
Os advogados de Vilma Martins Costa, condenada a mais de 15 anos de prisão por ter seqüestrado duas crianças, pediram a liberdade da cliente. O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, nesta sexta-feira (17), que recebeu habeas corpus impetrado em favor de Vilma.
Ela ficou conhecida por ter seqüestrado o menino Pedrinho. Em novembro de 2002, Vilma foi denunciada em Goiânia por seqüestro e cárcere privado contra criança e outros crimes.
Os advogados afirmam que ela “foi condenada em sanções já prescritas num total de sete anos de reclusão e um ano e oito meses de detenção”. A ação foi distribuída ao ministro Celso de Mello, mas não há confirmação da data em que o documento será analisado.
Sistema fechado
Vilma foi presa por ter seqüestrado o menino Pedrinho, em Brasília, e a menina Aparecida Fernanda, em Goiânia. A condenada cumpria pena em regime semi-aberto até dezembro do ano passado, mas voltou ao sistema fechado.
Em dezembro, foi beneficiada pelo indulto de Natal e demorou para voltar para a Casa do Albergado, onde cumpria pena, porque estava internada em um hospital particular. Em vistoria no quarto de Vilma, agentes da Secretaria de Justiça encontraram alimentos proibidos a pacientes diabéticos, como ela.
Fonte: Portal G1
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Relembrando o caso.
Confissão de seqüestro
Mãe adotiva de Pedrinho confessa à polícia que roubou o garoto na maternidade

Às 11h30 da quarta-feira os delegados Hertz Andrade e Luiz Julião Ribeiro, da Delegacia de Homicídios do Distrito Federal, chegaram à casa do presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, região metropolitana de Goiás. Uma hora depois se encontraram com o advogado Ezízio Barbosa e sua cliente Vilma Martins Costa. Encarregado de apurar os responsáveis pelo seqüestro de Pedrinho, de 16 anos, filho adotivo de Vilma, Hertz iniciou um diálogo sem rodeios:
– Já temos provas suficientes de que foi a senhora quem pegou Pedrinho no hospital. Seria melhor a senhora confessar.
– Mas não fui eu.
– É melhor a senhora confessar. Seria uma saída honrosa.
Hertz tirou da pasta um papel. Era o depoimento de uma testemunha que reconheceu Vilma como a mulher que há 16 anos seqüestrou um bebê na maternidade Santa Lúcia, em Brasília.
– A testemunha diz que a mulher que levou a criança tem cor moreno jambo.
Vilma reagiu olhando para a própria pele.
– Ela também diz que a mulher tem nariz abatatado. A senhora tem nariz abatatado?
Silêncio.
– Ela diz que a pessoa tem a boca carnuda e tem sobrancelhas em forma de arco. Eu nunca tinha observado isso… Mas a senhora tem sobrancelhas em forma de arco…
Vilma começou a chorar.
– Vou dizer que fui eu, mas não vou dizer mais nada. Absolutamente nada. Antes quero falar com meus filhos.
Com a autorização do advogado, Vilma pediu para ir até sua casa, em Goiânia, a 30 minutos dali, contar tudo aos quatro filhos. Só depois prestaria depoimento formal. Os policiais concordaram. Vilma foi embora e não voltou. No fim da tarde, mandou recado por uma de suas filhas, Roberta. ‘Minha mãe disse que não vai prestar mais nenhum depoimento. Façam o que quiserem.’ Em defesa de sua cliente, Ezízio Barbosa chegou a negar a conversa. A confissão informal de Vilma, no entanto, é apenas mais um elemento em uma imensa coleção de indícios reunidos pela polícia. Também é mais uma ponta em um drama que parece sem fim, em cujo centro se encontra um adolescente que demonstra um impressionante equilíbrio para enfrentar uma situação de tirar o juízo de qualquer um.

Na manhã de 21 de janeiro de 1986, o bebê Pedro Braule Pinto foi retirado da maternidade Santa Lúcia, em Brasília, por uma mulher que se apresentou como assistente social e alegou precisar levá-lo para exames de emergência. Nascera quatro horas antes. Nos últimos 16 anos, os pais do menino, os funcionários públicos aposentados Maria Auxiliadora, a Lia, e Jayro Braule Pinto, percorreram um rastro de pistas falsas a sua procura. No fim de outubro, uma denúncia anônima ao SOS Criança, órgão do governo do Distrito Federal, afirmou que o menino havia sido registrado como Osvaldo Martins Borges Junior – e morava com Vilma em Goiânia.
