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Para o ex-secretário-adjunto de Defesa Social, departamento especializado deveria entrar em ação; Crisp vai ajudar
Para evitar a inércia da investigação sobre alguns casos de desaparecimentos, o que acaba travando o desenrolar dos inquéritos, a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD) recorreu ao Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No ano que vem, o Crisp vai analisar cientificamente os dados da DRPD na tentativa de apontar as motivações para os sumiços. Para o sociólogo Luiz Flávio Sapori, ex-secretário-adjunto de Estado de Defesa Social, os desaparecimentos de crianças e adolescentes deveriam ser investigados pelo Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp).
Sapori salientou que a DRPD conta com profissionais capacitados, “mas ainda é uma divisão modesta”. “Eu entendo que o desaparecimento de crianças deveria ter uma investigação prioritária. Criança desaparecida é um problema grave. A suspeita e a possibilidade da atuação de um criminoso em série são grandes, então eu acho que o know-how do Deoesp seria muito útil para essa situação”, afirmou o sociólogo, ressaltando que o Deoesp conta com uma unidade especializada em seqüestros. “Acho que nada impede que essa unidade desenvolva um know-how também para casos de desaparecimentos de crianças, que são diferentes dos casos de adultos”, disse.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (Alemg), deputado Durval Ângelo (PT), ressaltou que a criação de uma divisão especial para apurar especificamente desaparecimentos de crianças e adolescentes foi aprovada na primeira reunião do Colegiado Estadual de Segurança Pública, no último dia 21 de agosto. Presidido pelo vice-governador Antônio Augusto Anastasia (PSDB), o colegiado conta ainda com representantes da Alemg e vários setores da sociedade civil, que se reúnem de dois em dois meses. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que ainda não foi definido quando a nova divisão começará a funcionar.
Casos voluntários
De acordo com Cristina Cicareli, 90% dos desaparecimentos são voluntários e o restante está relacionado a algum crime. “Em se tratando de menores, dentro dos 90% dos casos voluntários, 15% são motivados por crimes ocorridos dentro de casa. Pode ser exploração sexual, do trabalho infantil ou maus-tratos”, explicou. No entanto, há casos em que o Núcleo de Psicologia e Serviço Social da DRPD, assim como a investigação policial, não detectam a motivação. “Não se encontra uma motivação ao redor da vida da pessoa, seja na família ou em outros tipos de relacionamentos, como escola, vizinhança e de lazer”, disse a delegada.
Segundo ela, o Crisp analisará todos os dados registrados pela DRPD desde 1999 para fazer um levantamento numérico das motivações. “Isso dará mais transparência ao nosso trabalho, servindo para que tenhamos condições de informar a população e criar as políticas de prevenção na medida certa”, avaliou Cristina Cicareli. A socióloga Karina Rabelo Leite, pesquisadora do Crisp que coordenará a parceria com a DRPD, disse que todos os dados da unidade serão digitalizados e organizados em variáveis. “A partir dessas variáveis, teremos informações que possibilitarão traçar o perfil padrão das vítimas”, explicou.
Quatro casos motivam campanha especial
Quatro casos de desaparecimentos de menores que intrigam a DRPD viraram tema de uma campanha lançada há uma semana pela unidade. Foram confeccionados cartazes com as fotos dos garotos Anderson Faria de Assis, 11, e João Vitor de Oliveira, 7, que sumiram em Contagem, além de Douglas Freitas Ferreira, 14, e Daniel Paulino Graciano, 11, desaparecidos em Belo Horizonte. As peças estão sendo distribuídas em embaixadas e outros órgãos públicos.
Os meninos desapareceram entre 30 de junho de 2005 e 24 de junho deste ano e têm o mesmo perfil do garoto Pedro Augusto Santos Prates Beltrão, 14. Porém, a chefe da DRPD, delegada Cristina Coelli Cicareli, afirma que não há nenhum indício de que os desaparecimentos estejam ligados a algum tipo de crime. “São quatro casos que não temos a motivação que justifique o desaparecimento”, admitiu.
De acordo com ela, a campanha “Seja a estrela guia que mostrará onde estão” foi lançada propositalmente nas proximidades do Natal para tentar sensibilizar a sociedade sobre a importância de as pessoas fornecerem qualquer tipo de informação que possa levar a unidade a elucidar o paradeiro dos garotos. Os cartazes contêm o número de telefone 0800 2828 197 e a seguinte frase “Para que o final deste ano seja mais feliz para eles e suas famílias”.
“É fundamental essa nossa parceria com a sociedade e a imprensa para que possamos obter qualquer informação que ajude na investigação. A pessoa que telefonar não precisa se identificar”, ressaltou Cristina Cicareli. Segundo ela, a mesma campanha será feita posteriormente com fotos de garotas.
Doações
A delegada informou que a Receita Federal doou brinquedos para a DRPD e os donativos serão distribuídos para crianças carentes que moram nas imediações do Departamento de Investigações (DI), na Lagoinha, região Noroeste da capital. A doação será feita antes do Natal, mas a data ainda não foi definida. “Vamos aproveitar a ocasião para distribuir alguns cartazes da campanha”, disse Cristina Cicareli.
Além dos cartazes, serão distribuídas cartilhas do projeto Conviver, criado pela Polícia Civil. As cartilhas trazem dicas para as crianças, pais e educadores sobre prevenção ao desaparecimento e os tipos de violência contra menores. (EB)

