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Os jovens necessitam de orientação para desfrutar a sexualidade com segurança e de forma saudável. Quanto mais informados, melhor será a vivência dessa sexualidade, sem culpas e com prevenção.

Estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 22% dos adolescentes iniciam a atividade sexual aos 15 anos de idade. A informação consta na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2009, divulgada em dezembro do ano passado. O mesmo estudo apontou que a iniciação sexual precoce está associada ao não uso, ou uso inadequado de preservativos e suas consequências (gravidez precoce, DST/Aids). A precocidade no início das relações sexuais dos adolescentes levanta a seguinte reflexão: Até que ponto pais e professores estão preparados para discutir questões relativas à sexualidade com os filhos e alunos?

Dados da PeNSE 2009 mostram que 30,5% dos estudantes já tiveram relação sexual alguma vez. A porcentagem do sexo masculino foi de 43,7% frente aos 18,7% do sexo feminino (para o conjunto das capitais e o Distrito Federal). Nas escolas públicas foram constatados mais alunos que já iniciaram a sua vida sexual (33,1%) comparados aos das escolas privadas (20,8%). Ratificando as diferenças entre o comportamento sexual de meninos e meninas, a Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DSTs e Aids (PCAP-2008) do Ministério da Saúde, também divulgada em dezembro de 2009, detecta que a vida sexual deles começa mais cedo – 36,9% tiveram relações sexuais antes dos 15 anos. Já entre as meninas, esse índice cai para menos da metade (17%).

Risco de contaminação

Quanto à prevalência de DSTs entre adolescentes não há informações, mas sabe-se que o número de casos notificados está bem abaixo dos números reais. Na esfera social, os baixos níveis escolar e socioeconômico estão associados a essas doenças.

No que diz respeito à infecção pelo HIV, os dados que integram o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgado em novembro de 2009, mostram que a tendência de contaminação de mulheres e pessoas cada vez mais jovens pelo vírus é mundial. Crianças e adolescentes com menos de 15 anos somam 2,1 milhões de infectados. Em 2008, 430 mil pessoas nessa faixa etária foram contaminadas e o número de mortes de crianças e adolescentes em consequência da doença chegou a 280 mil. No Brasil, a grande preocupação do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde são as meninas entre treze e 19 anos.

As adolescentes e jovens brasileiras são mais vulneráveis ao contágio da Aids que os meninos de igual faixa etária. Segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em novembro de 2009, foram registrados mais casos da doença nas meninas entre treze e 19 anos em relação aos meninos, desde 1998. Atualmente, a cada oito meninos infectados existem dez casos de meninas. Antes, a proporção era de dez mulheres para cada grupo de 15 homens.

Uso de Preservativo -

Segundo a PCAP-2008, a população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da Aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos têm conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV.

Entretanto, apesar do elevado conhecimento, depois da primeira relação sexual, o uso da camisinha cai. Passa de 61% para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais. Na avaliação da Assessora Técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, Nara Vieira, os jovens de hoje nasceram na era da Aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual. “O problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles e o relacionamento fica estável, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas”, diz. Para ela é preciso incentivar a negociação do uso do preservativo entre os parceiros. “Muitos adolescentes ainda não estão dialogando de forma correta e nem pensando sobre a prevenção e suas implicações”, afirma.

Para o psicólogo e professor do Projeto Afetivo Sexual, que atende alunos do 6º ano (antiga 5ª série) até o 3º ano no Distrito Federal, Erich Botelho, os jovens precisam entender que o coquetel para a Aids mudou o perfil da doença, mas que a cura ainda não existe.

Pesquisa feito pelo Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NESA/Uerj) para identificar fatores de risco às DSTs na adolescência mostrou que entre as justificativas para o não uso do preservativo estão: esquecimento, custos e desprazer na relação sexual.

Para os pesquisadores um caminho eficaz para inserir o uso do preservativo talvez seja associar a camisinha ao prazer resultante da segurança que ela proporciona. Não usá-la significa correr riscos de engravidar sem querer e/ou sem poder, de ficar doente ou até morrer. Ao mesmo tempo, dizem que não se pode abandonar outras medidas de redução do risco de contaminação por DST/Aids igualmente importantes como: orientações sobre o início da vida sexual, fidelidade mútua, redução do número de parceiros e abandono de práticas sexuais de risco. Erich Botelho acredita que investir na capacitação de jovens formando adolescentes multiplicadores pode ser uma saída eficaz. Boa propaganda e mídia mais formatada por jovens também colaboram.

Prevenção nas Escolas

Os dados da PeNSE 2009 mostram que 87,5% dos estudantes da rede pública e 89,4% da rede privada receberam informações sobre Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Quanto à orientação sobre prevenção de gravidez, 82,1% dos alunos das escolas privadas e 81,1% das públicas, no total das capitais brasileiras e Distrito Federal, receberam informações sobre o tema na escola. A pesquisa revela, ainda, que 71,4% dos estudantes da rede pública e 65,4% da rede privada, tiveram informações sobre a aquisição gratuita de preservativos.

Em 2003, os Ministérios da Saúde e da Educação, em parceria com escritórios das Nações Unidas, implantaram o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, que discute prevenção das DSTs e Aids, saúde sexual e reprodutiva. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar. “O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e a prevenção das DSTs”, pontua Nara.

A técnica ressalta a importância do diagnóstico para HIV (30,4% dos jovens entre 15 e 24 anos já fizeram o teste). “Existe uma grande preocupação em incentivar a procura para o diagnóstico”, diz. Pensando nisso, o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas criou um questionário que é aplicado junto aos adolescentes. Nele o jovem é incentivado a refletir sobre a vulnerabilidade ao HIV e a procurar postos de saúde caso deseje fazer o teste. No Brasil, cerca de 255 mil pessoas desconhecem a sorologia.

Gravidez precoce – Outro ponto importante que envolve a questão da sexualidade na adolescência diz respeito à gravidez. A OMS considera a gravidez precoce um problema médico-social grave e de alto risco para saúde das jovens.

Especialistas advertem que entre os principais riscos estão: a maior incidência de partos prematuros e recém-nascidos de baixo peso e a incidência de doenças venéreas. Além disso, a gravidez na adolescência envolve muito mais que problemas físicos, traz também problemas emocionais e sociais. A grande maioria das meninas não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas fogem de casa. De acordo com a pesquisa “Juventudes Brasileiras”, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a evasão escolar é uma das consequências imediatas da gravidez na adolescência: 25% das garotas que engravidam abandonam a escola.

A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS 1996) – realizada a cada dez anos – já mostrava um dado alarmante: 14% das adolescentes brasileiras já tinham pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas com idade entre dez e 14 anos. Nesse mesmo período, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos.

Sexo em casa e na escola ainda é tabu?

A adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fase final de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo, sobretudo, como elemento determinante da identidade. Nos tempos modernos, o sexo tornou-se um dos assuntos mais discutidos, mesmo assim, muitos pais ainda enfrentam dificuldades para abordar o tema junto aos filhos. Segundo o psicólogo e professor Erich Botelho, a sexualidade representa  muito mais do que o ato sexual. Ela envolve a descoberta do corpo, dos sentidos e está presente desde o ato gestacional. “Todo o aprendizado que a criança tem passa pela descoberta do corpo e isso não pode ser tolhido”, diz. Para a socióloga e Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Juventude, Identidade, Cultura e Cidadania, Mary Garcia Castro, sexualidade é ter prazer em toques, em estar junto, em descobrir o corpo e gostar dele como ele é, mesmo fora de padrões convencionais.

Na hora de tirar as dúvidas sobre sexo e os aspectos envolvidos pela sexualidade, inclusive a gravidez, o jovem precisa conversar com pessoas de confiança, com as quais se sinta à vontade. Pedagogos assinalam que o ideal seria os pais iniciarem essa conversa na infância, o que facilitaria uma nova abordagem do tema na adolescência. Especialistas apontam que essa temática deveria ser tratada, inclusive, em programas de televisão destinados às crianças.

Mas, na prática, não é isso que ocorre. Os pais, muitas vezes, ficam constrangidos e acreditam que falar de sexo com os filhos é algo que pode levá-los a ter relações precocemente. Essa dificuldade em abordar a sexualidade impede que os jovens tenham uma fonte segura para esclarecer suas dúvidas. De acordo com Erich, os pais, por uma série de aspectos, sejam eles, cognitivos, demanda pessoal ou de valores familiares, ainda sentem dificuldade em tratar o assunto. Em sua opinião, quando isso ocorre é dever dos pais procurar ajuda de um profissional da área. “As famílias de hoje estão mais preparadas, a Internet se tornou uma ferramenta à disposição de todos, a literatura está cada vez mais acessível. O que falta a alguns pais é aceitar que têm limitações”, completa.

Para ele, o diálogo deve iniciar em casa e continuar na escola. “Mas é essencial que a família e a escola falem uma linguagem compatível e que o tema seja abordado com naturalidade”, sustenta. Erich aponta a necessidade de incluir, cada vez mais, nas escolas projetos pedagógicos que contemplem essa temática. “Hoje o que se vê é a falta de preparo dos professores, muitos não são orientados quanto à maneira adequada de falar sobre sexo com os alunos. E pior, alguns não têm sequer a formação pedagógica necessária para abordar a sexualidade e o tema fica aquém do ideal”, ressalta. A socióloga concorda. “A sexualidade, como afetividade e gênero deveriam ser matérias das escolas, por oficinas, no aprender juntos”, frisa.

A Assessora Técnica do Departamento de DST/Aids, Nara Vieira, diz que a falta de qualificação dos professores é uma grande discussão. Os professores admitem que não sabem lidar com esse tema. Mas, para ela, a questão não é estar preparado ou não, e sim tratar o assunto sem que o mesmo seja visto como tabu. “O professor precisa trabalhar o tema com fatos pontuais, incorporá-lo ao cotidiano, ampliar a discussão e ações que ele mesmo pode desenvolver, mas com a participação do jovem”, diz. Ela observa que existe inclusive material educativo disponível para professores e profissionais da saúde (promovido pelos Ministérios da Saúde e Educação) e que as secretarias estaduais estão promovendo formação de professores. “O processo é contínuo e o professor tem de estar aberto para discutir o tema”, observa.

Mary Castro, lamenta o fato de pais e professores não estarem preparados para discutir a temática. Os pais, porque não tiveram e comumente não têm uma sexualidade prazerosa, sadia, e são mais preocupados em evitar filho, Aids e ensinar comportamentos de acordo com os padrões morais. As escolas porque lidam com um tema complexo como sexualidade – que navega entre sensualidade, afetividade, curiosidade com transformações do corpo e exercício de poderes de forma convencional – por aulas, ciências e menos pela prática ou cotidianidade. “A sexualidade poderia ser discutida em aulas de história, matemática, geografia; em situações ocorridas no recreio; em família diante de matérias de revista ou em programas de TV. Uma boa análise crítica dos reality shows dão uma ótima pauta sobre sexualidade: eroticismo x pornografia”, exemplifica.

“Os jovens buscam na sexualidade uma sociabilidade, poder e autonomia que se mesclam com adrenalina, aventura, fama. A repressão faz com que a sexualidade não seja vivida. A família, a escola e os pares, com o auxílio da arte educação podem colaborar para isso. Mas não é o que vem acontecendo”, lamenta a socióloga. Em sua opinião, há boa intenção nas políticas públicas do país, como a distribuição de preservativo, os atuais anúncios sobre preconceitos em relação a pessoas portadoras do HIV/Aids e atenção a adolescentes grávidas. “Mas elas têm um raio de alcance reduzido e são muito formais. Já os parâmetros curriculares, são bem formulados, porém não foram bem aceitos pelos professores. Isso mostra que não basta investir na normatividade. Investimento cultural deve ser parte dos pontos de cultura, das escolas e claro do sistema de saúde (médicos e equipes multidisciplinares)”, aponta.

Segundo o psicólogo e professor Erich Botelho, o jovem sem respaldo e sem orientação acaba adotando um comportamento de onipotência. Para ele, o grande desafio é incluir uma política de educação não só falando de gravidez ou DST/Aids, mas que aborde outros assuntos co-relacionados como: afetividade, relações interpessoais, auto-estima, relacionamentos, valores,  uso de drogas, bullying, violência. Além disso, é preciso criar um local onde o jovem possa ser ouvido, um espaço de troca. “Abrir esse debate em casa, na escola e na sociedade é o que o jovem busca”, conclui.

Carnaval – As meninas são o público-alvo da campanha de prevenção à Aids neste Carnaval de 2010. O Ministério da Saúde vai priorizar o grupo de garotas de treze a 19 anos. O motivo é o crescimento, nos últimos anos, de casos da doença em meninas dessa faixa etária. Com veiculação nas emissoras de televisão e rádio, a campanha vai orientar os jovens sobre as formas de contágio da doença e os cuidados para a prevenção, além da distribuição de camisinhas nos sambódromos e blocos de rua.

Fonte : Agência Andi

Casos exitosos em todo o País levam a pais, mães e cuidadores de crianças o conhecimento de que bater não educa, só atrapalha.

Como as crianças se sentem quando são castigadas fisicamente com tapas, puxão de orelha, chineladas e outros meios? O que se passa com elas quando ficam presas em quartos escuros ou são humilhadas? Elas são capazes de entender por que os pais as agridem (mesmo quando dizem bater para educar)? Um estudo realizado pelo Instituto Promundo (organização não governamental brasileira que funciona há doze anos no Rio de Janeiro) ouviu pais e crianças em três comunidades cariocas para compreender melhor como eles veem o fenômeno dos castigos físicos e humilhantes. O trabalho, intitulado Crianças Sujeitos de Direitos, envolveu, ao todo, 65 crianças e adolescentes e 600 pais, mães e cuidadores de crianças. Como parte do mesmo estudo, foram promovidos 45 encontros de sensibilização e uma campanha comunitária com o objetivo de modificar as práticas da educação infantil por parte das famílias e reduzir atitudes e comportamentos de violência intrafamiliar. Além disso, o projeto desenvolvido pelo Instituto pretendia identificar que estratégias teriam sucesso na promoção desses relacionamentos mais harmoniosos e não violentos para a erradicação do castigo físico contra a criança e promoção do desenvolvimento infantil no âmbito familiar.