Dias depois, na saída do Colégio Ávila, onde cursa o ensino médio, o garoto foi abordado por dois policiais. Levado até uma delegacia, foi avisado de que teria de se submeter a um exame de DNA. Ele se recusou a fazer o teste e mandou chamar a mãe. Vilma pediu aos policiais um tempo para prepará-lo. No mesmo dia, ela reuniu o menino e três de suas quatro filhas – a mais velha mora na Itália. Anunciou que contaria um segredo só conhecido por ela, por sua mãe e pelo marido, Osvaldo, morto em 19 de outubro, vítima de câncer. Olhou para o garoto, disse que ele era seu filho do coração. Mas era adotivo. O rapaz ficou pálido. Não chorou. Mas ali mesmo decidiu fazer o exame. Dias depois, o DNA comprovou que ele é mesmo Pedrinho. Ficou abatido. Trancou-se no quarto durante horas. Quando saiu, pegou as mãos de Vilma e disse que ela continuaria sendo a mãe dele – sempre.
Após dois dias do resultado do exame, os pais de Pedrinho – rebaixados à condição de pais ‘biológicos’ – puderam ver o menino pela primeira vez. As duas famílias se encontraram no escritório do advogado de Vilma, sob compromisso de que ela não seria investigada ou processada. Depois de tirar fotos na janela do escritório, os pais verdadeiros e a mãe adotiva foram a uma churrascaria. Diante das câmeras, o encontro serviu para lembrar a distância de 16 anos entre um filho e seus pais verdadeiros. Por trás dos sorrisos e gestos formais, havia a tensão da suspeita que pairava sobre a mãe adotiva. Logo depois de beijar o filho, Auxiliadora olhou para Vilma.
Reconheceu a mulher que arrancara seu filho da maternidade e nunca mais aparecera. Em choque, decidiu não falar nada. Teve até medo de perder o filho mais uma vez. Em meio ao almoço, precisou se levantar para conter uma crise de choro no banheiro. Na despedida, como se adivinhasse o pensamento dos interlocutores, Vilma disse a Auxiliadora: ‘Você sabe que não fui eu quem seqüestrou seu filho’.
A imagem do encontro foi transmitida pelo país afora. Entre os espectadores, estava a principal testemunha do seqüestro, a bancária Maria Eugênia Ayres Lazzarotti Abreu. No dia em que Pedrinho foi levado, Maria Eugênia acompanhava a irmã no hospital Santa Lúcia – sua sobrinha havia acabado de nascer. Por volta das 11 horas, estava no berçário quando uma mulher se aproximou. ‘Ela fez muitas perguntas sobre minha sobrinha’, lembra. Maria Eugênia voltou para o quarto, que ficava em frente ao número 10, onde Auxiliadora descansava com Pedrinho. Uma hora depois, viu a mulher sair do quarto com uma sacola que segurava cuidadosamente nos braços. ‘Jamais pensei que tivesse uma criança naquela sacola. A mulher estava com o cabelo preso e usava óculos escuros. Só reconheci por causa da roupa’, lembra. Maria Eugênia ajudou a polícia a fazer o retrato falado definitivo da seqüestradora. Durante 16 anos participou de vários reconhecimentos de suspeitos – mas nunca havia identificado a imagem da mulher que vira no hospital. Na noite do domingo 10, ela assistiu pela televisão ao reencontro de Pedrinho com os pais. Levou um susto. ‘Quando os quatro apareceran na televisão eu levei um choque. Me deu um frio na espinha. Reconheci de imediato. Se não for ela, é irmã gêmea.’ Durante todos esses anos, Maria Eugênia sempre colaborou com a polícia, sem sair do anonimato. ‘Todo aniversário da minha sobrinha, me lembro da Auxiliadora e do Pedrinho.’