Desaparecimentos crescem em Minas
Os dados da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD) apontam um aumento das ocorrências de desaparecimentos em Minas. Foram 325 casos no Estado até o último dia 16, contra 215 em todo o ano passado. Em Belo Horizonte, os registros aumentaram de 104 para 186. Dos 2.751 desaparecimentos cadastrados na DRPD, 1.279 foram solucionados e 1.461 continuavam sem solução.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de um maníaco estar à frente do desaparecimento de crianças e adolescentes na Grande Belo Horizonte, a chefe da divisão, delegada Cristina Coelli Cicareli, foi evasiva. “O que vai mostrar essa possibilidade é a investigação. Apenas a conclusão dos inquéritos vai determinar as motivações dos desaparecimentos”, disse.
Em relação ao inquérito que apura a morte de Pedro Augusto Santos Prates Beltrão, 12, a delegada informou que o caso foi repassado à Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV). “O chefe da divisão (delegado Wagner Pinto) é que vai decidir se divulga ou não o retrato falado do suspeito de cometer o crime. Eu optei por não divulgar para não atrapalhar as investigações”, afirmou.
Depoimentos
A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o chefe da DCcV vai tomar novamente o depoimento da pessoa que teria visto Pedro Augusto acompanhado de dois homens e fornecido as características físicas dos suspeitos para a confecção do retrato falado, antes de divulgá-lo. A data do depoimento ainda não foi marcada. (EB)
Criança sumiu quando ia buscar o presente do pai
Grávida de três meses, a dona de casa Carla Kymaria Oliveira, 38, está muito feliz com a chegada de mais um filho. Mesmo assim, ela carrega consigo uma amargura desmedida. “Nada vai suprir a ausência do meu filho caçula. Cada dia sem ele é um ano de vida a menos para mim”, disse.
O caçula a que Carla se refere é João Vitor de Oliveira, 7. No dia 12 de junho deste ano, o menino saiu de casa, numa vila do Eldorado, em Contagem, Grande Belo Horizonte, para buscar o presente do pai, que fazia aniversário. Nunca mais ele foi visto. João Vitor é uma das crianças que fazem parte da campanha especial da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD)
“De manhã eu fui com o João Vitor na loja para escolhermos o presente. Às 16h, ele voltou sozinho para buscar e sumiu. Eu acho que alguém pegou meu filho, só não sei para que”, disse a dona de casa.
Além do bebê que espera, ela é mãe de outros quatro filhos. “Ninguém mora mais comigo e meu marido. Só tínhamos o João Vitor e ele nos faz muita falta”, lamentou Carla Kymaria, que agora mora no bairro Cidade Industrial, também em Contagem.
Nesses quase seis meses de desaparecimento de João Vitor, ela vem buscando informações diárias na DRPD. “A investigação anda muito devagar. Em todo lugar que eu vou, sinto meu filho por perto. Quem vai me ajudar a encontrá-lo é Deus”, disse a dona de casa. (EB)
Vinte e um meses de espera e buscas

No dia 4 de março do ano passado, o garoto Douglas Freitas Ferreira, 14, marcou um gol, jogando futebol num time de uma escolinha do Atlético, em São José da Lapa, Grande Belo Horizonte. Após o jogo, ele desapareceu misteriosamente. O menino foi visto pela última vez na região da Pampulha esperando o ônibus que o levaria de volta para casa. Desde então, o pai de Douglas, o pedreiro Rivaldo de Freitas Ferreira, 35, busca uma pista que o leve ao reencontro do filho.
“Ele estava todo feliz porque tinha feito o gol da vitória do Atlético. Era 14h30 quando o Douglas foi para o ponto perto da Vila Olímpica, junto com quatro colegas. Cada um pegou seu ônibus e ele ficou por último. Nunca mais meu filho apareceu”, lamentou Rivaldo. O caso passou a ser investigado pela DRPD.
Paralelamente ao trabalho da Polícia Civil, Rivaldo foi para as ruas atrás de informações sobre Douglas, distribuiu panfletos, percorreu os caminhos que o menino tinha o costume de seguir. “Toda campanha é válida. Mas às vezes eu fico pensando que, se até a família, que sofre com essa falta de informação, chega num momento que não tem mais onde procurar pistas, imagina a polícia, que tem muitos outros casos para investigar”, refletiu o pedreiro. (EB)
Fonte: Jornal O Tempo



































È muito triste isso tudo, N. Senhora a de abençoar todas as familias, dar paz e conforto para continuar a ter esperança de encontrar esses anjinhos…Com as bençãos de Deus vcs iram vencer mais essa batalha tão dificil e conseguir mais forças nesse movimento…um abração pra todos….