Alice – Edição para adultos rediscute pedofilia

Há algo de muito misterioso e talvez perverso na história real do escritor inglês Lewis Carroll (1832-1898), autor de um dos livros infantis mais lidos no mundo, Alice no país das maravilhas (1865). Atrás do espelho de suas aventuras fantasiosas, narradas ao gosto do mais carrolliano nonsense, estão os bastidores de uma história mal-contada, que já rendeu um sem número de interpretações e permanece cheia de lacunas. Afinal, que estranha relação era aquela entre um homem 20 anos mais velho e Alice Liddell, a garotinha de sete anos, que virou musa inspiradora do livro, ”melhor amiga” e modelo de uma série de fotos que mais parecem obra de um incorrigível pedófilo? Será que alguma vez o reverendo Charles Lutwidge Dogson, nome verdadeiro de Carroll, chegou a tocar de forma impudica no pequeno objeto de sua veneração?
São dúvidas permanecem no ar há mais de um século. Mas publicações recentes lançam novas luzes – e acendem outras questões – sobre a polêmica. A edição comentada de Alice, com introdução e notas de Martin Gardner, um dos maiores especialistas em Carroll e sua obra do mundo, é uma delas. Gardner fez um texto paralelo às histórias da menina Alice, com notas tão elaboradas que são quase ensaios, revelando novidades fascinantes sobre seu autor e suas personagens.
Mesmo porque muito do repertório do autor foi escrito para leitores britânicos do século passado, e algumas piadas só poderiam ser entendidas por aqueles que moravam em Oxford, adverte Gardner. Ele também não se furta de questionar se as crianças contemporâneas, mais acostumadas ao ritmo das aventuras de Harry Potter, ainda se interessam pela obra de Carroll. A resposta é não. ”As crianças de hoje sentem-se aturdidas e às vezes apavoradas pela atmosfera de pesadelo dos sonhos de Alice. É apenas porque adultos – cientistas e matemáticos em particular – continuam a apreciá-lo que os livros de Alice têm sua imortalidade assegurada”, afirma. Este livro é para eles.
”O fato é que o nonsense de Carroll está longe de ser tão aleatório e despropositado quanto parece”, anuncia Gardner. E, na qualidade de editor de problemas matemáticos da revista Scientific American, promete guiar o leitor nesta viagem fascinante através do espelho. De quebra, o livro traz ainda as belíssimas ilustrações que John Tenniel fez especialmente para a primeira edição de Alice.
Fotos - Lewis Carroll, que criou o pseudônimo a partir de seus primeiros nomes reais em latim – Carolus Lodovicus – anglicizando-os depois, é, sem dúvida, um personagem. Nascido em 1832, o escritor, matemático e bom fotógrafo (as fotos de suas ”amiguinhas” comprovam) viveu sempre à espreita das menininhas que encontrava em viagens de trem, nas praias ou em casas de amigos. Diverti-las era seu principal hobby. ”Gosto de crianças (exceto meninos)”, escreveu certa vez.
Carroll levava sempre na bagagem um saco preto com objetos e brinquedos para estimular o interesse delas. E assim uma longa procissão de meninas encantadoras passaram pela vida do escritor, embora nenhuma delas tenha despertado nele tanta adoração quanto Alice Liddell, com quem se encontrou num verão ensolarado em uma viagem de barco pelo Tâmisa e contou pela primeira vez a história do País das Maravilhas.

Mãe de Alice queimou cartas de Lewis Carroll
Família procurou afastar escritor da menina que inspirou personagem famosa
É praticamente impossível imaginar, como insistem alguns biógrafos, que ao se aproximar de suas amiguinhas – das quais se despedia nas cartas com ”10 milhões de beijos” e costumava pedir cachos de cabelos de presente para beijar – Carroll estivesse apenas movido por um amor puramente espiritual. As explicações são inúmeras, como se pode ver nas anotações de Gardner, que cita várias fontes de interpretação, como a da psicanalista Phyllis Greenacre, para quem talvez Carroll tivesse um Édipo não-resolvido, sendo possível que identificasse as menininhas com a mãe. Assim, Alice seria o símbolo materno de Carroll. Afinal, a diferença de idade entre o autor e sua musa era quase a mesma que o separava de sua mãe, diz a psicanalista, assegurando que essa ”inversão da fixação edipiana é bastante comum”.
