Todo ano a história se repete. Nas semanas que antecedem o Dia das Crianças, fabricantes e comerciantes de brinquedos não perdem tempo e investem pesado em propaganda. E nem poderia ser diferente. Afinal é difícil achar alguém que não tenha pelo menos um filho, sobrinho, enteado ou afilhado para agradar no próximo dia 12.
Mas escolher o presente ideal não é brincadeira. Comprar um brinquedo vai (ou deveria ir) muito além do que levar aquele que a criança quer só porque assim é mais fácil e você sai logo da loja (ufa!).
Especialistas recomendam que os pais resistam à tentação de comprar brinquedos da moda, que podem ser caros e não contribuir para o desenvolvimento da criança. Também alertam para o perigo dos itens falsificados, que são mais baratos, mas oferecem risco à saúde dos pequenos.
“Os brinquedos bons são aqueles que não servem apenas para distrair, mas também aguçam a curiosidade, a criatividade, a memória e o raciocínio lógico da criança”, ressalta a mestra em Educação Maria José Cerutti Novaes.
Além de fazer a criança pensar, a pediatra e membra do Comitê de Segurança da Sociedade de Pediatria do Espírito Santo (Soespe), Tânia Aragão, afirma que o brinquedo tem que colocar o corpinho dos pequenos pra mexer.
“Logo que a criança fica em pé é recomendado dar brinquedo de puxar e empurrar. Depois, por volta de um ano e meio, as opções são o triciclo e posteriormente a bicicleta. Evite as motos e carrinhos elétricos. O ato de pedalar é importante para o desenvolvimento”, explica.
Orçamento. Mas o que fazer se sua filha quer porque quer aquela boneca que custa o valor da compra do mês? Para garantir brinquedos educativos com preços que cabem no seu bolso (não se esqueça, o Natal é daqui a dois meses) a psicanalista infantil Jane Maria Martins recomenda que os pais deixem os filhos em casa na hora da compra.
“Levar os filhos é um erro, os pais se tornam reféns. Além disso, a surpresa é ótima para a criança”, avalia. Jane aconselha também a conversar antes se a criança está pedindo um determinado brinquedo que você não pode comprar ou acredita que não é bom para ela. “No começo ela pode demonstrar uma certa frustração, mas depois vai entender. E se os pais souberem comprar o brinquedo certo, vai gostar também”, pondera.
O tempo passa, mas o sucesso continua
Alguns brinquedos nunca perdem o encanto. A boneca Barbie, por exemplo, acompanhou as quatro últimas décadas e está perto de completar 50 anos. Mas o corpinho é de 20 e ela ainda faz a cabeça de milhares de crianças em várias partes do mundo. E quem nunca brincou de Lego, Batalha Naval, Banco Imobiliário, War?
Para a psicanalista infantil Jane Maria Martins o segredo desses produtos é o estímulo que provocam na criança, sem que ela perceba que está aprendendo. “Os bons jogos desafiam a criança. Estimulam o raciocínio, a competição e até ajudam no aprendizado de disciplinas escolares.”
Jane também destaca os benefícios dos brinquedos de encaixe, como o tradicional Lego. “São educativos, ensinam cores e formas e despertam a curiosidade nos mais pequenos”, diz Jane. Já a boneca Barbie e outras no mesmo estilo, como a Susi e a Polly, estimulam a criatividade. “O ato de trocar roupinhas, pentear o cabelo, maquiar a boneca estimulam a criatividade e a curiosidade da criança”, explica a mestra em Educação Maria José Cerutti.
Brincadeiras ensinam respeito às diferenças
Que tal aproveitar uma brincadeira com seu filho para ensinar o respeito às diferenças? É verdade que nos últimos anos encontrar bonecas negras nas prateleiras das lojas não é difícil, mas ainda há muito o que fazer, segundo especialistas. O respeito às variadas formas de deficiências, por exemplo, precisa ser trabalhado ainda na infância. E por que não brincando?
A psicanalista infantil Jane Maria Martins recomenda uma brincadeira especial para toda família. “Os fantoches podem ser muito úteis nesse aspecto. Os pais podem brincar com os filhos usando bonecos brancos, negros e também sem um braço ou perna, por exemplo. As crianças vão aprender que nem todo mundo é igual”, ressalta.
Ela explica que os brinquedos artesanais são uma boa opção de presente. Além de serem usados para contar histórias, fantoches e bonecas de pano despertam a curiosidade e a criatividade na criança. “Façam juntos fantoches, bonecos de pano, blocos de madeira para encaixar e até casinha de boneca. Será uma diversão com gostinho de desafio para toda família”, sugere.