Raio-X dos Castigos Físicos

Os piores métodos de castigo apontados pelas crianças foram a palmada no braço; ficar de castigo no banheiro; ficar de castigo no quarto; tapa na cabeça; paulada; puxão de orelha e chinelada. A maioria delas admitiu sentir medo, tristeza e raiva quando sujeitadas à punição física ou humilhante. Relatos dos especialistas que participaram do processo apontam que o tema levantou sentimentos muito fortes. Foram constatadas sensações de tristeza, infelicidade, depressão e, principalmente, dor e raiva quando os pais utilizam castigos físicos e humilhantes. Os depoimentos também apontam que as crianças sentem rejeição, menosprezo e marginalização. Elas relataram humilhação e impotência pelo fato de não poderem revidar o que foi sofrido. Meninos e meninas ouvidos na pesquisa também disseram ficar muito ressentidos nos momentos em que sentem que seus pais não os escutam nem levam seus desejos em consideração. Muitos descreveram tentativas desesperadas de tentar se fazer ouvir pelos adultos. Há também uma carência por mais demonstrações de afeto e uma escuta atenta por parte de pai e mãe. A mãe foi a pessoa que apareceu com maior frequência nos depoimentos das crianças como a aplicadora de castigos, principalmente os físicos, seguida dos irmãos e tios. O estudo aponta que isso se deve, provavelmente, ao fato de que elas passam mais tempo com seus filhos do que os demais. Quando as crianças foram indagadas diretamente sobre as alternativas que seus pais poderiam usar para discipliná-las ao invés de utilizarem castigos físicos e humilhantes, a única possibilidade levantada foi que elas não repetissem o comportamento que desagradou seus pais, talvez porque o uso do castigo físico já seja legitimado e internalizado como correto. O castigo físico, quando aplicado por um longo período, não surte mais o efeito desejado pelos adultos, ou seja, o comportamento infantil indesejado segue acontecendo. O que as crianças afirmam é que não lembram o motivo pelo qual foram castigadas.

Ouvindo pais e mães

Os pais e mães ouvidos na pesquisa acreditam que estão batendo para educar, mas se esquecem que estão utilizando a mesma justificativa para conter ou punir a violência das crianças quando estas apresentam comportamento agressivo. Isso foi observado em um grupo de crianças que relatou apanhar após baterem nos seus irmãos. As declarações indicam que os pequenos reproduzem o comportamento violento dos seus pais. A chamada “transmissão geracional da violência” foi uma hipótese bastante considerada, pois algumas crianças, em seus discursos, afirmam que educarão seus filhos com violência, como seus pais. Essa contribuição negativa reforça a ideia de que a violência é um método educacional aceitável e a constante exposição à agressão faz com que os pequenos recorram mais facilmente a ela no trato com as outras pessoas. Durante o trabalho nas três comunidades cariocas (Pedra de Guaratiba, Cantagalo e Cancela Preta), os pais, ao serem indagados sobre em quais momentos a criança merecia apanhar, responderam, em sua maioria (cerca de 80%), a falta de respeito às ordens dos adultos. Cerca de 63% dos entrevistados afirmaram também que “crianças de que não apanham ficam sem limites”.

Mudança de comportamento

As oficinas com pais e cuidadores discutiram temas como direitos infanto-juvenis e relações familiares. Antes e depois das oficinas foram aplicados questionários sobre o conteúdo difundido. A intenção era perceber se durante a troca de experiências foi assimilada a defesa pelo fim dos castigos físicos e tratamento humilhante. Antes do projeto, por exemplo, cerca de 62% dos pais nunca haviam ouvido falar sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O índice de pais que achavam que as crianças têm direito de discordar aumentou de 44% para 55%. E aqueles que afirmavam que crianças que não apanham ficam sem limites caiu para 28%. Na avaliação sobre os impactos das oficinas, o Instituto Promundo aponta que os pais que veem suas crianças como “pessoas com direitos” são menos propensos a usar punição física. Apesar de existirem relatos de crianças que não concordam com os castigos recebidos, a cultura brasileira, com base na escravidão, reforça a dinâmica de que a força pode disciplinar alguém que tenha menos poder e força física ou esteja em condição de dependência. A herança escravocrata é visível no atual discurso infantil, onde os pequenos afirmam que compreendem e justificam a educação violenta que recebem. Essa educação perpetua o ciclo da violência, pois as crianças acabam aprendendo que a violência é um meio justificável para a resolução de seus problemas.  As principais questões levantadas pela pesquisa foram: Como promover uma educação sem violência contra crianças e estimular a sua participação no ambiente familiar? Como medir mudanças de atitudes dos cuidadores em relação às crianças? Quanto tais mudanças reduzem o uso dos castigos físicos e humilhantes contra crianças? Dentre as lições aprendidas foi ressaltado que filho é sim assunto de homem; que castigo físico e humilhante está totalmente naturalizado e incorporado no cotidiano das famílias e há dificuldade em reconhecer tais atos como violência. Foi dito pelos grupos que existe necessidade das cuidadoras terem um espaço de escuta e compartilhamento de sentimentos com os pais sobre o dia-a-dia com os filhos deles; que falta bases de apoio na criação dos filhos. Concordaram que o ciclo da violência no espaço da casa é reproduzido e que é importante ouvir e conhecer experiências positivas de educação dos filhos.

Rede Não Bata, Eduque –

Desde 2005, a Rede Não Bata, Eduque – formada por instituições e pessoas físicas – procura gerar o debate sobre o fim dos castigos físicos e o tratamento humilhante de crianças e adolescentes no Brasil. Para isso, a Rede trabalha na promoção de advocacy político e social do tema, a fim de que a medida se torne lei, ou seja, para que se tornem oficialmente proibidas manifestações defendidas como de caráter “educativo” como palmadas, puxões de orelhas, pancadas e situações humilhantes contra meninos e meninas. Para conseguir seu objetivo, além de um trabalho junto a deputados, senadores e atores sociais, a Rede promove seminários, palestras e atividades em comunidades para despertar o interesse pela discussão e pelo combate a essas práticas.

