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Solidão e falta de ter com quem conversar são hoje os principais problemas de crianças e adolescentes que ligam para o serviço 123! Alô.  Criado em 2009, o telefone gratuito 0800 0 123 123 recebe cerca de 300 ligações por mês, principalmente, de casos de violência em casa e na escola. O atendimento anônimo é realizado por assistentes sociais e psicólogas no Rio de Janeiro, mas pessoas de outros locais do país podem fazer a denúncia pelo chat do site ou por e-mail.

A procura maior é de adolescentes de 13 a 15 anos com muita dificuldade para expressar os seus sentimentos para familiares, professores ou colegas, porque não recebem a atenção daqueles que deveriam cuidar de sua educação. Eles reclamam muito de não terem ninguém que os escute.

Alguns casos são encaminhados para o atendimento psicoterápico próximo do local de residência. Quando se trata de abuso sexual, crianças e adolescentes são orientados a identificar-se para que a denúncia seja encaminhada para o Conselho Tutelar ou órgão competente do Sistema de Garantia de Direitos.

O Alô 123! incentiva que o jovem expresse suas emoções e dúvidas. O serviço foi adaptado no Brasil, seguindo o modelo do atendimento telefônico da rede Child Helpline Internacional, presente em mais de 150 países no mundo, fundada pela indiana Jeroo Billimoria. Quando trabalhava no Instituto de Ciências Sociais em Mumbai, ela recebia muitas chamadas de crianças de rua pedindo ajuda e mobilizada em responder a urgência destes telefonemas, a empreendedora social criou o serviço telefônico que atende 24 horas por dia, aliado a uma extensa rede de apoio e intervenção.

Fonte: ChildHood Brasil

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças.

Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”

Incentivar e apoiar as atitudes de uma criança parece um caminho 100% seguro para garantir autoestima em alta. O problema é que o exagero pode levar a um efeito exatamente contrário. “Até os anos 70 não havia uma preocupação nítida com essa questão da autoestima dos filhos. Quando se começa a falar mais sobre isso, vem o exagero. Os pais começaram a elogiar qualquer coisa, mesmo que banal”, afirma Tania Zagury, mestre em educação e autora do livro “Filhos: manual de instruções” (Editora Record).

Tania ressalta que encorajar e parabenizar um filho deve fazer parte da rotina da família, desde que os pais percebam que as crianças realmente se esforçaram para atingir o objetivo. “Elogios excessivos e falta de encorajamento são dois extremos perigosos. O ideal é cada família encontrar o seu equilíbrio”.

“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”

De acordo com os autores do livro, pesquisas apontam que uma hora a menos de sono por dia pode significar problemas como comprometimento da capacidade intelectual, do bem-estar emocional, déficit de atenção e obesidade. Apesar de não haver ainda um consenso estabelecido pelos estudiosos, muitos defendem a ideia de danos causados pela diminuição de horas de sono para crianças e adolescentes.

“Os pais trabalham fora e acabam chegando tarde. Para compensar essa ausência permitem que seus filhos fiquem acordados até mais tarde em sua companhia. Mas isso pode ter um efeito ruim”, aponta Tania. O psicólogo clínico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Quirino concorda: “um sono ruim pode gerar alterações afetivas, cognitivas e sociais. O sono é fundamental para uma boa saúde”.

“Ensino a meu filho que somos todos iguais”

Qual a forma ideal de falar sobre diversidade racial com as crianças? Muitos pais acreditam que expor a criança a um ambiente multirracial, sem necessariamente apontar diferenças físicas como a cor da pele, seria o suficiente para desencorajar o preconceito e fazer com que o filho encare tudo com naturalidade. Para Po Bronson e Ashley Merryman, ficar apenas no discurso de “somos todos iguais” não é o caminho ideal. Os autores do livro defendem a abordagem mais clara do tema com diálogos exatamente sobre essas diferenças físicas e por que elas não devem ser motivo de discriminação. “O discurso de que somos todos iguais é mesmo muito superficial porque simplesmente não somos iguais. Pelo menos não fisicamente”, diz Marcelo.

