Um agravante para essa situação é que a taxa de redução da pobreza anda quatro vezes mais rápido do que o acesso ao saneamento

Apenas 46,77% da população brasileira tem acesso ao esgotamento sanitário. As mais prejudicadas pela falta de saneamento são as crianças de 1 a 6 anos. Esta é a conclusão da pesquisa Trata Brasil, organizada pelo instituto que leva o mesmo nome e pela Fundação Getulio Vargas (FGV).“As maiores vítimas são as crianças porque são mais afetadas pelas condições ambientais. A criança que brinca na vala negra quando já tem essa idade, mas tem impacto também sobre o aproveitamento escolar. Ao mesmo tempo o acesso ao saneamento básico, as obras, não só evitam problemas de saúde, como também geram emprego e renda onde o emprego é raro, que são nas grandes favelas”, defende o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri.
A pesquisa revela que a taxa de mortalidade de crianças nesta faixa etária, de 1995 a 1999, era de 3,75% entre a população que não possuía acesso à rede de esgoto, e de 2,35%, entre a população que possuía. Entre 2001 e 2006, os números são de 2,89% e 2,25%, respectivamente.
“A pesquisa identifica um importante impacto sobre a mortalidade de crianças de 1 a 6 anos e do número de filhos nascidos mortos. Isso é só a ponta do iceberg, os custos são muito maiores, as crianças que não têm aproveitamento escolar. O número maior é que cada real que você gasta em saneamento você economiza R$ 4 na área de saúde”, detalha Neri.
Um agravante para essa situação é que a taxa de redução da pobreza anda quatro vezes mais rápido do que o acesso ao saneamento. Ou seja, nesse ritmo, de acordo com Neri, seriam necessários mais 56 anos para que a meta do milênio – de reduzir pela metade o déficit do saneamento – seja atingida. Há 14 anos, o esgotamento sanitário atingia apenas 36,02% da população – o crescimento nesse período foi de cerca de 10%.
O dado sobre o saneamento leva em consideração apenas os domicílios em que o esgoto é coletado por redes, descartando aqueles que possuem fossas sépticas – solução que o Ministério das Cidades considera adequada para o destino dos dejetos e eleva o percentual brasileiro de coleta para quase 90%. Para Neri, a pesquisa serve para mobilizar a sociedade sobre seus direitos básicos.
“A mudança [se dá] através de informar a ação. Quer dizer, a mãe de família perceber qual é a falta de saneamento no seu bairro, no seu município e mobilizar sua população sobre direitos básicos. Uma parte do movimento pode ser chamada de ‘ao invés de um computador por criança, uma privada decente por família’. Há coisas básicas da existência das pessoas que estão sendo deixadas de lado. Está se pensando num computador, quando um padrão civilizatório mínimo não está sendo alcançado”, afirma.
Todos os dados e os cruzamentos da pesquisa são baseados na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
OMS diz que saneamento em áreas rurais no Brasil não cresce há 16 anos O número, de 2006, é exatamente o mesmo de 1990 e foi apresentado no relatório World Health Statistics 2008
Apenas 37% da população brasileira que vive em áreas rurais tem acesso a saneamento básico. O número, de 2006, é exatamente o mesmo de 1990 e foi apresentado no relatório World Health Statistics 2008 (versão em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o estudo, 58% dos habitantes de regiões rurais têm acesso a fontes de água potável. Já nas áreas urbanas, 84% têm acesso a saneamento básico e 97% a água potável.No total, o Brasil tinha, em 2006, 77% de acesso a saneamento básico e 91% a água potável. Numa comparação com outros países em desenvolvimento, a vizinha Argentina registra que 91% dos habitantes têm acesso a saneamento e 96% a água tratada. Já a China garante água potável a 88% de sua população e saneamento a 65%. A Índia apresenta índices de 89% e 28%, respectivamente.
O relatório faz um apanhado geral da saúde no mundo, com dados que vão desde a natalidade e a mortalidade nos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), até os gastos desses países com saúde e tratamento de aids, malária, tuberculose e doenças cardiovasculares.
Segundo a pesquisa, a saúde foi responsável pelos gastos de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e representou 6,7% dos gastos do governo. Do total de despesas com saúde, 55,9% foram pagas por fontes privadas e 44,1% pela União. Em um país como aAlemanha, os gastos com saúde respondem por 10,7% do PIB, sendo que 76,9% são pagos pelo governo e 23,1% de forma particular.
O relatório aponta ainda que 22% dos adultos do mundo fumam. Dois terços deles estão em 10 países – entre eles o Brasil – que respondem por 58% da população mundial. Ainda segundo o estudo, as mortes relacionadas ao cigarro devem pular de 5,4 milhões em 2004 para 8,3 milhões em 2030 – 80% delas nos países em desenvolvimento.
AGÊNCIA BRASIL

