Experiências exitosas

A Rede Não Bata, Eduque, em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), realizou, em 2008, um concurso com o objetivo de selecionar as melhores iniciativas na prática de educação positiva, baseada no diálogo e em métodos educacionais que não utilizam castigos físicos e humilhantes. Foram 32 instituições inscritas, de norte a sul do país. Destas, quatro foram premiadas. O projeto Brincando com a realidade – Grupo de crianças vítimas de violência doméstica conquistou o primeiro lugar. O programa foi criado em 2007 no Centro Educacional Prefeito Luis Adelar Soldatelli, na cidade de Rio do Sul (SC), pela psicóloga Mariane Steffen e a assistente social Francinês Swib, após perceberem na escola um número significativo de casos de vítimas de violência. Os professores, então, passaram a receber palestras de como identificar a agressão por sinais físicos e comportamentais apresentados pelos alunos. A partir daí, as crianças são acolhidas em grupos que propõem a troca de experiências e a livre expressão de sentimentos, com atividades de relaxamento, músicas, vídeos, conversas e jogos pedagógicos. “Podemos perceber os resultados pela diminuição dos casos reincidentes, a melhoria na relação familiar e a motivação dos alunos para irem aos encontros”, afirma Mariane. A Campanha pelos bons tratos com crianças e adolescentes, promovida pelo Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social, ficou em segundo lugar no concurso. A cada ano, o grupo de Recife (PE), elabora atividades diferentes que chamem atenção para a causa. Já houve panfletagem, distribuição de material informativo e rodas de leitura. Mas a repercussão da campanha veio com a personagem Florisbela Sorriso, heroína de histórias em quadrinhos criada para informar a população sobre a necessidade de combater atitudes de violência e disseminar a cultura de paz. A Secretaria Municipal de Saúde do município de Canoas, Rio Grande do Sul, conseguiu o terceiro lugar com o Serviço especializado no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência (SACAV). Há doze anos, o sistema recebe denúncias de violência de escolas, emergências de hospitais, fóruns e conselhos tutelares. Após o registro das ocorrências, as vítimas têm acompanhamento constante de psicólogas e psiquiatras e os pais são conduzidos a assistentes sociais.  O programa Educar sem violência: prevenção da violência física familiar contra crianças do Instituto Dom Fernando, da Universidade Católica de Goiás, dividiu com o SACAV o terceiro lugar. Nele, são atendidas trinta famílias, com visitas domiciliares realizadas por uma psicóloga e uma estagiária. Elas promovem o diálogo entre pais, mães, avós, tios e tias e estimulam as crianças e adolescentes a falarem sobre o que pensam da educação que recebem. Assim, as pessoas refletem sobre seu modo de agir e procuram estratégias pedagógicas para evitar o uso da violência.

Fonte: Agência Andi

Voltar à rotina de comer bem depois de mais de um mês de férias pode parecer difícil para crianças e adolescentes. Mas para Elaine Occhialini, nutricionista com especialização em nutrição pediátrica pelo Hospital das Clínicas, essa é uma tarefa que desperta interesse dos próprios alunos na volta às aulas. Ela, que supervisiona o que é fornecido pela cantina da Escola da Vila, em São Paulo, diz que fazer com que os alunos participassem da escolha do que era servido nas refeições fez com que o interesse deles pelo assunto aumentasse muito.

 A nutricionista explica que, mais do que controlar os alimentos, o fundamental é ensinar a importância da alimentação equilibrada e como torná-la possível no cotidiano. “Ninguém precisa comer salada o tempo todo. Conseguimos fazer com que alimentos como tapioca de queijo e açaí, por exemplo, pudessem ser vendidos dentro da escola. Eles passam por uma avaliação nutricional e, obedecendo às normas exigidas – como a proibição de gordura trans – podem entrar normalmente”. 

Além do que é vendido dentro da escola, Elaine Occhialini analisa o lanche que é trazido de casa pelas crianças e pelos jovens. “Depois que mostramos como a alimentação saudável pode ser variada, os próprios alunos acabam trazendo lanches mais elaborados e criativos”, conta. 

Para o livre-docente em Nutrologia Pediátrica e conselheiro do Criança e Consumo José Augusto Taddei, é importante que a criança entenda o porquê de fazer escolhas saudáveis na hora da merenda para, a partir daí, começar a achar aquele lanche gostoso e interessante. “Proibir doces ou frituras não adianta. Hoje, a tarefa dos pais é mostrar à criança que o lanche saudável faz a gente se sentir melhor, dá mais energia e pode, sim, ser uma delícia. Dessa maneira ela vai acabar não achando tanta graça nos salgadinhos e refrigerantes”, ensina o pediatra.
Na hora de preparar o lanche de seu filho*: 

• Evite ao máximo os sucos industrializados, que têm muitos conservantes e açúcar em excesso. Prefira os sucos naturais;
• Procure sempre incluir uma fruta como banana, maçã ou pêra, que são mais fáceis de conservar e consumir;
• Não deixe de incluir na lancheira ou na mochila uma opção mais energética, como um sanduíche de pão integral com queijo branco. Evite pão branco;
• Fuja das barras de chocolate, que são extremamente gordurosas e nada saudáveis;
• Para matar a vontade de doce, faça um mix de frutas secas, granola e castanhas.
*Com dicas de José Augusto Taddei.

Fonte:  Projeto Criança e Consumo

As listas de material escolar que têm sido divulgadas por diversos colégios assustam até quem não tem filhos. O problema não é somente o gasto financeiro excessivo, mas sim a falta de consciência sobre meio ambiente. Exigências como 18 lápis pretos por aluno, 500 folhas de papel sulfite e até 800 copinhos descartáveis mostram que as escolas não estão preocupadas em passar para as crianças a importância do consumo consciente. 

Para a ambientalista e presidente do Instituto GEA Ética e Meio Ambiente, Ana Maria Luz, é obrigação de a escola mostrar a crianças e jovens os conceitos de responsabilidade do que se consome no dia a dia. “É preciso repensar a atitude dentro da comunidade escolar, que deve ensinar não apenas a ler e escrever, mas ensinar princípios”, afirma ela. Segundo Ana Maria, hoje tudo é descartável, e a criança acaba achando que não existe uma maneira melhor de usar com moderação os recursos do nosso planeta. “Uma solução fácil para evitar o desperdício é, ao invés de pedir os 800 copos descartáveis, cada aluno ter a sua caneca ou a sua garrafinha, por exemplo”, explica Ana. 

Uma atitude adotada por poucas escolas hoje, mas que deveria ter mais incentivo é o reaproveitamento de livros de anos anteriores. Essa é uma maneira de estimular os alunos a cuidarem mais do seu material didático, já que colegas irão utilizá-lo nos anos seguintes, além de mostrar que não é necessário trocar de caderno, mochila, estojo a cada seis meses. 

Segundo Ana Maria, as crianças precisam aprender que certos bens não são descartáveis – e que isso deve começar dentro da sala de aula, com atitudes e atividades pedagógicas nesse sentido. “É função da escola dar o bom exemplo. O professor que bebe água e joga fora diversos copinhos plásticos por dia não ajuda a criança a entender o mal que isso faz ao planeta e à sociedade”.

Fonte: Projeto Criança e Consumo

Ainda continua sem solução o caso dos cinco jovens, entre 13 e 17 anos, que desaparecem, há quatro semanas, de suas casas no bairro Parque Estrela D’Alva, em Luziânia, mas o mistério começa a ser desvendado pela polícia.

Foi o que informou, ontem, o delegado Rosivaldo Linhares, ao acrescentar já ter o retrato falado de dois suspeitos. Também ontem, moradores daquela cidade, a 48 km do Distrito Federal, se juntaram aos parentes dos adolescentes em uma passeata pelas ruas locais em que pediam justiça

Para Linhares, a hipótese mais viável para os crimes é a de que os menores teriam sido sequestrados e estão sendo submetidos a trabalho escravo, mesmo assim ele não descarta outras linhas de investigação, mas já sabe que as vítimas não tinham passagem pela polícia e nem estava envolvidas com drogas.

