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0,,14149379,00Entenda qual o perigo e veja o que fazer se acontecer esse tipo de acidente com o seu filho.

Qual o perigo?

Estudos mostram que a maioria dos acidentes ocorre na cozinha, com líquidos superaquecidos, o que os médicos chamam de escaldadura.

Outras causas frequentes de queimaduras são: contato com fogo e objetos quentes, sendo o álcool um dos principais agentes causadores; substâncias químicas, como ingestão de soda cáustica; exposição à eletricidade (fios e aparelhos elétricos); exposição excessiva ao Sol.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2006, 366 crianças morreram e mais de 16 mil foram hospitalizadas vitimas de queimaduras. Alguns fatores contribuem para que elas se tornem vítimas mais frágeis, como a proximidade dos órgãos, a pele mais fina e uma camada de gordura menor. Além do tratamento ser longo e dolorido, as sequelas (tanto físicas quanto emocionais) podem durar o resto da vida.

Como prevenir?

- Mantenha as crianças fora da cozinha, principalmente se o fogão ou o forno estiverem ligados. Prefira cozinhar nas bocas de trás do fogão e com o cabo das panelas virados para dentro;

- Os produtos químicos, como álcool, artigos de higiene e produtos de limpeza em geral, devem ser mantidos fora do alcance das crianças;

- Atenção à água do banho: a temperatura ideal é 37o C. Teste a água da banheira com a mão. Caso o chuveiro for do tipo que mistura água quente e fria, um adulto deve regular a temperatura antes da criança tomar banho;

- Álcool líquido e outros combustíveis (querosene, gasolina, tinner, etc.) não devem ser armazenados em casa. Isso porque eles inflamam facilmente na presença de chamas ou faíscas, o que pode causar queimaduras graves;

- Fogos de artifício jamais devem ser manipulados por crianças;

- Use protetores de tomadas e substitua os fios desencapados;

- Evite ligar vários aparelhos eletrônicos na mesma tomada;

- As crianças não devem brincar com pipas e papagaios perto da rede elétrica;

- Para evitar queimaduras provocadas pelo Sol, evite a exposição entre as 10h e 16h. Use protetor solar mesmo em dias nublados;

- Cuidado com as velas: elas devem ficar longe dos pequenos, assim como de cortinas e lençóis. Ao sair de casa, apague-as.

Primeiros socorros

- Caso seu filho se queime, não passe nada no local afetado. Pomadas, pasta de dentes, manteiga, clara de ovos ou outras receitas caseiras podem prejudicar mais ainda a ferida. Se a queimadura for de 1o grau (pele avermelhada), basta lavar a região com água fria.

- Em casos de queimaduras de 2o e 3o graus, onde há formação de bolhas e os tecidos mais profundos da pele são atingidos, buscar atendimento médico imediatamente;

- Se a chama atingir as roupas, a vitima deve deitar no chão e rolar. Quem estiver por perto deve cobri-la com um lençol ou pano molhado e levá-la imediatamente ao hospital;

- Não estoure as bolhas, pois há risco de infecção;

- Se suspeitar que a criança ingeriu alguma substância corrosiva (soda cáustica, amônia, pilhas e baterias), leve-a imediatamente ao pronto-socorro;

- Em caso de ingestão de substância corrosiva, a face e a boca têm de ser lavadas com água fria. Mantenha a criança em jejum (nem mesmo água) e não induza o vômito até ela ser examinada por um especialista.

Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria, ONG Criança Segura

0,,16778207,00Um estudo americano mostra que crianças falam e ouvem menos quando assistem muita TV. Conheça dicas para lidar com o assunto.

Crianças que assistem muita televisão acabam falando e ouvindo menos, e comprometem seu desenvolvimento. Foi isso que um estudo realizado no Seattle Children’s Research Institute, nos Estados Unidos, mostrou. Tanto as crianças quanto os adultos conversariam menos na presença do som de uma TV. Os especialistas já sabiam que a exposição televisiva durante a infância está associada com atrasos na fala e no trabalho do cérebro, mas não conheciam a razão. Esta pesquisa é a primeira pista sobre o assunto.