Encanto artesanal
Beatriz Just, 10 anos
A estudante Beatriz Just, de 10 anos, ficou encantada com os brinquedos artesanais de uma loja do Shopping Praia da Costa. “Eu achei linda essa casinha de madeira. Tenho várias bonecas pequenas que poderiam morar lá”. A estudante também faz planos para os fantoches. “São ótimos para brincar de teatro”. A mãe da criança, a autônoma Eunice Just, disse que sempre incentivou na filha a valorização dos produtos artesanais. “Na escola dela os professores também trabalham essas habilidades. Até brinquei e disse que se ela quiser nós podemos tentar fazer uma casinha parecida. Acho que deve ser uma atividade gostosa “.
Indenização para clientes da Mattel
O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) deu entrada na Justiça do Distrito Federal com uma ação civil pública contra as fabricantes de brinquedos Mattel e Gulliver. O objetivo é indenizar as pessoas que compraram os brinquedos que foram alvo de recall nos últimos meses.
As empresas anunciaram campanhas para retirada de milhares de brinquedos que possuíam ímãs que poderiam se soltar e ser engolidos ou aspirados por crianças, além de itens com excesso de chumbo na tinta.
No Brasil não foi registrado acidente com os brinquedos. Mas o diretor presidente do Ibedec, José Geraldo Tardin, disse que não é preciso haver vítimas para que as fábricas sejam penalizadas. “O Código de Defesa do Consumidor prevê que quem foi exposto ao risco tem direito a indenização”.
Na ação o Ibedec pede que cada consumidor receba 10 vezes o valor que pagou pelo brinquedo, a título de dano moral. Nas contas de Tardin, caso a Justiça conceda decisão favorável aos compradores, só a Mattel deve ter um prejuízo de mais de R$ 50 milhões.
Além de preço, observe a segurança
Na hora de comprar brinquedo não basta olhar o preço ou se o produto agrada à criança. Os pais devem ficar atentos a vários itens, como normas de segurança. “Brinquedos falsificados não passam por nenhum controle de qualidade, não têm garantia e muitas vezes os pais não podem ler as instruções, pois estão em outra língua”, destaca a pediatra e membra do Comitê de Segurança da Sociedade de Pediatria do Espírito Santo, Tânia Aragão. Ela explica que esses brinquedos podem ter excesso de chumbo na tinta, o que pode causar intoxicações, ou emitir barulho muito alto, causando lesões à audição. O diretor presidente do Ibedec, José Geraldo Tardin, ressalta que em caso de problemas, quem compra em camelôs não tem a quem reclamar.
Coleção partilhada
Verônica Rampinelli e a filha Laura
A dona de casa Verônica Rampinelli, de 31 anos, e a filha dela, Laura Rampinelli Oliveira, de 2 anos, não vêm a hora do Dia da Criança chegar. Verônica vai aproveitar para aumentar a coleção de Barbies das duas. Isso mesmo, mãe e filha adoram a boneca que atravessa gerações. “Sempre gostei da Barbie, mas quando eu era criança meus pais não tinham condições de compra-la. Acho que naquela época era mais cara. Mas agora eu curto as Barbies da Laura. Brincamos juntas e isso é muito gostoso”, conta. Na coleção, destaque para a Barbie Bailarina e Sereia, preferidas de Laura. Mas a criança também tem vários DVDs da Barbie, além de posteres e um sofá com estampa da boneca. O presente já está definido, mas falta escolher qual variedade da boneca vai pra casa. “Ela quer uma de R$ 200 reais, mas vou tentar convencê-la de levar uma mais em conta”, diz Verônica.
Compra segura
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Idade. O brinquedo não deve fugir à faixa etária de uso, informada no rótulo
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Validade. Deve ser observado o prazo de validade e condições de garantia do brinquedo, que deve conter selo do Inmetro
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Teste. O brinquedo deve ser aberto e testado na presença dos pais
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Até um ano de idade. Os brinquedos devem ser de texturas e formatos de fácil manipulação e que possam ser levados à boca. Não podem ter pontas e devem ter um tamanho que impeça que sejam engolidos
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Entre um e três anos. As peças de quebra-cabeças e de brinquedos de montar devem ser grandes, assim como bonecas e carrinhos, que não podem ter peças que se soltam
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Entre 4 e 5 anos. O tamanho da bicicleta deve ser compatível com o da criança. Enquanto ela ainda não sabe andar sozinha as rodinhas laterais são importantes. Fique por perto
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De 6 a 9 anos. Não esqueça os itens de segurança e escolha um local apropriado para andar de bicicleta, patins e skate. Os livros devem ser escolhidos de acordo com a capacidade e o gosto da criança
Fonte: Jornal A Gazeta


































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