Sentinela já atendeu 631 casos de violência contra criança e adolescentes; só este ano, foram 21.
DOURADOS – Uma enquete levada ao ar pelo site douradosagora.com.br mostra um resultado preocupante acerca do abuso contra criança e adolescente. As ocorrências registradas pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas/Sentinela) estão sinalizadas num mapa que indica a rota da violência em Dourados.
Colocada na página da internet há uma semana, a pesquisa do site aponta que 13% sabem de algum caso mas não denunciaram; apenas 5% delataram o agressor. Outros 77% dizem que não sabem de nada e pouco mais de 4% apelaram à denúncia anônima, pelos telefones gratuitos: 100; 0800.647 0444 e o 0800.647 7142.
O percentual mais preocupante, revelado pela enquete, diz respeito aos internautas que não denunciaram os abusos. Talvez isto explique o alto número de ocorrências registradas pelo Sentinela. Desde a implantação do programa (2001) até agora, 631 queixas foram encaminhadas pelas Delegacias de Polícia, Ministério Público, Juiz da Infância e Juventude ou Conselho Tutelar. A coordenadora do Cres/Sentinela, Andréia Penco Faria, contabiliza 21 ocorrências entre janeiro e a primeira quinzena de junho de 2008. Todas estão sendo investigadas.
Segundo ela, a maioria é caso de violência sexual ou atentado violento ao pudor, que inclui atos libidinosos, assédio e outros. As vítimas são pessoas com idades entre zero e 18 anos incompletos. A maior parte é menina, de toda faixa etária. Em 90% dos casos o abusador é pessoa “de confiança”: pai, padrasto, tio, irmão e vizinho. Muitas destas crianças e adolescentes sofrem a violência em casa, quando a mãe está no trabalho. Os maiores empecilhos contra o abuso são o medo e a vergonha. Além disto, muitas vezes as vítimas não são levadas a sério. E quando o fato é comprovado, os acusados alegam que foram “seduzidos” pelos meninos ou meninas abusados sexualmente. Nas classes sociais mais altas, poucos recorrem à polícia ou às entidades de proteção a vítima.
Rede de pedofilia recentemente desmontada pela polícia brasileira mostra que este tipo de crime vitimiza pessoas de todo tipo e envolve, inclusive, as que deveriam estar do lado da lei. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ouviu, na quinta e sexta-feira passada, um pediatra condenado a 114 anos de prisão por abusar sexualmente de crianças; um tio acusado de violentar sexualmente duas sobrinhas e um pai de santo suspeito de aliciar menores e manter uma rede de pedofilia.
A expectativa agora é que a CPI da Pedofilia vote hoje o projeto de lei que vai tipificar a pedofilia como crime hediondo, que prevê pena de 15 anos de prisão para quem fotografa, vende, produz, ajuda, compra ou facilita a vida dos pedófilos.
Fonte: Jornal O Progresso

































