Evasão escolar, vício em jogos e pedofilia online estão entres os riscos das lan houses para nossas crianças.
Em Belém, matador em série atraía vítimas adolescentes em lan houses.

Polícia apura denúncias de menores “viciados” em jogos das lan houses
Adolescentes sem autorização dos pais estão ficando viciados em jogos oferecidos em lan houses. A denúncia foi feita por uma comissão de mães à Polícia Civil, que iniciou ontem um cadastramento dos estabelecimentos em Limeira. O objetivo é identificar irregularidades e implantar medidas de fiscalização conjuntas com a Prefeitura e a Vara da Infância e Juventude.A Gazeta abordou o problema em maio, através de uma reportagem que apontou além da variação de 100% nos preços, estratégias de descontos e pacotes promocionais para atrair cada vez mais o público adolescente e incentivar a permanência cada vez maior diante das telas dos computadores. O assunto ganha ainda mais importância agora, no período de férias escolares, quando os menores se refugiam nestes estabelecimentos em função do tempo ocioso.
De acordo com as denúncias feitas pelas mães diretamente ao delegado seccional, Aparecido Capello, o problema está presente em vários pontos da cidade. “As queixas das mães demonstram que não existe uma região específica. Como o problema está espalhado, iniciamos um amplo cadastramento de todos os estabelecimentos”, explicou.Capello reforçou que a ação da Polícia Civil atende ao desespero das mães.
“São mulheres extremamente preocupadas, pois alegam que perderam o controle sobre os filhos, que estão viciados em jogos”.
O ingresso de menores de 12 anos é proibido sem acompanhamento do responsável e adolescentes com idades entre 12 e 16 anos precisam de autorização por escrito do pai ou responsável. O problema é que muitos menores falsificam a assinatura dos pais. Para menores de 18 anos, a permanência após a meia-noite é proibida, exceto com autorização dos pais. “Nossa intenção é estudar, no Judiciário de Limeira, medidas mais rígidas para o cumprimento da lei”. Uma alternativa seria exigir a presença do pais para emissão da autorização e não apenas o envio dos documentos através dos filhos, que muitas vezes falsificam as assinaturas.
Em Limeira, conforme pesquisa informal feita em maio pela reportagem e também através dos dados do Conselho Tutelar, muitos estabelecimentos descumprem as regras em relação às idades. O órgão recebe em média 40 casos por mês de evasão escolar, sendo que a maioria está ligada à freqüência de alunos em lan houses, em pleno horário de aula. A Gazeta apurou que os preços variam de R$ 1 a R$ 3 a hora, incluindo 10 estabelecimentos pesquisados em bairros e na região central, onde predomina o valor médio de R$ 2. Em uma região da periferia a reportagem presenciou crianças, com aparência de 9 a 10 anos, utilizando máquinas sem a presença de qualquer responsável.
Evasão Escolar
Além destes problemas identificados, Maria Aparecida Dias, do Conselho Tutelar, disse que outro problema comum é a evasão escolar. O órgão recebe em média 40 casos por mês de evasão escolar, sendo que a maioria está ligada à freqüência de alunos em lan houses, em pleno horário de aula.Segundo a conselheira, muitas crianças e adolescentes chegam a falsificar a assinatura dos pais na autorização e passam horas em frente dos computadores. “Sempre que atendemos casos como esse notificamos os pais. As escolas também têm atenção redobrada em relação a esse assunto”, declarou.
Apesar do empenho das autoridades, Maria Aparecida reforçou que é função dos pais estabelecer regras, impor limites em relação ao cotidiano dos filhos. “Apesar do modismo, os jogos podem viciar, daí a responsabilidade dos pais em estabelecer limites”, afirmou.
Como o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê, é responsabilidade da família defender os direitos dos menores, neste caso o acesso à escola.
“Adolescente não tem discernimento entre diversão e vício”
A piscoterapeuta Solange Dantas defende uma postura mais radical dos pais em relação à freqüência dos filhos em lan houses. “O pai tem que saber onde e com quem os filhos estão. Os pais que têm controle sobre isso sabem se os adolescentes estão na aula de judô, estão no clube ou qualquer outro tipo de diversão”, afirmou.
Ela justifica essa postura rígida porque os estudos mostram que os jogos viciam, seja no computador do quarto do adolescente ou na lan house. “O adulto não tem discernimento entre diversão e vício e muito menos as crianças e os adolescentes. O adolescente viciado hoje em lan house pode ser o jovem dependente amanhã dos bingos e outros vícios. O estabelecimento de regras é fundamental na educação”.
Combinar horários que os filhos vão aos estabelecimentos assim como determinar o valor que será gasto nos jogos são algumas dicas importantes. “Se for necessário, os pais devem até suspender o dinheiro da mesada utilizado nos jogos. É dever de os órgãos públicos fiscalizarem o funcionamento destes estabelecimentos em conformidade com a lei, mas é obrigação dos pais impor limites e regras desde a infância”, completou.