Psicóloga e terapeuta familiar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marina Vasconcellos acredita que o importante é ensinar a respeitar as diferenças. “Dizer que somos todos iguais acaba sendo uma mentira mesmo. Outra abordagem é necessária”.

“A criança enxerga diferenças físicas. É uma questão visual. Precisamos ensinar que essas diferenças existem e nem por isso um é melhor do que o outro. A questão do preconceito deve ser trabalhada desde cedo com mais profundidade”, afirma Tania.

“Não discuto com meu filho adolescente”

Fase de bastante atrito, a adolescência é motivo de pavor para muitos pais. Alguns se sentem afrontados e outros desrespeitados diante de tantas discussões e confrontos. Mas será que os filhos também enxergam as discussões como uma forma de desrespeitar seus pais? “Tudo depende de como essa discussão acontece. Vozes exaltadas e xingamentos, por exemplo, não fazem parte de uma discussão saudável. Mas se é uma conversa respeitosa, é muito positivo para a família”, conta Marina.

Para fugir de tantos conflitos, muitos pais acabam sendo condescendentes com atitudes erradas dos filhos, como dirigir um carro sem permissão ou chegar embriagado em casa. Casos assim exigem posicionamento dos pais para o adolescente saber que eles se importam com seu bem-estar. “O adolescente pode confundir permissividade excessiva com falta de interesse mesmo. É preciso encontrar um equilíbrio. O interesse abusivo e o desinteresse total são igualmente prejudiciais”, ensina Marcelo Quirino.

“Meu filho é superinteligente”

Será possível detectar hoje os grandes nomes do futuro? O livro de Po Bronson e Ashley Merryman conta que milhões de crianças competem por vagas em boas escolas nos Estados Unidos, mas que em 73% dos casos todo esse processo seletivo mostrou-se equivocado. “Não há como prever se uma criança vai ser bem sucedida, mas se ela tiver uma boa educação certamente terá mais chances”, diz Tania Zagury.

“Os pais ou os avós podem até enxergar um gênio, entretanto é o coração falando alto. Tirando o emocional de campo, crianças mais precocemente estimuladas possuem maior possibilidade de desenvolvimento intelectual”, diz Tania, observando que as diferenças individuais existem e devem ser respeitadas.

“Meu filho assiste a DVDs educativos”

É sedutor pensar nos vídeos educativos disponíveis na prateleira das lojas como ajudantes poderosos no desenvolvimento da fala do seu bebê. Um engano comum, segundo os autores de “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças”. O assunto é tão polêmico que foi alvo de um comunicado da Academia Americana de Pediatria condenando o uso de vídeos para crianças de até dois anos de idade.

O psicólogo Marcelo Quirino explica que o desenvolvimento da linguagem é acima de tudo afetivo. “O vídeo é passivo e não estimula a interatividade com a criança. É uma ferramenta auditiva e visual. Não substitui o afeto e o diálogo entre pais e filhos”.

Fonte: Portal IG

Pornografia infantil na internet liderou o número de casos encaminhados em 2011 à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, operada pela SaferNet Brasil, organização não-governamental especializada no combate a violações de direitos humanos na web. Foram 15.517 notificações ao todo, conforme indicadores divulgados no site da ONG.

O número corresponde a cerca de 36% das 42.662 denúncias acumuladas pela central durante os doze meses do ano passado. Destas, 22.305, mais da metade, são referentes a conteúdos publicados na rede social Orkut.

Diferentemente da pedofilia, perversão que leva o adulto a sentir atração sexual por meninos e meninas, a pornografia infantil é qualquer situação que envolva menores de 18 anos “em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais”. A Legislação Brasileira considera crime a conduta de “apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive a Internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente”.
Foram regstrados 15.517 notificações de casos de denúncias de pornografia infantil.