Pode ser, tudo pode ser. Na verdade, as excentricidades de Lewis Carroll, solteirão convicto, reverendo que jamais conseguiu chegar a ser pastor devido à gagueira e a uma timidez incurável, são tantas que, assim como o nonsense de sua ficção, dificultam uma conclusão definitiva. Como explica Gardner na introdução da edição comentada, a dificuldade de analisar qualquer obra cheia de fantasia é a profusão dos símbolos convidativos a inúmeras interpretações. ”Como Homero, a Bíblia e todas as outras grandes obras de fantasias, os livros de Alice prestam-se facilmente a qualquer tipo de interpretação simbólica – política, metafísica ou freudiana”, declara. Shane Leslie, por exemplo, em Lewis Carroll and the Oxford movement, encontra em Alice uma história secreta das controvérsias religiosas da Inglaterra vitoriana. O pote de geléia, diz o comentador de Alice, seria o símbolo do protestantismo. Uma referência a Guilherme de Orange – captou? E por aí seguem-se dezenas de outras interpretações tão bizarras quanto a própria obra.
Nenhuma especulação, no entanto, desperta tanta curiosidade quanto as que se referem à vida do autor e à sua relação com a ninfeta Alice. Na leitura que faz da questão, Gardner esquiva-se de apostar na tese de pedofilia, deixando a questão em aberto. ”Estava Carroll apaixonado pela Alice real? Sabemos que a sra. Liddell percebeu algo de insólito nas atitudes dele em relação à filha, tomou medidas para desencorajar-lhe as atenções e finalmente queimou todas as primeiras cartas para Alice”. Mais à frente, ele completa: ”As menininhas de Lewis Carroll talvez o atraíssem precisamente porque com elas se sentia sexualmente seguro. Havia na Inglaterra vitoriana uma tendência, que se reflete em grande parte na literatura e na arte, a idealizar a beleza e a pureza virginal das meninas. Isso sem dúvida tornou mais fácil para Carroll dar por certo que seu gosto por elas se situava num elevado plano espiritual.”
Uma das melhores páginas sobre esse conflito não está, no entanto, nesta edição comentada, mas sim na interpretação de Katie Roiphe, autora de Still she haunts me (Ela ainda me assombra), livro que romaceia a relação entre Carroll e Alice. Para Roiphe, ensaísta renomada que deu com essa história seu primeiro passo na ficção, há uma certa nobreza no autocontrole de um homem que lutou a mais árdua de todas as batalhas do mundo: seu próprio desejo. Ela diz: ”É impossível para nós contemplar um homem que se apaixonado por garotinhas sem querer colocá-lo na prisão. As sutilezas, para quem vive as paranóias do século 20, são difíceis de serem compreendidas. O amor de Carroll não era nabokoviano; era delicado, torturado e esquivo. Era uma paixão muito estranha e complicada para ser definida em uma única palavra”, escreve. Ao fim de um artigo escrito recentemente para o jornal The Guardian a respeito de Carroll, ela conclui: ”Ele tinha pensamentos, impuros, sim. O que importa, no fim, é o que ele fez deles.”
Apesar das fotografias com forte apelo erótico e das cartas melosas que escreveu para meninas como Alice (publicadas no Brasil com o título Cartas às suas amiguinhas), a veredicto final sobre o que Carroll teria feito de seu desejo ainda é um mistério. Uma coisa é certa: em meio a toda essa paranóia sobre a pedofilia, especialmente na internet, se toda essa história acontecesse hoje, é provável que um dos autores mais célebres da literatura infantil estivesse em desgraça ou mesmo preso. A malícia dos olhos do século 21 talvez não apenas tenha desfeito o fascínio pelas aventuras de uma menina perdida no país do absurdo como também tenha rompido definitivamente o véu que separa a fantasia da perversidade. Um caminho sem volta.
Fonte: JB Online







































talvez.
entretanto eu tenho fé em carrol, portanto:
Salve Lewis Carol!!!