“Além disso, não acredito em homicídio em série, pois até agora não encontramos nenhum corpo e nem em sequestro para extorsão, por causa das condições financeiras das famílias das vítimas. Por isto, além do trabalho escravo, estamos investigando tráfico de órgãos, pedofilia, rituais satânicos ou até mesmo fuga de casa após  briga com os pais”.

O policial disse, ainda, que pela investigação que vem sendo realizado naquela delegacia “chegamos a um casal na faixa dos 30 anos de idade que pode estar envolvido com o desaparecimento”. Ainda segundo ele, uma testemunha teria visto um dos jovens na cidade de Barreiras, a 650 km de Luziânia, onde estaria sendo obrigado a trabalhar para pagar uma dívida.

“Vamos divulgar, na próxima semana, os retratos falados dos suspeitos e tenho certeza de que, em breve, este caso estará solucionado. Gostaria de frisar, ainda,  que não há motivos para os moradores da nossa cidade temerem novos desaparecimentos de jovens na região. Teve um momento de pânico, mas agora as coisas estão voltando ao normal e estamos atentos”.

Oito policiais de Luziânia investigam o caso, assim como agentes do Serviço Secreto da Polícia Civil. O gabinete de Gestão Integrada do Entorno, composto por representantes das secretarias de segurança do DF, Goiás e Minas Gerais, também está auxiliando nas buscas.

Quem tiver informações sobre os desaparecidos, pode ligar para o 1º Centro Integrado de Operações de Segurança (1º Ciops) de Luziânia, pelo telefone (61) 3620 2416, ou para o SOS Criança (100).

O caso

A hipótese de fuga de casa após desentendimento com a família tem sido comum nos casos de desaparecimentos de menores como informou em e-mail enviado, ontem, ao Coletivo, Sabrina Déde.

Segundo Sabrina,  seu filho, Gabriel Fírveda Degaut Pontes, de 12 anos, desapareceu no último dia 15 da casa da família no Condomínio RK, em Sobradinho. Ela disse, ainda, que a última vez que viu o filho Gabriel foi por volta das 22h “quando eu e meu marido o mandamos dormir. No dia seguinte, iríamos à escola buscar o boletim de nossos filhos  quando o mais novo ligou dizendo que o irmão não estava em casa. Desde então procuramos desesperadamente pelo Gabriel”.

No e-mail, Sabrina fez um apelo: “Por favor, se alguém tiver visto meu filho, tiver alguma notícia que possa  nos ajudar a encontrá-lo, ligue imediatamente para a polícia ou para nós pelos telefones  (61) 8115-9116  ou 9654-0234”.

Gabriel  é branco, tem cabelo loiro, olhos verdes, 1m 62 cm de altura, 57 kg, um sinal embaixo da boca, do lado esquerdo, e outros sinais pelas bochechas e pescoço

Em Luziânia, o primeiro a desaparecer foi o estudante Diego Alves Rodrigues, 13 anos. Ele saiu de casa, acompanhado de um amigo, e os dois foram até uma oficina de carros, mas não apareceu em casa à noite.

No dia 4, o estudante Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, 16 anos, sumiu depois que saiu de casa para pagar uma conta em uma loteria. Seis dias depois, foi a vez de George Rabelo dos Santos, 17 anos, sumir.

O quarto jovem a desaparecer foi Divino Luiz Lopes da Silva, 16 anos, e o último   Flávio Augusto Fernandes dos Santos, 14 anos, que saiu de casa dizendo que iria em uma loja de bicicletas, onde permaneceu por uma hora e não foi mais visto.

Os dados mais recentes divulgados no site da Secretaria Especial dos Direitos Humanos indicam que, no país, há 1.247 crianças e adolescentes desaparecidos. Entre 10% e 15% dos casos permanecem sem solução por longo período e, às vezes, jamais são resolvidos.

FONTE: MAIS COMUNIDADE

Famílias estrangeiras que desejam adotar crianças haitianas não poderão deixar o país com elas sem documentos assinados pelo primeiro-ministro do Haiti e pelas Nações Unidas, afirmou neste sábado um representante da ONU em Porto Príncipe.

Desde o terremoto do dia 12 de janeiro, casais estrangeiros na fila para adotar crianças haitianas fazem pressão para que os trâmites dos processos sejam agilizados, numa tentativa de tirar os órfãos da devastada Porto Príncipe o mais rápido possível.

Organismos de proteção da infância, no entanto, pedem cautela, temendo a ação de quadrilhas de tráfico de crianças.

“Posso confirmar que há casos de tráfico de crianças e de crianças que desaparecem”, afirmou neste sábado Jacques Boyer, diretor adjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Juventude (Unicef), que está na sede da entidade em Porto Príncipe.

“Não posso confirmar números. Há casos de crianças levadas dos hospitais sem os documentos assinados”, acrescentou.

Na sexta-feira, Jean-Luc Legrand, conselheiro regional da Unicef, denunciou que 15 crianças haviam desaparecido de um hospital depois do terremoto, e alertou para a atuação de redes de tráfico ligadas ao “mercado da adoção” após catástrofes como a de Porto Príncipe.

“Todos as crianças que deixarem o país precisam ter os papéis da adoção assinados pelo primeiro-ministro”, declarou Jacqes Boyer, destacando que as adoções também precisam ser aprovadas pela Unicef.

Vários países já tomaram medidas para acelerar os trâmites da adoção de crianças haitianas. Dezenas delas chegarão este fim de semana ao Canadá, e 33 chegaram na sexta-feira à França, onde foram recebidas pela primeira-dama Carla Bruni-Sarkozy.

Em Paris, cerca de 300 pessoas se manifestaram em frente ao prédio do Ministério do Exterior neste sábado, para pedir que crianças haitianas com processo de adoção em andamento sejam trazidas à França o quanto antes.

FONTE: AFP

Hoje, falar de email é ultrapassado – a moda é tuitar ou enviar SMS e MMS pelo celular. Mas o envio de textos via mobile ganhou um derivado preocupante: “o sexting” (mistura de “sex” com “texting”), troca de fotos com sugestão sensual ou até mesmo em poses nuas, principalmente entre adolescentes. A prática é tão disseminada, especialmente nos EUA, que o Pew Internet & American Life Project concluiu recentemente uma pesquisa sobre o tema. Foram entrevistados mais de 800 adolescentes entre 12 e 17 anos, e 800 pais.

Baseados nas amostras, os pesquisadores descobriram que pelo menos 15% dos adolescentes de ambos os sexos admitem já ter recebido pelo celular uma imagem com sugestão erótica de alguém que conhecem. Em compensação, apenas 4% admitem ter enviado esse tipo de mensagem. As situações típicas em que ocorre o envio das fotos sensuais se dividem em três tipos: 1) troca entre namorados ou adolescentes com relacionamentos afins; 2) troca entre adolescentes que não estão envolvidos, mas em que uma parte tem interesse na outra; e 3) envio das imagens trocadas com o namorado(a) para terceiros.