Nela foram analisadas 329 crianças entre 2 meses e 4 anos de idade. Elas usaram, durante dois anos por até 16 horas diárias, um colete especial com gravadores digitais que captavam sua fala, a dos adultos ao seu redor e o som da TV. E o resultado foi espantoso: a cada hora de televisão assistida, 770 palavras a menos a criança ouvia. Como, segundo o coordenador da pesquisa, Dimitri A Christakis, um adulto fala em média 941 palavras por hora, isso significa que eles quase não falam quando a televisão está ligada.

Para Christakis, esse resultado pode explicar a associação entre exposição televisiva infantil e retardo no desenvolvimento da linguagem, atrasos cognitivos e até deficit de atenção, já que a fala é essencial para o desenvolvimento cerebral.
Para a equipe de Neurologia Infantil da UNESP-Botucatu, em São Paulo, o resultado da pesquisa não pode ser visto como conclusivo. “Pela técnica usada, não dá para ter certeza se a criança estava assistindo televisão ou apenas no mesmo ambiente. Também não dá para saber que tipo de programa passava. Mas um dado interessante é que com a TV ligada, assistindo ou não, os adultos falam menos e isso realmente pode interferir no desenvolvimento dela. Já está provado pela ciência que quanto mais estímulos, conversas e brincadeira um bebê tem, melhor será o seu crescimento”, diz a neuropediatra Lara Cristina Antunes dos Santos. “Para o estudo ser mais completo, os especialistas deveriam realizar uma avaliação posterior do desenvolvimento de cada criança”.

Dicas para lidar com a televisão:
 - até os 2 anos de idade, evite que seu filho veja TV. É melhor escolher atividades que estimulam a linguagem e o desenvolvimento cerebral, como falar, jogar, ler, cantar e ouvir música- depois dos 2 anos, a criança deve assistir a programas voltados para o universo infantil. Investigue os programas antes, na imprensa ou nos guias especializados, pois até desenhos animados podem ter uma certa violência.- coloque um limite de duas horas por dia. Se der para ser menos, melhor. E assista junto com seu filho, conversem sobre o programa que está sendo visto.- não ligue a televisão na hora das refeições

- não use a TV como recompensa ou como babá

- dê alternativas interessantes para a criança fazer, assim ela “esquece” a televisão

- não coloque um aparelho no quarto da criança

- lembre-se que a televisão é um instrumento. Pode ser ruim ou bom, depende da forma que você usa.

 

Fonte: Crescer

Se livre da timidez

Quando a mamãe se depara com uma situação em que seu filho não diz nem o nome a uma tia que o pequeno nunca viu, uma dúvida pode aparecer: essa timidez do meu filho é normal ou ele já deveria conversar com todos?

Timidez é uma característica da personalidade da criança e não uma doença.

Naturalmente, em algumas crianças é mais acentuada do que em outras. Surge em situações em que a criança é observada, avaliada ou exposta como em uma conversa com estranhos ou quando vai fazer algo pela primeira vez.

O problema se inicia quando essa timidez passa dos limites de normalidade e começa a prejudicar o convívio social da criança, merecendo mais atenção dos pais. É quando a criança se isola, não faz amizades, prefere ficar sozinha no quarto a brincar com os amiguinhos na praça ou precisa da ajuda dos pais para tudo.

A timidez prejudicial é aquela em que a criança não consegue transpor um obstáculo para realizar alguma tarefa, como solicitar ao professor para ir ao banheiro, pedir alguma informação ou fazer alguma tarefa em grupo na escola. Crianças tímidas excessivamente não se divertem e correm o risco de mais tarde desenvolver transtornos psiquiátricos, entre os quais ansiedade e fobia social.

A criança tímida normalmente tem medo de errar e se exige ao máximo, temendo a reação das outras pessoas. Com medo de errar, os pequenos evitam tomar a iniciativa e preferem ficar isolados.

Isso prejudica também no rendimento escolar, onde as crianças não solicitam o professor e nem mostram o que sabem, falando pouco e não interagindo no coletivo.