Bah, se existem duas coisas das quais um famoso não escapa é da fama de ter um “novo amor” e da fama de ser pedófilo, principalmente quando é alguém que se envolve muito com crianças, como é o caso de Lewis. Isso pode até ser mentira, mas caso isso seja verdade, muito provavelmente Carroll nem tocou na criança, o que faz com que ele ainda seja uma pessoa normal e não-criminosa, apesar de ter um gosto sexual muito esquisito.
É incrivel como tudo apresenta um lado macabro, já li Alice e confesso que um dos livros mais facinantes e criativos que já “provei”. Acredito que analisr ou procurar um lado macabro do autor é algo desnecessario, quem de nós é normal? e quem de nós faz algo completamente tomado pela ingenuidade? acredito que todo pensamento imaginario tem uma dose de anormalidade e de desejos ocultos. Alice não é diferente se o autor tinha ou não intenções sexuais o que interessa é que o que ele fez dessas intenções. Alice com certeza deve ter se sentindo privilegiada por ter sido eternizada em uma das histórias mais cativantes da literatura infantil, não nos esqueçamos que as crianças daquela época amadureciam muito mais cedo e possuiam uma malicia que hoje não é encontrada…
é evidente que carrolll era apaixonado por “garotinhas”
mais especialmente,por alice, acredito firmemente que o tarado teve um caso com a pequena alice pois além desse facinio todo por ela, as páginas do diário dele que contavam algo sobre a menina foram arrancadas BAAAAAA muito estranho não??
um pedófilo gago, nada mais sintomático! tive uma esperiencia parecida quando criança….
pelo menos fez uma grande obra…
Falar de Carrow é muito complicado para meros…Alice é um clássico por que é bom, perdura até hj porque guarda em suas paginas conhecimentos!! leia..e faça uma critica fundada e mesmo assim será só mais uma opnião…vocês gostam de crianças……? Walldysney…michel Jackson….quem mais? deve ser proibido…Alice é referencia do poder da imaginação e da contestação moral de uma época conturbada……Fala analisar para julgar as pessoas…Alice foi apenas uma referencia…Uma bela e maravilhosa referencia e hj ainda é …pena que as pessoas nao vem mais o que estar por trás do espelho…….Seguir o coelho branco parace que se tornou chato na sociedade moderna…e do passado restam apenas o julgamentos de pessoas que querem demonizr tudo….
LEiam…..quem ler com certeza viaja….
Não to achando nada…
to passada O.o
é como perder o chão…essa versão faz sentido sim!
Mas não sei o que dizer!
Para quem leu o livro a passagem da Condessa pode até ser uma justificativa para o pobre homem atormentado que escreveu alice…
“Nunca imagine que não ser diferente daquilo que pode parecer aos outros que você fosse ou pudesse ter sido não seja diferente daquilo que tem sido poderia ter parecido a eles diferente.”
Ou seja ser ou não ser para os outros tanto faz…
Foi uma obra incrivel reflexão e interpretações, talvez até a polemica e interpretações Freudianas valham mas no fundo tanto faz.
Cabe ressaltar a Lagarta
Quem é Você?
Uau, adorei o comentário do Marcos!
Bom, eu nunca imaginei, na minha ignorância pueril, que a história de Alice tivesse como pano de fundo a pedofilia. Todos os argumentos do texto têm fundamento, mas se a gente pode ver desenho em nuvens, nem sempre o que tem fundamento é verdadeiro. Mas o que querem com isso? Destruir a reputação do livro e bani-lo das prateleiras? Eu comprei o livro, mesmo aos 21 anos. Gosto de histórias encantadas, e sou da época do Harry Potter, sim, com gosto pelo também por Lewis Carroll.
Nunca se sabe o que é a sexual para uma pessoa, especialmente as conturbadas, no caso do autor. Se seu gosto pelas menininhas tenha ficado só nas cartas, por mim, tudo bem.
belo livro,não sei porque tem gente criticando o autor….hoje em dia vemos mais e mais gente famosa fazendo maluquice,e ninguém diz nada…deixa lewis carroll em paz…
Provavelmente era pedófilo… mas não deixou de escrever uma grande obra. Se eu fosse a mãe da Alice não teria deixado ele bater aquelas fotos. Mas as meninas se casavam com 14…
Acho que a pessoa não precisa ser santa pra ser artista, pq misturar as coisas?