Procurado matador que atrai crianças pelo Orkut no PA
A polícia paraense investiga a existência de um matador em série de crianças que estaria usando o Orkut – site de relacionamento da Internet – para atrair as vítimas, estuprá-las e assassiná-las, atirando depois os corpos num mesmo local, as matas da Ceasa, nos arredores de Belém. A morte de R. V. S., 14 anos, na última quinta-feira, alimenta a suspeita policial. Em janeiro deste ano, A. A. N. M., também de 14 anos, foi assassinado praticamente no mesmo local e da mesma forma como R. V. S.
O detalhe que mais chama a atenção dos policiais é que as duas vítimas, estudantes, freqüentavam a mesma escola e uma loja de acesso à Internet no bairro do Guamá, onde residiam. Uma terceira criança está desaparecida há dez dias, levando seus familiares a temer que tenha sido também assassinada.
INDIFERENÇA
Direção do colégio e professores não refletem com alunos sobre as tragédias
Silêncio. Na semana em que o assassinato do adolescente Adriano Augusto Nogueira, de 14 anos, completou três meses – no último dia 11 -, às vésperas do aniversário de quatro meses do desaparecimento do adolescente José Raimundo Oliveira, 15 anos – amanhã, e a uma semana da data em que o assassinato do adolescente Ruan Sacramento Valente fará um mês – no próximo dia 22 -, a escola Ruth Rosita, no bairro do Guamá, resolveu fazer silêncio sobre os casos.
No local, a morte dos adolescentes virou fofoca. Alunos das mesmas idades e com os mesmos perfis fazem piadas, riem do assunto e continuam freqüentando as mesmas casas de jogos eletrônicos e de acesso à internet. Eles não dedicaram nenhum minuto de seu tempo em sala de aula para discutir assuntos como violência contra jovens, relacionamentos intermediados por sites de relacionamento, como o Orkut, ou salas de bate-papo. Além de estudarem na mesma escola, serem amigos de bairro, Ruan e Adriano foram mortos nas mesmas circunstâncias: degolados e jogados seminus e mortos nas matas da Central de Abastecimento do Pará (Ceasa).
Para diretores, professores e demais funcionários da escola Ruth Rosita, o desaparecimento de um e a morte violenta de dois de seus alunos em um intervalo inferior a seis meses não significa momento de tocar em assuntos que estão presentes nas vidas dos jovens, mas que a escola – e muitas vezes, os pais – prefere passar ao largo.
Na última sexta-feira, a reportagem de O LIBERAL esteve na porta da escola e conversou com alguns alunos. Todos confirmaram que nenhum professor, nenhum funcionário tocou oficialmente em qualquer questão que possa estar relacionada aos riscos sofridos pelos adolescentes do Guamá. A escola também não liberou os alunos para participarem das manifestações populares pela morte dos meninos, como a passeata que antecedeu a missa de sétimo dia de Ruan. A mãe de uma aluna disse que a única decisão adotada pela escola após os crimes foi modificar os horários dos alunos, que antes saíam a qualquer momento, quando faltava um professor ou havia prova, o que facilitava as escapadas dos pais para lojas de jogos eletrônicos ou outras atividades. Há uma semana, os alunos têm horários fixos para sair e há notícias da contratação de professores para dimunuir o tempo ocioso entre as atividades.
CULPA
Os pais dos alunos também preferem o silêncio, nesse caso por medo. A mãe da aluna Susana Serrão, de 14 anos, Silvana Santiago, passou a buscar a filha na escola depois dos crimes. ‘Não acho que a escola tenha culpa. Os pais têm que achar um tempo para cuidar de seus filhos’, disse ela, que é empregada doméstica e apanha a filha na escola todos os dias em que não passa do horário no trabalho. ‘Depois de tudo o que aconteceu, tenho dado mais conselhos a ela’, disse a mãe.
Na casa de Ruan Sacramento, a mãe dele, Marly do Socorro Valente, disse esta semana que não se sente culpada pela tragédia que aconteceu com o filho, mas admite que dedicou mais tempo ao trabalho do que ao menino. ‘Não posso me culpar porque senão estarei tirando a culpa de quem fez isso com meu filho, esse é o verdadeiro culpado, mas reflito que poderia ter agido de modo diferente com Ruan’, disse ela. Marly é cabelereira e nos últimos meses passou a morar no bairro da Guanabara. Ruan, que estudava no Guamá, permaneceu no bairro com os avós. O menino ia de 15 em 15 dias à casa da mãe. Marly disse que percebeu que ele estava ficando diferente nos últimos meses. De amigo, que dividia todos os assuntos com a mãe, Ruan passou a ficar mais introspectivo, mais calado e, depois, descobriu-se, passou a mentir para a mãe. Faltava às aulas, não tinha o caderno em ordem – às vezes passava semana com páginas em branco. ‘Ele dizia que os professores davam apostila e não precisava escrever nada no caderno’.
Ainda em 2005, as mudanças de Ruan despertaram em Marly o desejo de verificar como o menino estava na escola. Foi aí que se surpreendeu ao descobrir que Ruan não freqüentava a escola havia dois meses. A mãe diz que nunca foi avisada por ninguém da Ruth Rosita. ‘Eles poderiam ter chamado os pais. Se eu não procurasse, nunca saberia que meu filho estava deixando de freqüentar a escola. As faltas renderam ao menino dois anos de atraso no colégio. ‘Se eu pudesse advinhar, teria tirado meu filho dessa escola e trazido ele para perto de mim. Nunca vou esquecer o que a vice-diretora (da Ruth Rosita) me disse no dia da missa de 7º Dia, que meu filho não foi o primeiro e nem será o último. Acho que não é assim que se deve falar com uma mãe que perde um filho como eu perdi o meu. Tem outras maneiras de tratar um assunto tão grave como esse’, disse a mãe.
Fonte: O LIBERAL de BELÉM/PA e GAZETA DE LIMEIRA


































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vilolencia contra criança é um absurdo!
gostaria de saber mais sobre as leis que proibe crianças em lan houses ok