Disseminação dos celulares facilita prática

Os adolescentes mais velhos mandam e recebem mais imagens sensuais: 8% daqueles com 17 anos já enviaram pelo menos uma, e 30% receberam. Os que pagam suas próprias contas de celular também enviam mais sextings – 17%, contra 3% dos que têm as despesas pagas pelos pais ou as dividem com eles.

Facilita o fenômeno o fato de que o uso do celular está mais do que disseminado entre os jovens do mundo todo. Somente na terra do Tio Sam, 83% dos adolescentes com 17 anos têm celular (há seis anos, 64% deles tinham). Também na faixa de 12 anos o uso do telefone móvel subiu assustadoramente: de 18% em 2004 para 58% atualmente.

O envio do sexting veio do próprio SMS, do qual já fazem uso 66% dos jovens. Inicialmente, a troca de imagens sugestivas se dá entre namorados ou adolescentes em algum tipo de relacionamento.

- Eu envio e recebo esse tipo de imagem – confessou um adolescente do ensino fundamental. – Mas só com minha namorada, até porque nossa relação já é sexualmente ativa. Não é nada demais.

Um garoto do 9 ano concorda.

- Fiz sexting algumas vezes, sim, mas só com minha namorada. Ela manda fotos dela para mim e eu mando as minhas para ela.

Uma jovem do nono ano também admitiu usar o sexting.

- Eu mandei imagens para o meu namorado – afirmou. – Todo mundo faz isso.

Sexting é usado como primeiro contato para vencer timidez

Outra adolescente diz que às vezes a troca de imagens acontece mais cedo, entre meninos e meninas que têm medo ou vergonha de se aproximar de quem gostam, daí o uso inicial de fotos.

Entretanto, quando essas imagens sugestivas ou provocantes começam a circular, pode-se perder o controle sobre elas. Podem ser encaminhadas a outras pessoas – e aí mora o perigo.

- Por exemplo, há a história dessa garota que enviava fotos em sexting para o namorado – conta um adolescente. – Mas eles terminaram, e ele mandou as fotos para um amigo, que por sua vez as encaminhou para, tipo, todo mundo na escola. A garota acabou expulsa da escola onde estudava, que era católica. Isso praticamente acabou com sua vida no ensino fundamental.

Outro estudante conta que já recebeu sextings de várias namoradas de amigos (eles mesmos mandaram).

- Essas fotos das garotas acabam enviadas para mais de dez caras diferentes – conta uma adolescente.

- Esse tipo de coisa acontece bastante… – diz outra. – Às vezes as pessoas brigam com seus “ex” e mandam as fotos para os outros como chantagem.

Segundo uma adolescente perto dos 17, “se um garoto quer ficar contigo, ele manda uma foto de suas partes íntimas, ou uma foto dele nu.” Muitos acham a prática normal, porque dizem receber imagens sugestivas o tempo todo. Mas o sexting está longe de ser uma unanimidade.

- Isso é comum para garotas com reputação de piranhas – diz um jovem. – Elas fazem isso para chamar a atenção.

Algumas jovens acham a prática vulgar

Uma garota no ensino médio concordou. Para ela, o sexting é uma burrice, especialmente para as meninas. “Elas estão se desrespeitando. Como podem enviar fotos nuas a um garoto?”

- Eu gosto de garotas que tenham classe, por isso não gosto mais de sexts – disse à pesquisa um estudante. – Elas ficam parecendo piranhas. Não é tão ruim se é uma foto de topless, mas uma foto nua é algo bem mais sério.

A grande maioria, no entanto, diz nunca ter enviado ou recebido imagens desse tipo.

A questão do reenvio tem causado muita polêmica nos Estados Unidos. Vários estados, com suas jurisdições diferentes, estão processando adolescentes por sexting, mas usando leis mais pesadas, que caberiam em casos de pedofilia, pornografia e atentado ao pudor. Um jovem de 18 anos na Flórida foi punido com sua inclusão na lista de criminosos sexuais do estado depois que enviou a familiares da namorada de 16 anos uma foto de sexting que ela lhe mandara, em seguida a uma discussão do casal. Um promotor da Pensilvânia ameaçou processar 17 adolescentes que apareciam em poses provocantes em fotos de sexting, mas dois pais processaram o estado de volta, alegando que as imagens não constituíam pornografia, nem tinham sido distribuídas com o consentimento das jovens.

No Brasil, também já há casos de sexting. Um aconteceu no ano passado numa escola da zona Norte de São Paulo, quando um vídeo de duas adolescentes dançando de calcinha e sutiã junto com um homem nu (cujo rosto não aparecia no quadro) foi enviado para vários celulares. Já o namorado de Y., de 17 anos então, fotografou uma relação sexual dos dois e, depois que o namoro acabou, vingou-se mandando a foto para todos os seus contatos no celular.

O consultor de segurança Alexandre Freire já precisou intervir num grave caso de sexting. Um pai o procurou porque estava estranhando o comportamento da filha de 15 anos, que passava muito tempo na internet e andava arredia e um tanto agressiva em casa.

- O pai achava que ela estava tendo um relacionamento online e me pediu que monitorasse seu computador – conta Alexandre. – Assim, enviei a ele os softwares indicados para esse tipo de coisa, que descobriram que a menina estava enviando imagens sensuais para um homem de 50 anos, na verdade um pedófilo, que ficava em Porto Alegre. Ela também tirava a roupa para o homem diante de sua webcam, e ele muito provavelmente gravou essas imagens. Os dois já estavam marcando um encontro ao vivo, mas os pais conseguiram evitar que acontecesse. O que não conseguiram foi evitar a exposição da menina na internet.

Sexting já gerou processos na Justiça

Uma olhada nos celulares das meninas mais vaidosas mostra que elas gostam de se produzir antes de aplicar uma foto sua como papel de parede. Caso da filha do músico M, que parece ter o dobro da idade na home do seu smartphone. Não é diferente nas redes sociais.

- Isso sem falar que hoje as meninas chegam da praia e postam por aí um monte de fotos delas e das amigas de biquíni, o que é um prato cheio para os pedófilos – alerta Freire. – Os pais precisam acompanhar muito de perto a vida online/mobile dos adolescentes, e mesmo invadir sua privacidade para protegê-los. Privacidade, só depois dos 18 anos, e 18 anos muito bem orientados.

A prática do sexting já gerou processos que tramitaram pela Vara da Infância da Juventude do Rio. Num deles, dois jovens foram acusados de postar no Orkut fotos de uma adolescente praticando relações sexuais. Entretanto, durante o processo descobriu-se que foi a própria jovem que postou as fotos eróticas. Noutro caso, uma adolescente, estudante do ensino fundamental, mandou fotos suas em poses sensuais para o ex-namorado.

- A namorada atual, ao descobrir as imagens, encaminhou-as para um monte de gente – conta uma fonte que acompanhou o caso.

