O juiz substituto André Avancini D’Avila, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, mandou a júri popular o pai-de-santo William Domingos da Silva e a esteticista Elsa Soares da Silva. Eles são acusados de ter matado Michael Mendes, 4 anos, num ritual de magia negra, na noite de 8 de abril de 1989, dentro do terreiro de candomblé Axê Ilê Oxalufâ, situado no Setor Rio Formoso.
Eles serão julgados por homicídio com três agravantes: crime cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Na sentença, André Avancini observou que, embora as defesas de Silva e Elsa tenham pedido suas absolvições sob alegação de serem inocentes, as provas constantes dos autos, sobretudo as testemunhais, são suficientes para indicar a participação dos dois no crime.
Os outros dois acusados, o mestre de candomblé Alexandre dos Santos Silva Neto e a faxineira Eva dos Santos Marinho, já morreram. De acordo com denúncia do MP, Michael Mendes morava com uma tia, que era vizinha de Elsa e freqüentava seu salão, eventualmente acompanhada do garoto.
Decepcionada com sua vida amorosa, uma vez que seu companheiro a tinha deixado por um homem, Elsa teria recorrido ao pai-de-santo em busca de um ritual de magia negra que pudesse desfazer o novo relacionamento dele.
Para tanto, ela teria usado o garoto, que teria sido sacrificado em um ritual de magia negra coordenado por Silva com o objetivo de resolver os problemas amorosos dela. O menino teria sido amordaçado e passado por um ritual de sacrifício que teria envolvido espancamento, retirada de três dentes, amputação de todos os dedos das mãos para, ao final, ser decapitado.
O corpo da criança foi encontrado 20 dias depois, semi-enterrado, com a barriga para baixo e a cabeça virada para cima. Ao lado do corpo havia sete copos descartáveis brancos, um pente de cabo vermelho, plástico de buquê de flores, fitas vermelhas, velas amarelas e vermelhas, cigarrilhas, talco, pingas, cerveja, vinho, champanhe, uma caixa de papelão e um vidro de esmalte que tinha escrito, em seu rótulo, a palavra “pomba-gira”, que, segundo a promotoria, é uma entidade espiritual que exige sangue humano.
Redação Terra

