Na última semana, um parente de Osvaldo Martins Borges, o pai adotivo de Pedrinho, gravou depoimento informal na Delegacia de Homicídios do Distrito Federal informando a identidade da pessoa que teria levado Vilma de Goiânia para Brasília no dia do seqüestro. Os delegados localizaram a testemunha, um homem também ligado à família. Ele confirmou que de fato levara a mãe adotiva para Brasília em janeiro de 1986. Também afirmou que a reencontrara três anos depois, com um filho de 3 anos. Ao ver o noticiário na semana passada, ele procurou por Vilma e cobrou uma explicação. Ela apenas caiu no choro. A polícia deve encerrar o inquérito até o fim do mês e enviá-lo à Justiça. Vilma não pode ser denunciada por rapto ou seqüestro. No caso dela, até mesmo a tipificação do crime é difícil. ‘Seqüestro pressupõe que a vítima seja mantida em cárcere privado, o que não ocorreu a Pedrinho’, diz o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira. De qualquer forma, o crime já prescreveu. Ainda assim Vilma corre o risco de ser processada por ter registrado o menino como filho legítimo, crime com pena de dois a seis anos de prisão.
Em lados opostos da lei, uma pagando com uma dor infinita pela alegria da outra, as duas mães têm histórias traumáticas de perdas de filhos. Quando chegou à maternidade Santa Lúcia para ter Pedrinho, Auxiliadora já era mãe de duas filhas, Claudia e Cristina. Aos 32 anos, já perdera outra filha, Juliana. A menina morreu com 4 dias de vida, por conta de uma má-formação congênita. Em seguida, ela sofrera dois abortos naturais. Por conta dos traumas, acreditou na história da mulher simpática que entrou em seu quarto e alegou ter de levar Pedrinho para fazer exames emergenciais. Sentiu culpa e remorso por todos esses anos, mas na hora não achou estranho nem quando a seqüestradora entrou e saiu do quarto cinco vezes. Chegou a dar alguns telefonemas de lá mesmo. Ela ainda levou Auxiliadora até o chuveiro, argumentando que facilitaria a coleta de urina. Na última vez que voltou ao quarto, deu um jeito de despistar a mãe de Auxiliadora, dona Otalina: ‘Vovó, chegou uma encomenda no setor de patologia’. Otalina foi ao outro extremo do hospital buscar a surpresa. A mulher levou o bebê do quarto, dizendo que ele faria exames no berçário. Antes de sair, ainda fez outra ligação. ‘Podem vir. Está tudo pronto.’ As horas que se seguiram ao seqüestro – só percebido depois da chegada do médico do bebê – foram de pânico. Otalina sofreu um infarto. Quando chegou ao hospital, o pai Jayro entrou em choque. ‘Abri todos os esgotos perto do hospital. Pensava que o seqüestrador podia ter jogado meu filho num deles.’
Durante 16 anos, Auxiliadora e Jayro enfrentaram decepções na busca pelo filho. Falsos seqüestradores telefonaram pedindo resgates, pessoas passavam pistas falsas. Também apareceram algumas crianças. Em 1990, o caso voltou a ser assunto nacional depois que foi tema do programa Linha Direta, da Rede Globo. Uma mulher de Rondônia afirmou que havia encontrado uma criança muito parecida. O casal recebeu a foto. ‘Quando a vontade é grande, a gente acaba achando traços parecidos aqui e ali’, lembra a mãe. Mandaram trazer o menino. A emoção foi tamanha que a avó de Pedrinho, Otalina, acabou não resistindo. Teve outro infarto e morreu aos 68 anos, um dia antes de a criança chegar. Otalina nunca se livrou da culpa por ter deixado a filha sozinha no quarto com a seqüestradora. Um exame de DNA acabou com as esperanças. Auxiliadora e Jayro também procuraram pelo menino em Curitiba e até mesmo na embaixada do Gabão, em Brasília, depois de uma denúncia falsa de que havia uma rede de seqüestros de crianças envolvendo integrantes da diplomacia daquele país. Entre uma decepção e outra, a tragédia alterou a rotina da família. ‘As pessoas se afastaram. Havia um constrangimento. O ciclo de amizade ficou muito restrito’, conta Auxiliadora, referindo-se àquela situação do casal que enfrenta um drama tão insuportável que ninguém consegue falar no assunto – nem parar de pensar naquilo.