Orientadores pedagógicos de pelo menos duas conhecidas escolas do Grande Rio, ouvidos por DIGITAL, afirmam ainda não ter lidado com nenhum caso de sexting, mas conhecem outros exemplos.

- Em Minas, dois jovens embebedaram uma adolescente e depois tiveram relações com ela, registrando tudo no celular e postando depois – lembra um deles.

Caso semelhante aconteceu no Rio, em que jovens fizeram sexo com uma adolescente, filmaram e depois puseram o vídeo na rede.

O sexting fez pelo menos uma vítima fatal, nos EUA. Jessica Logan, uma adolescente de 17 anos, enviou fotos nuas ao namorado em 2008; depois que o relacionamento terminou, ele mandou as fotos para duas outras garotas, que passaram a perseguir Jessica, num caso clássico de cyberbullying. Ela acabou se enforcando em seu quarto.

O Facebook tem várias páginas e grupos sobre sexting”. Numa delas, com mais de 300 fãs, fala-se de fotos do tipo (em inglês). “Tenho aqui duas fotos de garotas com seios de fora usando fio dental”, diz um post. “Sexts ‘alcoolizados’, tarde da noite, são os melhores”, diz outro. Há até um grupo chamado Legalize Sexting, que defende a adequação das leis à prática. Outros grupos alertam para os perigos do envio de fotos pelo celular. Buscas na internet (no Google, por exemplo) também levam a vídeos de sext.

A SaferNet Brasil, entidade que batalha pela segurança na web, tem dicas para evitar as armadilhas do sexting – por exemplo, o adolescente jamais deve se deixar levar por qualquer pressão para fazer uma foto sensual. Os pais também são alvos das dicas, que recomendam o diálogo com os filhos para saber a quantas andam suas vidas online. Veja neste link .

Fonte: O GLOBO

GENEBRA — O Comitê dos Direitos da Criança da ONU advertiu sobre os sequestros encobertos pela adoção no Haiti, e manifestou preocupação “com as milhares de crianças separadas de suas famílias”, em um comunicado publicado em Genebra.

“Alarmado pelas recentes informações que dão conta de saques e violências”, o Comitê reclamou “medidas eficazes para proteger as crianças contra todas as formas de violência e exploração, incluindo a violência sexual e os sequestros encobertos pela adoção”.

“Um número importante de crianças foram feridas e necessitam de atendimento médico urgente”, assinalou o comunicado do Comitê dos Direitos da Criança, atualmente reunido em Genebra.

Durante a distribuição de alimentos, é preciso “garantir que a alimentação chegue aos mais necessitados e não apenas aos que estão em melhores condições para recebê-la, isto é, os adultos”, insistiu o comitê.

Países como Estados Unidos, Holanda e França disseram que temem pela vida das crianças em processo de adoção.

A Holanda, que domingo repatriou seis crianças haitianas já adotadas, enviou nesta segunda-feira um avião para buscar outras 109 em processo de adoção por famílias holandesas.

Os Estados Unidos também começaram a acelerar os procedimentos e, na França, um grupo de famílias apresentou uma solicitação com mais de 12.000 assinaturas para exigir a repatriação urgente dos meninos e meninas.

Embaixada da República do Haiti – Brasília – DF

  • Endereço: SHIS QI 10, conj. 6, casa 16
  • Cidade: Brasília
  • Estado: Distrito Federal
  • Pais: Brasil
  • CEP: 70465-900
  • Telefone: (0xx61) 3248-1337 e 3248-6860
  • Fax: (0xx61) 3248-7472
  • Email: embhaiti@terra.com.br

Expediente(s): segunda a sexta-feira – 09:00 – 16:00 hs

Fonte: e-Band

Pais e jovens devem avaliar as necessidades, os riscos e os resultados possíveis da cirurgia plástica na adolescência.

Ter o corpo dos modelos, atores e celebridades do momento é o sonho de muita de gente, principalmente entre os adolescentes. Preocupados com a aparência, cada vez mais jovens buscam a cirurgia plástica como solução para os seus problemas. No entanto, nem sempre a cirurgia é
indicada nessa faixa etária. Antes de qualquer decisão, o adolescente e sua família devem estar cientes dos riscos da operação e das possibilidades reais dos resultados.

Segundo última pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, quase 15% das operações estéticas realizadas no Brasil foram feitas em adolescentes entre 14 e 18 anos. As cirurgias preferidas pelos jovens são de nariz, redução de mamas, próteses de silicone, lipoaspiração e correção de orelhas de abano. Perto das férias escolares aumenta a procura nos consultórios. “Os jovens aproveitam essa época para fazer a cirurgia e se recuperar com mais tranquilidade antes de voltar às aulas”, observa o cirurgião plástico Lecy Marcondes Cabral, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Insatisfeitos com as mudanças ocorridas no corpo durante a fase de crescimento, alguns jovens chegam a evitar o convívio social e se tornam infelizes. Ao perceberem esse comportamento, os pais se comovem e buscam solucionar o problema para que seus filhos tenham uma vida normal. Os resultados da cirurgia plástica podem melhorar a postura dos adolescentes, deixá-los mais extrovertidos e, assim, contribuir para o seu desenvolvimento psicossocial. Mas os especialistas alertam
que a cirurgia só deve ser escolhida se nenhum outro tratamento puder resolver a questão estética do paciente.

Com mais de 20 anos de experiência em cirurgia plástica, Lecy diz que é preciso ter muito cuidado com os modismos: “Existem casos de adolescentes que há alguns anos fizeram a cirurgia de redução de mamas e hoje estão colocando silicone, porque os seios fartos agora estão na moda”.

Em primeiro lugar, é necessário avaliar as expectativas do paciente, o desenvolvimento do seu corpo, sua maturidade psicológica. A idade mínima para a cirurgia plástica varia de acordo com o que se deseja corrigir e a indicação cirúrgica. Por exemplo, orelha de abano pode ser indicada a partir da idade pré-escolar. “Neste caso a indicação vem dos pais, pois a criança não manifesta incômodo por tê-las”, diz o médico. No caso da cirurgia de nariz, se o paciente tem mais de 15 anos e apresenta desvio de septo (obstrução nasal) e isso afeta sua respiração, então há uma indicação e poderá se associar à cirurgia plástica estética. Se não houver incômodo pela parte funcional, pode-se esperar até 18 anos. Segundo Lecy, tanto a lipoaspiração como o implante de silicone, na maioria dos casos, só devem ser realizados quando o adolescente se encontrar numa fase mais amadurecida e com
idade superior a 21 anos.

Muitas vezes os cirurgiões recomendam a adoção de hábitos mais saudáveis ou até uma orientação psicológica, antes de concordarem em realizar o procedimento. “Já atendemos pacientes instáveis
emocionalmente, muito inseguros ou que fantasiavam a respeito do resultado a ser obtido. Esses devem ser evitados e encaminhados ao psicólogo. Também existem aqueles que desejam realizar uma
lipoaspiração por um pequeno acúmulo de gordura localizada, que pode ser eliminada com dieta e exercícios físicos. Em resumo: quando o resultado a ser alcançado é pequeno em detrimento do risco cirúrgico, a cirurgia não deve ser indicada”, afirma.