Esse tipo de violação tem sido, nos últimos anos, o mais denunciado à SaferNet, que atua em cooperação com órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Na comparação com 2010, entretanto, houve queda no volume de casos de pornagrafia infantil reportadas à Central, que, naquele ano, totalizou 32.255 denúncias em um universo de 68.319 notificações de suspeitas de crimes praticados no ambiente virtual.

Racismo

O segundo tipo de violação mais denunciado em 2011, a exemplo de 2010, foi apologia e incitação a crimes contra a vida, com 7.800 notificações. Na sequência, aparecem xenofobia (4.609), homofobia (4.519) e racismo (3.797). Este último, ao contrário dos demais, teve números superiores aos de 2010, quando foram feitas 2.889 denúncias.

Maus-tratos contra animais – cujos casos também aumentaram na comparação com 2010, passando de 2.262 para 2.640 -, neonazismo, intolerância religiosa e tráfico de pessoas são outras violações que figuram na lista da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

Fonte: JB On-line

“Os pais precisam entender a dimensão pública da internet e conversar com os filhos sobre os riscos da navegação online”, alerta Anna Flora Werneck, Coordenadora de Programas da Childhood Brasil, em entrevista ao quadro Globo Estrada Na Mão Certa transmitido todas as quintas-feiras, às 15h30, durante programa Globo Estrada, da Rádio Globo AM.

Anna Flora diz que as recomendações para as crianças e adolescentes sobre a utilização de sites devem ser as mesmas dadas para quando saem sozinhos na rua: não falar ou aceitar coisas de estranhos, nem fornecer telefone, fotografia ou endereço. “Os pais devem ficar atentos ao que os filhos fazem, porque a violência pode acontecer tanto fora de casa quanto por meio da internet”, afirma a Coordenadora.

Como no mundo real, o mundo virtual também apresenta riscos, como contato com pessoas e redes criminosas que procuram enganar, seduzir ou incitar crianças e adolescentes a acessar sites com conteúdos inadequados de pornografia infantojuvenil. É muito comum os adolescentes acabarem marcando encontro com pessoas desconhecidas que, geralmente, não são quem eles pensavam. Adultos mal intencionados costumam se passar por “amigos” da mesma faixa etária para seduzí-los. O abusador pode, inclusive, oferecer algum benefício monetário ou presentes em troca de fotos e vídeos, os quais são gravados e posteriormente utilizados para chantageá-los.

Muitas crianças e adolescentes acabam desaparecendo do país, porque são aliciados, ou raptados por redes criminosas com fins de exploração sexual, e tudo começa com ofertas de trabalho de falsas agências de modelo ou empregos online. Esse tipo de aliciamento já acontecia antes, a Internet se apresenta como um facilitador do mesmo.

Anna Flora alerta, ainda, que qualquer violação de direitos contra a criança e o adolescente deve ser denunciada, em canais como o site www.denunciar.org.br da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Ela também recomenda que pais, responsáveis, educadores, crianças e adolescentes procurem informações de como navegar com segurança no site da Childhood Brasil através desse link:

http://www.childhood.org.br/programas/navegar-com-seguranca

Outra fonte importante é a Cartilha Navegar com Segurança – protegendo seus filhos do abuso online e da pornografia infantojuvenil na internet, com download gratuito no website da Childhood Brasil:

http://www.childhood.org.br/programas/navegar-com-seguranca

Fale sobre o assunto e divulgue essa informação. A internet é o que fazemos dela. Vamos construir um ambiente virtual que não ofereça riscos a nossas crianças e adolescentes.

Fonte: ChildHood Brasil

O primeiro estado a criar uma sala de depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de abuso sexual, há oito anos, inaugurará mais dez espaços com a mesma finalidade. Com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos, o Rio Grande do Sul totalizará 26 salas acolhedoras, onde a inquirição é feita por meio de uma gravação de vídeo e áudio que será juntada ao processo.