Leia este trecho de umas de suas obras “Quatro amores”,em q Lewis Carrol fala sobre o amor:
“Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno”.
[Em "Os quatro amores"]
Mas pra ser bem sincera ,não acredito q Carrol tenha tido algum sentimento por Alice,ele era amigo de Alice.Alice no País das Maravilhas foi contado para Alice e suas irmãs num passeio de barco sobre o rio Tâmisa,Alice gostou tanto da história q pediu a ele q escrevesse ,ele escreveu a história e deu de presente de aniversário pra ela.
E sem mencionar q Carrol era muito religioso.
Se realmente sentiu ou não algo por Alice ,se ele abusou dela ou não,não sabemos , é algo q ficará para questionarmos .Sua mente era um labirinto ,quem sabe um dia não solucionaremos este problema matemático ?rs
alice e um otimo conto de fadas, desde pequena que sou apaixona.eu amo beijos
Alice é o livro que mais me fascina da literatura inglesa.
E eu sou da época de Harry Potter, para falar a verdade, sou até mais nova do que essa época, quando lançaram o primeiro livro eu tinha três anos de idade.
E mesmo assim li os dois livros, os quais eu considerei um dos melhores que eu já li.
E não é porque existe toda essa polêmica atrás de Lewis que as pessoas deveriam deixar de ler os seus livros, afinal como o próprio escritor diz a Alice:
“Nós somos apenas crianças mais velhas, querida”.
No primeiro pomea de Alice através do espelho.
Então a inocência que a jovem possuia podia ser o fator que fez Lewis se apaixonar por ela, e é como a Mariana disse:
“Qual de nós é normal? E quem de nós faz algo completamente tomado pela ingenuidade? ”
Mesmo tendo acontecido algo entre Lewis e Alice quem somos nós para julgar?
Comentários a parte, eu quero muito ler “Still she haunts me”, parece ser muito interessante.
eiiiiiiiii e a foto tão fácil de achar na net dos dois se beijando?????? aff ta na cara!
que ele era um escritor maravilhoso todos nós concordamos,mais iso não tira o fato do cara ser pedófilo.
beijos a todos
o que é mais bizarro nisso tudo é como as pessoas estão tratando a pedofilia..
quer dizer que se um pedófilo faz algo grandiozo, então “deixe ele, isso não é nada”, ” os artistas são egocentricos mesmo”…
mas atitudes como estas não importam, até que elas entrem dentro de nossas casas, atingindo nossas crianças, só quem sofreu na pele que sabe o quanto é perverso e horrivel uma relação pedófila.
sou psicologa infantil e sei o quanto é traumatizante para uma criança essa situação.
me decepcionei com o autor.
e pais cuidem de suas crianças, quem ve cara não ve o resto…
O fato é: Não podemos julgar aquilo que não conhecemos. Por mais completas que sejam as histórias que contam sobre Lewis Carroll ser pedófilo, ainda não é o suficiente para concluir que ele realmente seja pedófilo, e mais, as pessoas estão cegas diante a sociedade e só querem ver o óbvio sem ao menos tentar enxergar outras alternativas, ou pesquisar mais a fundo sobre aquilo que lhe é dito.
Talvez ninguem saiba realmente quais eram as intenções do Carroll, é um mistério eterno, que não só eu mas muitas pessoas vem tentando desvendar a bastante tempo.
Sinceramente não se pode julgar o livro dessa maneira… Se Lewis Caroll tinha algum problema não cabe a ninguém julgar e especular condenando sua obra dessa forma.
Parece que virou mania ver mensagens subliminarem em tudo…
Naquela época, Alice não era só uma criança. Ela já se aproximava da idade do casamento. Não era tão sem procedimento essa paixão. E quem sabe, ela não se encantou por ele também? Não acho certo o abuso sexual, mas as crianças amadureciam mais cedo naquela época, e as de hoje, com a idade de Alice, estão grávidas, sem abuso, por vontade própria. Não julguem o Carrell, pois não sabemos se esse suposto desejo não passou de apenas um desejo.
:) Paz