E como os pais devem agir quando o jovem manifesta o desejo de fazer uma cirurgia? “Os pais precisam avaliar o porquê dessa necessidade do adolescente, se é por vontade própria ou porque estão estimulados pela mídia ou por colegas; se realmente é uma necessidade para a autoestima
do seu filho ou se é uma vontade passageira”, aconselha o médico.

Nessa fase, as expectativas podem ser muito maiores que os resultados, por isso, é fundamental confiar no médico e garantir o mínimo de segurança durante e após a cirurgia. Para saber se seu médico possui a especialidade na área de cirurgia plástica, recomenda Lecy, você deve consultar o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br), ter a indicação de um amigo ou amiga que já tenha feito a mesma cirurgia com ele e, durante a consulta, sentir a confiança necessária no profissional.

Fonte: DNA Mulher

Criadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns criou método simples que salvou milhões de vidas e foi indicada ao Nobel da Paz três vezes.

Às vésperas de lançar a Pastoral da Criança, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann chamou os cinco filhos para explicar por que teria de ficar acordada até tarde. “Vou tomar um café e fazer o plano que vai salvar milhões de crianças no mundo”, disse ela, que cumpriu à risca o prometido. A médica tinha em mãos uma receita simples, mas infalível: ensinar as mães a cuidar dos filhos. Esta é a verdadeira lição de vida e legado que Zilda Arns deixa para o mundo.

“A Pastoral só faz coisas simples e fáceis de serem replicadas em grande escala”, resumiu a coordenadora, ao explicar o motivo de tanto sucesso da iniciativa que se espalhou por todos os estados brasileiros e 27 países. Zilda criou um verdadeiro exército, com mais de 150 mil voluntários, atuando em 40 mil comunidades. Segundo o Ministério da Saúde, a parceria com a entidade beneficiou 1,9 milhão de gestantes e crianças menores de seis anos, em 4.063 municípios brasileiros, nos últimos dois anos. A taxa de mortalidade caiu de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 19,3 mortes, em 2007 — 59,7% a menos.

A simplicidade das soluções que Zilda Arns criou para salvar vidas tornou-se uma marca da Pastoral. Como reforço alimentar para famílias em situação de subnutrição, a médica sugeria a farinha multimistura, rica em nutrientes, composta por farelos de trigo ou de arroz, pó de folhas verdes-escuras, pó de sementes e de casca de ovo. Outra medida simples foi lançar a campanha ‘Dormir de Barriga para Cima é Mais Seguro’, mostrando a maneira correta para os bebês deitarem.

A perda de Zilda Arns comoveu o Brasil. “A atuação desta grande mulher e grande sanitarista brasileira foi essencial para elevar a criança a uma condição prioritária dentro das políticas públicas brasileiras”, destacou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Irmão da médica, o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, lamentou em nota. “Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na Terra lutaram pelas crianças e os desamparados. A Zilda está no coração de Deus. Não é hora de perder a esperança”, disse o religioso, que ajudou a criar a Pastoral.

A Pastoral nasceu em 1983 em Florestópolis (SC), a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Ela iniciou o projeto em comunidade de boias-frias. Ali, morriam 127 crianças para cada mil nascidos. Em 1 ano, a Pastoral reduziu o índice para 28. A missão passou a ser reverter a alta taxa de mortalidade.

A médica nasceu em 25 de agosto de 1934 em Forquilhinha (SC). Atuou na Pediatria do Hospital Cezar Pernetta, em Curitiba, e chegou a diretora de Saúde Materno-Infantil, no Paraná. Zilda se especializou em Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo, e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde. Fez também um treinamento na John Hopkins University, nos Estados Unidos.

Com a experiência, Zilda coordenou em 1980 a campanha de vacinação Sabin para enfrentar a primeira epidemia de poliomielite, no Paraná. O método criado por ela passou a ser adotado pelo Ministério da Saúde.

Viúva desde 1978, Zilda residia em Curitiba. Além de 10 netos, tinha quatro filhos: Rubens, Nelson, Heloísa e Rogério. Em 2003, ela perdeu a filha Sílvia em acidente de carro. O trabalho rendeu muitos prêmios e visibilidade para a Pastoral. Entre 1988 e 2002, foram 19 premiações, entre as quais o Prêmio Internacional da Organização Pan-americana de Saúde, em Administração Sanitária, em 1994, e o título de Heroína da Saúde Pública das Américas, em 2002. Ao Nobel da Paz foram três indicações.

Zilda costumava destacar a participação do voluntariado. Mesmo em época que a atividade era rara, arregimentou milhares. “O voluntariado está dentro da gente. Falta ser despertado”, disse. Naquela noite em que traçou as bases da Pastoral, ela começou com uma pergunta: “Qual é a estratégia para chegar ao coração das mães?” Zilda conseguiu chegar aos corações de todos nós.

251 comunidades cariocas de luto

Pelo menos 251 comunidades do Rio amanheceram de luto, ontem, com a morte da ‘doutora Zilda’. Sua Pastoral da Criança, que atende a mais de 13 mil menores de 0 a 6 anos só na capital do estado, mudou a vida de muitas mães e crianças, algumas condenadas à morte por desnutrição nas favelas cariocas.

No Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, uma mulher que salvou o filho graças à famosa mistura nutritiva da pastoral hoje é líder do projeto na comunidade e inspira dezenas de outras mães no cuidado com suas crianças desde a gravidez. “Eu tenho um filho especial e precisava de ajuda, pois ele estava muito abaixo do peso. A pastoral o salvou, sem pedir nada em troca. A doutora Zilda era o tipo de pessoa única, como Mahatma Gandhi e irmã Dulce, que nunca mais vai existir outra igual. Numa época onde ninguém quer trabalhar em comunidades sem algum interesse, ela lembrou que as crianças da favela são apenas crianças como quaisquer outras”, diz Tânia Ferreira, 30 anos, nove deles como líder da pastoral na comunidade.

Aos 17 anos, com uma filha de 7 meses, Tamara da Conceição Melo nunca ouvira falar de Zilda Arns, mas foi só saber da morte da mulher que criou a pastoral para cair em prantos. “A pastoral mudou minha vida. Nem consigo explicar o quanto essa perda significa para mim, apesar de não conhecê-la, estou rezando por ela. Só eu sei como o trabalho das meninas da pastoral é importante para minha filha”, diz.

“Ela acaba de entregar a sua vida em resgate dos seus irmãos”

“A doutora Zilda Arns aprofundou-se em saúde pública, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência (…). Ela acaba de entregar a sua própria vida em resgate e favor dos seus irmãos e pela causa do Evangelho. Fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, sempre será lembrada como exemplo (…). O bem que as pastorais da Criança e da Pessoa Idosa estão fazendo às pessoas é inestimável. Tanto para (…) diminuir a mortalidade infantil, quanto para cuidar do idoso com mais qualidade de vida”. DOM ORANI JOÃO TEMPESTA, Arcebispo do Rio.

FONTE: O DIA ONLINE

Como ajudar a Pastoral da Criança

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