Delegado sabe, todas as autoridades sabem e não ligam. Tornou-se normal, comum, é normalidade. Isso não é considerado por eles fato grave. As crianças trocam a escola pela sobrevivência.Autor: Sen. Mário Couto (PSDB-PA)
A exploração sexual infantil é alarmante na Ilha de Marajó. São meninas com onze anos de idade. As balsas e navios que transportam mercadorias ficam parados em pontos combinados, esperando as arcaças atracarem e as meninas passarem para elas.
Meninas de onze anos de idade, estimuladas – isso é que é pior – pelas próprias mães, que preferem a sobrevivência. Estimuladas pela própria família, porque essas mães não querem ver as suas filhas passarem fome.
Quem diz isso não é só a imprensa escrita de meu estado. Quem diz isso é o bispo José Luiz do Marajó, é o Ministério Público do Estado do Pará. As crianças não vão à escola porque trocam a escola pela sobrevivência e se prostituem.
Olhem aonde chegou este nosso País! Olhem como estamos! Olhem como estamos na Ilha do Marajó! Não é só a Ilha do Marajó, eu sei. Mas lá é mais grave, lá o problema é mais sério, lá o problema é angustiante. Como se não bastassem esses problemas, como energia e transporte, ainda há a insegurança e exploração sexual de menores.
É triste o estado em que vive aquele povo, é condenável. Quem toma providências? Delegado sabe, todas as autoridades sabem e não ligam. Tornou-se normal, comum, é normalidade. Isso não é considerado por eles fato grave.
O Senado Federal, o povo brasileiro precisava saber disso. São crianças de onze anos convivendo no Marajó com homens de cinqüenta anos. E quem estimula isso é a própria família porque são pobres e tão pobres como aqueles homens de cinqüenta anos.
E não é só um caso. É uma denúncia da Promotora Pública Lílian Nunes, do Município de Portel. E são vários casos. Os vizinhos, a comunidade, todos olham isso com naturalidade. Isso é natural na Ilha do Marajó. Olhe como vivem.
Só há uma solução para o Marajó. Vamos transformar o Marajó território federal. Não há outra solução. Todas já foram tentadas, esgotadas. Cansei, batalhei, cobrei. Não tem solução. A única solução é o Senado aprovar um projeto transformando Marajó em Território Federal.
Fonte: Senado Federal.

































