ialf (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), no Instituto de Medicina e Odontologia (Imol ou IML (Instituto Médico Legal)).
“(…) trata-se de um osso da espécie humana e do sexo masculino”, consta no documento sigiloso. Agora, um outro exame de DNA [o mitocondrial] deverá buscar somente nos genes maternos se há compatibilidade com o encontrado nos fragmentos, ou seja, o sangue da mãe de Dudu será comparado com o material genético dos ossos encontrados.
Nos próximos dias a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) deverá dar mais detalhes sobre as investigações e anunciar a conclusão do inquérito encabeçado pela delegada da Deaij, Maria de Lourdes Cano.
Seo Cido e Holly tiveram prisão preventiva [tempo indeterminado] decretada; José Carlos da Silva e Maria de Fátima Leandro Azevedo seguem presos por meio de prisão temporária; e os dois adolescentes que já estavam recolhidos em Unidade Educacional de Internação por assalto a ônibus têm agora que responder à Justiça pelo crime de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Exceto os adolescentes, os quatro adultos serão julgados pelo Tribunal do Júri o qual sete pessoas da comunidade decidem sobre a punição de acusados em homicídio. O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri é Aluizio Azevedo.
Todas as autoridades foram procuradas pelo Midiamax para falar sobre o andamento do caso, mas a resposta foi uma só: por enquanto está sob sigilo.
FONTE: MIDIAMAX NEWS






































SEU TRABALHO DE DIVULGAÇÃO É MARAVILHOSO!!! Apesar das notícias serem tristes…. mas é bom para que todos saibam o que acontece com nossas crianças e para não deixar que pessoas assim fiquem impunes. A maioria das pessoas nem conhece o ECRIAD/ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)…. mas vamos continuar com esse trabalho!!!!
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Quero deixar aqui a minha indignação, quanto às Leis Brasileiras, pelo amor de Deus. Que tanta provas voces precisam pra botar um criminoso na cadeia? Alem do cara matar, violentar, abusar, que provas voces querem mais?Parece que o que voces querem é provar que não ocorreu o crime, e só condenam como não tem por onde correr e ainda assim colocam uma pena bem branda, que depois reduz na metade, ainda se cumpre em casa e os que ficam um pouquinho na cadeia, ainda saem para as festas.Caramba que leis são estas? Eu sinto muita vergonha disto. Colocam as crianças a tantas vezes a tantas perguntas, já não basta a prova do que aconteceu e a confissão tão terrivel para elas. isto por si só não já é uma prova bastante? Nos outros paises eu não vejo isto. Quando tem uma denuncia o acusado é preso de imediato.Aqui pelo amor de Deus, é uma ladainha, uma vergonha, um constrangimento para as vitimas e parentes vitimados. Revejam isto, vejam outros paises, outras leis, e ajam pelo amor de Deus. A população não aguenta mais isto.