
Os secretários de educação do Estado, Adeum Hilário Sauer, e Município, Nemias dos Reis Santos, se comprometerem com o trabalho e garantiram que as escolas passarão a trabalhar com a prevenção ao consumo de álcool. Sauer informou que cada unidade da rede estadual irá escolher a maneira como irá trabalhar o assunto, seja com oficinas, atividades, pecas teatrais, dentre outras tarefas que estimulem o debate. O acordo prevê a capacitação dos profissionais da área de educação para orientar os estudantes.
Segundo o Promotor de Justiça da Infância e Juventude, Carlos Marthel, a iniciativa surgiu a partir da percepção de que consumo de álcool entre jovens tem aumentado consideravelmente nos últimos anos e a idade em que os adolescentes passam a consumir bebidas tem diminuído cada vez mais. Apesar de a prática ser comum entre esse público, não existem pesquisas oficiais que apontem objetivamente esse aumento devido à dificuldade de reunir dados sobre essa prática, que é ilegal.
A escolha dos estudantes como alvo do trabalho partiu da mudança de tática dos órgãos competentes – Ministério Público, Prefeitura Municipal de Salvador, Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, Conselho Tutelar e Secretaria de Segurança Pública, dentre outros – para minimizar o problema no Estado. Em vez de trabalhar apenas com a repressão à venda ilegal de bebidas a adolescentes, a intenção é investir na prevenção, esclarecendo os jovens dentro das escolas.
De acordo com Marthel, o objetivo é levar informações para a sala de aula, por meio dos professores, sobre os riscos que o consumo precoce e inadequado de álcool pode trazer para a saúde das pessoas. “Procuramos as escolas para tentar reverter o quadro atual, em que tem aumentado muito nos últimos anos o acesso dos jovens à bebida”.
O trabalho dentro das unidades de ensino também pretende diminuir o consumo de bebidas no entorno das escolas, onde não é raro encontrar bares, barracas e lanchonetes que vendem bebidas. Em alguns casos, como na porta do Colégio Central, na Piedade, o comércio é feito inclusive por vendedores informais.
Segundo o promotor, a comercialização nas regiões próximas às instituições de ensino tem sido um dos entraves para combater o uso do produto entre as crianças e adolescentes. “Detectamos muitos estabelecimentos vendendo bebida no entorno das escolas. Há relatos de que os próprios estudantes acabam levando a bebida para dentro do colégio”, destaca.
O consumo de bebidas é confirmado pelos próprios alunos. Um adolescente de 17 anos entrevistado pela reportagem, estudante do Colégio Estadual Odorico Tavares, por exemplo, diz que é comum seus colegas saírem depois da aula para “tomar uma” em um mercadinho da região. Segundo ele, ninguém nunca lhes perguntou se eles são maiores de idade.
Cultural – O Procurador Geral do Estado da Bahia, Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto, destaca outro fator que tem dificultado o trabalho da polícia e do Ministério Público para coibir a prática, que é a cultura do brasileiro de beber com grande freqüência. “O país tem um consumo intenso de álcool, por vários motivos, dentre eles o alto número de festividades”, afirma.
A opinião de Britto é a mesma do médico e professor de gastropatologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Raimundo Paraná. Ele considera a questão cultural como um determinante para o aumento do consumo de bebida entre as pessoas com idade inferior a 18 anos.
Paraná acredita que seriam necessárias medidas mais drásticas para diminuir o consumo. “É barato consumir álcool no país. O Governo não tem coragem de aumentar o preço para tentar inibir a venda e o resultado é que temos a bebida mais barata do mundo. Em países da Europa, uma cerveja não custa menos do que dois ou três euros. Já no Brasil, compramos, em média, por quarenta centavos de euro”, exemplificou o médico
O médico ressalta ainda que o álcool é uma droga mais complexa do que as outras, já que pode afetar diversos órgãos do corpo. “O álcool causa lesões no cérebro, fígado e gônodos sexuais, altera a pele e reduz a atividade do sistema imunológico”, destaca. Ele adverte ainda que os sintomas demoram a aparecer porque os efeitos vão aparecendo aos poucos, à medida que a substância vai sendo consumida ao longo dos anos. “Muitas vezes as pessoas bebem e nem têm idéia do que elas podem estar causando a si mesmas”, alerta.


































Aumentar o preço e fazer fiscalização