A criança é ouvida em um local separado, por um técnico (psicólogo ou assistente social), enquanto na sala de audiência o magistrado, o promotor de justiça e o advogado acompanham o processo e enviam as perguntas necessárias ao profissional (por meio de um ponto no ouvido). O principal objetivo é poupar a criança de passar pelo constrangimento de reviver seu drama. Antes deste procedimento, a vítima de abuso precisava contar a sua história até oito vezes durante o processo na Justiça.

A iniciativa faz parte do Projeto Depoimento Sem Dano, com início em maio de 2003.

Hoje, este procedimento é adotado em 27 países e em 41 salas no Brasil. O juiz José Antônio Daltoé Cezar, de Porto Alegre, pioneiro da prática de oitiva especial no país, fala sobre a evolução deste tipo de depoimento no país.

Qual o balanço que o senhor faz da prática de inquirição especial desde a sua criação?

Embora o depoimento especial tenha começado em 2003, na 2ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, somente em 2007 começou a ser mais divulgado nas outras regiões do país. De lá para cá, temos percebido avanços como a CPI da Pedofilia ter recomendado o depoimento acolhedor e também o Conselho Nacional de Justiça ter reconhecido como uma prática avançada. A Secretaria de Direitos Humanos é uma grande parceira e queremos agora batalhar para que o depoimento acolhedor torne-se uma política pública. A mídia, de forma geral, também tem ajudado fazendo um trabalho de boa qualidade, porque hoje tem muito cuidado quando fala da infância. Nós não conseguiríamos todo este desenvolvimento, se não tivéssemos a Childhood  Brasil como parceira. A ONG tem nos ajudado com estudos profundos em outros países da Europa e nos dado uma visibilidade grande no Brasil.

O método tem colaborado no combate da impunidade?

Sim. No Pará, onde há apenas uma sala especial, o nível de responsabilização dos autores do abuso sexual já chega a 80%, enquanto a média em Porto Alegre é de 70%.  Hoje a pena para este crime é inafiançável, podendo chegar a 15, 20 anos, em caso dos agressores serem familiares. O nosso sistema não deve nada para o exterior. Nos Estados Unidos já existem 900 centro de escuta com equipes especializadas, mas embora estejamos em menor número o atendimento tem sido satisfatório.

Quais são os equipamentos mínimos necessários para se instalar uma sala especial?

Precisamos de uma câmera de captação de imagem, um computador, integrados a uma sala de audiência, no qual o juiz possa acompanhar a gravação pela tela. Hoje os nossos equipamentos já estão um pouco obsoletos até, mas é possível realizar com poucos recursos.  Com menos de R$15 mil dá para ter uma sala de boa qualidade e tecnologia atualizada.

Quais as dificuldades que vocês ainda enfrentam hoje?

A Justiça, de forma geral, é muito conservadora. As pessoas não querem se expor sendo filmadas. Também recebemos críticas de alguns conselhos. Os psicólogos de forma geral apóiam a iniciativa, mas alguns profissionais ainda são contra, acredito por desconhecerem a importância da prática. É a única forma de punir um delito que na maioria dos casos não tem testemunhas nem prova material, porque é muito difícil haver um flagrante.

Não é fácil implantar as salas de escuta especial, porque é uma quebra de paradigma. Infelizmente, alguns ainda pensam que os depoimentos acolhedores significam uma “fábrica de condenações, e que a criança ficaria responsável pela punição, muitas vezes, do próprio pai. Mas os casos existem e precisam ser revelados. Segundo estimativas, 90% dos abusos não são denunciados, porque ocorrem dentro da família (pai, tio, avô, padrasto) ou com pessoas muito próximas como vizinhos. O abuso traz uma confusão de sentimentos para a criança e ela, mesmo sendo vítima, passa a se sentir culpada e esconde o que aconteceu. É a chamada síndrome do segredo. Muitas vezes, também não fala por receber ameaças. Os 10% que conseguem falar sentem muito medo de que alguma coisa ruim seja feita contra eles. Nós temos que ouvir as crianças, é um direito delas falar em juízo.