Muito grude dos pais favorece esse mal – Um dos achados de estudos sobre timidez diz que crianças tímidas filhas de pais superprotetores têm grande possibilidade de serem adultos retraídos. Mas isso não é regra. Bebês que começam a ir à creche cedo tendem a vencer mais facilmente a timidez.

O papel dos pais é essencial para a criança superar a timidez excessiva. Não ache que seu filho tímido será a criança mais popular da escola ou que cantará na festa da escola na frente de todos os pais e coleguinhas, mas poderá fazer amizades mais facilmente e não passará aperto se sentir vontade de ir ao banheiro.

O primeiro passo é ir devagar. Se o pequeno não quer dançar na festa junina do colégio, tudo bem, mas os pais devem levá-lo à festa, incentivarem o convívio com os amigos e fazê-lo curtir de modo bem gostoso. Os pais não devem forçar. Isso só deixará a criança mais ansiosa e retraída.

Incentive a ida da criança em festas de aniversário de amigos, passeios da escola e brincadeiras no parquinho onde terá mais crianças. Despertar a curiosidade da criança pode ajudar. Diga quem estará no passeio ou na festa, onde será, como vai ser e o que vai ter. Isso deixará a criança mais segura e com curiosidade de ver como é que vai ser.

Dicas

O diálogo em casa ajuda na auto-estima e aumenta a segurança da criança nela mesma.

Estimular a criança a se relacionar, mas diga que não precisa ser a mais popular para se dar bem com os amigos. Evite comparar um filho com outro. Algo do tipo: “o outro irmão é mais desinibido que você”.

Incentive seu filho a ajudar os outros. Os especialistas dizem que é um “remédio” para a timidez.

Fonte: Guia do Bebê

Cada família tem sua criação e seus valores. Quando um casal resolve ter uma vida em comum as diferenças aparecem. Quando resolvem ter um filho, então, os valores a serem passados para essa criança parecem mais diferentes ainda.

Esse é o ponto onde queremos chegar: os pais podem, sim, discordarem em alguns assuntos. O problema começa quando um deles desautoriza o outro na frente do filho.

A discordância entre os pais é saudável para a criança se esta vê que os pais conseguem conversar e chegar a um consenso. O filho percebe que com uma boa conversa, cada um cedendo um pouquinho, ouvindo os argumentos da outra pessoa, se chega a um ponto em comum e tudo se resolve.

O que deixa a criança perdida e sem limites claros é o casal onde a discordância se transforma em desautorização.

É o caso onde a mamãe não deixa o filho passear no parquinho porque tem que fazer a lição de casa. Mas aí chega o papai do trabalho e autoriza a criança ir ao parquinho sem consultar a mamãe ou por achar que mesmo sem ter feito a lição a criança pode brincar. Isso cria um nó na cabeça da criança na questão do “até onde vai o meu limite”.

A criança, principalmente dos três aos cinco anos, vai testar os pais até conseguir o que quer. Ela se aproveita dessas situações para alcançar seu desejo.

Se descobrir que com o papai é mais fácil, espera a mamãe sair de perto e pede o que quer para o papai. Se a mamãe é mais “coração mole”, o pedido vai esperar o papai sair. Agora, se é chorando ou fazendo um pouco mais de birra ela consegue o que quer, pois é assim que a criança vai agir.

O que fazer? – O ideal é que os limites básicos a serem passados para a criança devam ser discutidos antes entre o casal e depois serem transmitidos para o filho, como doces antes das refeições, hora da lição de casa, passeios, programas de televisão que os pequenos poderão assistir, entre outros.

Se houver uma situação inusitada onde ainda não há um consenso, o melhor é conversar antes de dar uma resposta à criança.

Se o papai não concordou com a atitude da mamãe, que deixou a criança jogar vídeo game mesmo a criança estando de castigo, ele não deve repreendê-la na frente da criança e, sim, chamá-la para uma conversa longe do filho para chegarem a um acordo e isso não mais acontecer.

Se há discussão na frente da criança, esta percebe que os pais não cedem no seu ponto de vista e vai agir automaticamente assim na sua vida, não abrindo mão dos seus desejos, olhando somente para si.