As filhas reclamavam, diziam que também queriam atenção. Auxiliadora adotou um filho, Eduardo, hoje com 15 anos. Depois de um tempo, percebeu que os filhos e o marido ficavam tristes quando ela chorava. ‘Por isso, não tinha mais direito de chorar’, conta. Durante vários anos, não se perdoava por não ter impedido que levassem seu filho. Só há três anos, com uma terapia, ela conseguiu recuperar-se desse trauma. Passou a escrever compulsivamente para Pedrinho. Em cartas, bilhetes e diários contava detalhes da vida da família e até momentos históricos do país. ‘Foi a forma de comunicação que eu encontrei. Mas acabou o ciclo depois que ele apareceu’, diz Auxiliadora, que pretende entregar o que escreveu ao filho.
Quando Pedrinho foi levado do hospital, Vilma tinha 31 anos. Havia acabado de enfrentar o nono aborto natural e morava em Goiânia com o marido, Osvaldo – auditor fiscal do Estado -, e quatro filhas do primeiro casamento. Um dia antes de sua confissão informal, recebeu ÉPOCA em sua casa no Jardim América, um bairro de classe média em Goiânia. Com pressão alta, estava deitada em uma cama, rodeada pelos filhos. Contou o motivo pelo qual quis tanto mais um filho. Vilma conheceu Osvaldo, casado e pai de cinco filhos, no início dos anos 80, em Goiânia. Seis anos depois, ele resolveu abandonar a mulher, Cleonísia, para ficar com ela. Mas queria um filho para selar a união. ‘A família dele dizia que eu tinha barriga de pano, de algodão, porque eu não segurava nenhuma criança. Aquilo na cabeça de meu marido era forte, havia uma pressão psicológica muito grande.’ Quando Vilma sofreu o terceiro aborto, no fim de 1985, os dois ficaram deprimidos. De mãos dadas com o filho, a quem chama de Júnior, Vilma conta que Osvaldo apareceu com um bebê. ‘Disse que ganhou de uma gari.’ A chegada de Pedrinho transformou a vida do casal. O menino ganhou espaço de único filho deles e teve uma infância de menino de subúrbio, cercado por quatro irmãs e uma prima. ‘Meu pai dizia que tinha medo que eu virasse gay’, brinca Pedrinho.
Há um mês, sua rotina passou por uma reviravolta. O pai morreu repentinamente. Inconformado, no velório ele aproximou-se do corpo e perguntou: ‘Por que pai? E quem vai me acordar de manhã agora?’ Na tarde da quinta-feira, o garoto e as irmãs convocaram uma entrevista coletiva. O menino saiu em defesa de Vilma. Disse que acredita na mãe e pediu a interrupção das investigações. ‘O maior interessado no assunto sou eu. E eu quero que parem’, afirmou. Um dia antes, fez seu primeiro telefonema para Jayro. Disse que tem medo de que a mãe adotiva seja punida. ‘Eu só quero voltar para a minha vida normal’, disse. Agora que foi descoberto, Pedrinho quer voltar a ser Júnior.
Fonte: Revista Época







































Boa noite!
Eu gostaria muito desaber como está avida da familia hoje.
Pedrinho ficou realmente com os pais verdadeiros?
Espero que sim!
Um abraço
[...] Relembre o Caso Pedrinho [...]
ele agora está feliz com os pais biológicos… em Brasilia
tá cursando direito…
só isso q sei.
[...] Pedrinho, como ficou conhecido, foi levado pela ex-empresária Vilma Martins e criado como seu filho legítimo até que, em outubro de 2002, a neta do suposto pai de Pedrinho desconfiou, após ouvir algumas conversas de Vilma, de que o menino não seria filho natural da empresária. [...]
E como está hoje a vida dessa sequestradora Vilma? Ela ainda está presa? Espero que sim, pq lugar de gente ruim é na cadeia.
Boa noite!
Eu gostaria muito desaber como está avida da familia hoje.
Pedrinho ficou realmente com os pais verdadeiros?
Espero que sim!
Um abraço
Agora que a sequestradora está solta, Pedrinho, com que está? Espero que , com a mãe verdadeira, a biológica e reconhecedo como foi má aquela que criou.