Existem casos em que as mães separadas acabam induzindo os filhos a falar mal dos pais? Como identificar que é um falso testemunho?

São raros, mas existem. Os profissionais especializados conseguem detectar esses casos das chamadas síndromes de falsas memórias, devido a técnicas específicas vindas de muitas pesquisas acadêmicas, comprovadas no mundo todo. Nós tivemos apenas um caso com uma menina com síndrome de Down, que dizia ter sido molestada por um guarda do colégio, mas não conseguimos detectar isso no depoimento. A mãe tinha também alguns problemas psiquiátricos.

O tema ainda deve se desdobrar em muitos anos de estudo, porque é muito difícil falar em qualquer parte do mundo sobre o direito da sexualidade na infância e adolescência.

Fonte: Childhood Brasil

A Safernet, organização especializada no combate de crimes na internet, distribuiu 1080 kits pedagógicos sobre como navegar com segurança na rede para todas as escolas municipais do Rio de Janeiro. O material traz um DVD multimídia, com histórias em quadrinhos, vídeos, sugestões de exercícios e textos divulgados na imprensa para estimular a discussão do assunto em sala de aula.

A cartilha Saferdic@s, como o próprio nome sugere, também explica como utilizar a web de forma segura para prevenir-se de diferentes crimes. O kit também vem com cartazes que trazem informações sobre como denunciar casos de abuso online e pornografia infantojuvenil na internet e outros crimes contra os direitos humanos.

Essa iniciativa conta com o apoio da Childhood Brasil e objetiva dar mais suporte para os educadores trabalharem de forma lúdica estes temas com seus alunos. O conteúdo fica disponível nas salas de leitura das escolas e poderá ser acessado, consultado e reproduzido.

Sobre a Safernet

Fundada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores e bacharéis em Direito, a organização começou desenvolvendo pesquisas e projetos sociais voltados para o combate à pornografia infantil na Internet brasileira.

Hoje é uma entidade de referência nacional no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na web, e tem se destacado até fora do país pela capacidade de mobilização e articulação, produção de conteúdos e tecnologias de enfrentamento aos crimes cibernéticos e pelos acordos de cooperação firmados com instituições governamentais.

Seu objetivo é transformar a Internet em um ambiente ético e responsável, que permita às crianças, jovens e adultos criarem, desenvolverem e ampliarem relações sociais, conhecimentos e exercerem a plena cidadania com segurança e tranqüilidade.

Fonte: Childhood Brasil

“O João Pedro acha que a vida é touchscreen, tenta controlar tudo tocando na tela e nem olha para o teclado.”

É assim que a engenheira Katia Ferreira, 40, fala da relação de seu filho caçula, de 4 anos, com o mundo digital. O interesse de pequenos como João Pedro pela tecnologia suscita a pergunta: há idade mínima para uma criança ter seu primeiro computador?

 

Para o psicólogo Rodrigo Nejm, da ONG Safernet Brasil, a resposta passa primeiro pela avaliação dos pais sobre a maturidade do filho: “O importante é nunca perder de vista que o computador te conecta à maior praça pública do planeta, que é a internet”.

“E, como você não deixaria seu filho sozinho na rua, não deve deixá-lo sozinho na internet”, acrescenta Nejm.

O professor Nelson Pretto, que estuda educação e tecnologia na UFBA (Universidade Federal da Bahia), concorda que esse acompanhamento é necessário até que a criança tenha compreensão de que a internet oferece riscos.

Mesmo com a ressalva, ele destaca a importância do uso dos recursos eletrônicos pelos pequenos.

“A tecnologia tem um papel fundamental na formação das crianças. Formamos nossos jovens para viver no mundo contemporâneo. E esse mundo é cercado de tecnologia”, defende Pretto.

E, mesmo que o filho tenha o próprio computador, os pais devem sempre tentar monitorá-lo on-line.

AO ALCANCE DA VISTA

Nesse sentido, Nejm recomenda deixar o computador na área comum da casa. Para a criança ter computador no quarto, “somente a partir de uns 10, 11 anos, após ter sido acompanhada pelos pais desde os cinco, seis”, indica.

