
O Estado de Santa Catarina apresenta mensalmente 370 casos de violência sexual infanto – juvenil. No Brasil, por ano esse número pode chegar a 100 mil. São crianças vítimas de maus tratos, por violência física, abuso sexual, violência psicológica ou negligência.
O vale do Itajaí está inserido nestes dados. De acordo com a promotora de Justiça da Comarca de Ascurra Dr. Patrícia Dagostin Tramontin, as cidades da região não apresentam altos índices de agressão física a crianças, mas sim sexuais. Falta cuidado e zelo para as crianças. Grande parte dos casos de violência sexual com crianças acontece dentro de casa por padrastos, tios, primos ou parentes. As crianças são seduzidas e acabam não falando nada e os casos são percebidos através do comportamento diferenciado que elas apresentam.
A preocupação das mães em relação à instrução, educação e informação é de grande importância na vida da criança e do adolescente. A mãe precisa saber tudo que acontece na vida da criança, com quem ela convive e como ela é tratada. A prevenção pode ser a solução para maiores problemas no futuro.
ENTREVISTA
As psicólogas do CREAS Simone Packer Rebelo e Joyce Camila Manzke conversaram com a redação do Jornal Alternativo a respeito dos casos de violência infantil na cidade de Indaial.
Como está a violência infantil na cidade de Indaial? São muitos casos?
A situação de violência infantil em Indaial é bastante significativa, existindo inúmeros casos em que a criança ou o adolescente são vítimas de maus-tratos, muitas vezes pelos próprios familiares.
Quais são os tipos de violência existentes?
Agressão física, abuso sexual, negligência, abandono físico e emocional e violência psicológica.
Quais os casos mais comuns de violência infantil na cidade?
Entre os meses de janeiro a junho de 2008, os casos mais comuns de violência infantil na cidade foram: negligência (quando o adulto permanece junto ao filho, privando-lhe parcialmente e em grau variável de atenção adequada e necessária); violência psicológica (é a conseqüência da hostilidade verbal crônica em forma de burla, desprezo, crítica ou ameaça de abandono e constante bloqueio das iniciativas de interação infantil); violência física (trata-se de lesões provocadas por qualquer motivo, incluindo as reações a condutas indesejadas pelos pais ou responsáveis pela criança. Podem confundir-se com lesões acidentais, porém o olho treinado de um pediatra ou docente saberá distingui-las) e violência sexual (geralmente cometida pelo responsável que deveria cuidá-la, salvo algumas exceções, caracteriza-se por propostas de relações sexuais; conversas sobre atividades sexuais, destinadas a despertar o interesse ou chocar. Podem ocorrer também através de telefonemas obscenos; ato de mostrar os órgãos genitais ou práticas sexuais; ato de espiar os órgãos sexuais de crianças e adolescentes para obter satisfação pessoal; carícias nos órgãos genitais, tentativas de relações sexuais, masturbação, sexo oral, penetração vaginal e anal.
Como funciona o procedimento na cidade quando uma criança é agredida pela família? Onde ela permanece?
Quando é realizada a denuncia, o Conselho Tutelar verifica a situação e encaminha para os órgãos competentes (Delegacia, CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social e Fórum). Dependendo da situação a criança e/ou adolescente permanece na família, nos casos mais graves ela fica com algum familiar ou vai uma família acolhedora (são famílias que abrigam crianças e adolescentes em suas residências a fim de protegê-las de situações de risco).
Esses casos chegam acontecer na escola por colegas?
Alguns casos podem ocorrer.
Quando a professora da escola percebe algo de errado na criança em relação a comportamento ou mesmo indícios de que a criança pode estar sendo agredida, o que fazer?
A escola deve entrar em contato com o Conselho Tutelar para averiguação da situação, através do telefone 3333-6464 ou 9942-2288 (Indaial). Qualquer pessoa que perceber algo de diferente na criança pode denunciar. Também existe o Disque 100 para a realização das denuncias.
Com que idade é mais comum haver isso tipo de agressão?
As agressões podem ocorrer em qualquer idade.
Na sua opinião, porque esse tipo de violência acontece dentro de casa?
O abuso do álcool e o uso de drogas é um forte agravante da violência doméstica, assim como pode ocorrer devido a transtornos emocionais do agressor.
O que pode ser feito para diminuir esse problema?
Conscientização da população sobre as conseqüências da violência, tratamento dos familiares da criança que fazem uso de álcool e drogas ou que possuem algum transtorno emocional.
A Prefeitura possui algum projeto em relação a isso?
A Prefeitura de Indaial possui na Secretaria Municipal de Assistência Social e Habitação o CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o qual tem alguns programas que realizam atendimentos a esta demanda. Os profissionais que acompanham as famílias das crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos são: psicólogos, assistentes sociais, pedagoga e advogado. A equipe realiza o acompanhamento através de visitas domiciliares, atendimentos individuais e familiares, encaminhamentos a rede de serviços, visitas as escolas, estudos de casos, reuniões de equipe, reuniões com a rede de serviços, acompanhamento de crianças em depoimentos na Delegacia, participação em audiências, assessoria jurídica, relatórios para o Conselho Tutelar e Fórum, realização de campanhas contra violência doméstica.
Já houve na cidade de Indaial algum caso de agressão que fosse considerado grave (fisicamente)?
Em se tratando de violência todos os casos são considerados graves, sendo que as conseqüências é que são consideradas mais ou menos graves, pois dependem da vítima e da agressão por ela sofrida.
A criança sendo maltratada com o passar dos anos sofre alterações de comportamento. Essa frase é afirmativa? Quais são as conseqüências?
Alguns indícios de mau desenvolvimento de personalidade podem ser observados em idade precoce. Algumas dessas características podem ser manifestadas por dificuldades para se alimentar, dormir e concentrar-se. Essas crianças podem mostrar-se exageradamente introspectivas, tímidas, com baixa auto-estima e dificuldades de relacionamento com os outros, outras vezes mostram-se agressivas, rebeldes ou, ao contrário, muito passivas. Crianças que estão atravessando problemas domésticos relacionados à violência podem apresentar problemas na escola e no grupo social ao qual pertencem. Podem se recusar a falar sobre esses problemas, quer com o adulto que cometeu a agressão, quanto com familiares e professores, pois falta-lhes confiança nos adultos em geral.
Existem pais que perdem a guarda dos filhos por motivos de maus tratos?
Sim.
Fonte: Jornal Alternativo

