Os especialistas ressaltam que não há uma idade mínima para usar computador, mas chamam a atenção para o equilíbrio entre as atividades da criança.

“O computador deve ser usado para somar, e não para substituir as brincadeiras e obrigações infantis. Se ela só quer ficar no computador, não sai de casa, não brinca com outros garotos, certamente essa relação está sendo prejudicial”, alerta Nejm.

UMA HORA POR DIA

Para Pretto, “quanto menor a criança, menor deve ser o tempo para ela usar o computador”. Na avaliação dele, o ideal é não passar de uma hora por dia até ao menos os dez anos de idade.

A arquiteta Sabrina Zenario, 37, tem tudo isso em mente quando sua filha Catarina, 6, pede para visitar o site da Barbie, seu preferido. “Estou sempre junto. Ela só usa com a supervisão de um adulto”.

O computador que elas usam fica na sala e, oficialmente, pertence a toda a família. Mas Catarina tem outra opinião. “Ah, ela sempre diz que o computador é dela”, reconhece a mãe.

Cuidados essenciais: como evitar riscos para crianças na internet

 

Um estudo feito pela empresa de segurança Norton no ano passado já dá uma dimensão do problema: 62% das crianças e jovens que acessaram a internet no mundo tiveram pelo menos uma experiência negativa on-line.

A pesquisa, que ouviu 2.800 jovens de 8 a 17 anos em 14 países, mostra que 41% receberam convites de amizade por parte de desconhecidos em redes sociais, 33% baixaram pragas virtuais, 25% viram imagens de nudez ou violência e 10% foram convidados para encontros no mundo real.

Fica claro que, com o primeiro computador. surgem mais responsabilidades para os pais. Nas mãos da criançada, o equipamento pode ser uma janela para problemas.

Outro levantamento, divulgado ontem pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 21% dos pais ou responsáveis por crianças de entre cinco e nove anos não controlam nem restringem o que elas fazem na rede.

O estudo, feito nas cinco regiões do Brasil, em áreas urbanas e rurais, mostra que 40% orientam os filhos sobre o uso da web, enquanto 15% bloqueiam sites impróprios.

O tema merece bastante atenção. A Norton mostrou que as crianças brasileiras são as que mais passam tempo on-line. Na média, são 18,3 horas por semana, deixando para trás países como Alemanha e EUA.

Muitas são as fontes de perigos. O contato com o conteúdo impróprio, como violência e pornografia, talvez seja a mais conhecida delas. Uma pesquisa da Kaspersky, publicada no ano passado, mostrou que a cada minuto existem 3.000 tentativas de acesso a conteúdo pornográfico por parte de menores.

Já blogs e redes sociais potencializam o contato com estranhos e a publicação de dados pessoais. Em um estudo com 875 jovens brasileiros, a ONG Safernet mostrou que 73% deles compartilharam fotos e 80% revelaram o nome.

CIBERVÍCIO

Outros dois problemas podem ser o ciberbullying e o vício em internet.

Ainda segundo a Safernet, 38% das crianças sofreram ciberbullying. Ou seja, foram alvo de humilhações e ataques na internet promovidos por gente próxima, quase sempre colegas de escola.

Já a dependência em relação à rede é um problema que ataca cerca de 10% dos internautas de todo o mundo, estima Cristiano Nabuco, psicólogo que coordena um grupo do Hospital das Clínicas que trata dependentes da web.

Com a expansão do mercado móvel, mais uma frente de batalha surgiu para os pais: as compras indevidas em lojas de aplicativos.

Em fevereiro deste ano, a FTC, agência que protege os consumidores dos EUA, decidiu investigar a App Store depois de receber reclamações por parte de pais furiosos com compras acidentais.

Para combater tudo isso, não adianta só instalar um antivírus no computador. É necessário conversar e ouvir a criança, botar a mão na massa e navegar com ela.

Fonte: Safernet

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