Não podemos “unificar” pensamentos. Isso é uma utopia e completamente abominável. Mas uma boa conversa pode reparar eventuais desequilíbrios entre os pais, mostrando aos filhos que as pessoas têm pensamentos diferentes, sem desrespeito e ouvindo outras argumentações.

Dicas

O não deve ser não sempre. Se a mamãe ou papai não deixa dormir até mais tarde, nem com birra ou choro a concessão deve ser feita.

Ninguém é perfeito, os pais erram também. Se vir que errou, não hesite em mostrar ao seu filho o erro e peça desculpas.

O exemplo é melhor do que as palavras. Mostrar aos filhos que uma boa conversa resolve tudo é melhor do que somente dizer.

Fonte: Guia do Bebê

Em meio a tanta violência no mundo, uma das grandes preocupações paternas se dá quando a criança começa a manifestar comportamentos agressivos.

Todos nós, adultos e crianças, sentimos raiva em alguma situação, que é um sentimento honesto e normal.

Acontece que a criança muito nova, entre dois e cinco anos, ainda não sabe lidar com emoções mais fortes e significativas, está assimilando o que sejam regras sociais e limites e expressa o que a incomoda de modo nem sempre aceitável pela sociedade.

Da mesma forma que se elogia a criança no momento em que suas atitudes são positivas, é primordial que a repreenda ou mesmo castigue quando são negativas, para que possa aprender e diferenciar o comportamento positivo do negativo.

É claro que ela não aceitará a imposição dos limites sem resistência e até repetindo o comportamento não aceitável para testar a veracidade da proibição e a paciência e persistência dos adultos responsáveis.

Para isso, ela presta muita e total atenção no comportamento das pessoas que lhe são mais próximas e percebe se há consistência e coerência nos limites impostos, ou seja, se vale tanto para a mãe quanto para o pai, se é possível cumprir o determinado por eles e se é justo o que lhe pedem.

Nunca, em nenhum momento, independente da idade da criança, subestime sua capacidade de inteligência e compreensão. Ela sempre estará atenta a toda atitude e comportamento dos pais para sentir confiança e segurança em seguir seus ensinamentos.

Assim, é fundamental que os responsáveis por ela conversem entre si para que possam garantir e definir os rumos de uma educação saudável, dos limites a ensinar, para que nunca aconteça de um deles exigir e o outro abrir mão. A criança ficará confusa, desequilibrada emocionalmente, pois não saberá como agir e o que se espera dela.

O que fazer, então, quando perceber que a criança está com raiva. Em primeiro lugar, nomeie o sentimento que a incomoda para que aprenda, dizendo-lhe abertamente que sabe que está com raiva e que pode ajudá-la a se sentir melhor. Use palavras claras e de fácil entendimento, sem grande argumentação, pois depois de um tempo, a criança se entendia e desliga. Reafirme sempre o amor que sente por ela, pois seu maior medo é perder o amor dos pais e das pessoas de quem depende e ama.

Leve-a para um ambiente seguro, que não lhe ofereça perigo de forma alguma. De preferência o seu próprio quarto, se tiver. Pegue uma almofada e peça que a use da maneira que sentir vontade, esclarecendo que o objeto pode ser a pessoa ou a situação que a está incomodando. Pode, inclusive, socar a cama.

Outra forma de expressar a raiva é pegar uma latinha vazia e dizer para chutá-la até se cansar ou mesmo desenhar a raiva ou ainda escrever sobre ela numa folha de papel.

Estes exercícios de expressão emocional, faz com que a criança assimile que pode e deve colocar para fora a raiva, uma vez que não é saudável guardá-la dentro de si, mas expressá-la em situações controladas e dirigidas.

Resumindo, a agressividade na criança muito nova é uma forma de expressar que algo não está bem com ela e as pessoas ao seu redor devem ficar atentas para o que está ocorrendo de diferente e que não está sendo aceito.

Com a maturidade, estes comportamentos vão se rareando e tendem a desaparecer. Mas leva tempo, muito tempo, paciência e perseverança dos adultos responsáveis pela criança.

Fonte : Ana Maria Moratelli da Silva Rico- Psicóloga clínica

Site inglês lança guia para evitar o problema e ajudar amigos

Por Stella Dauer

É impossível proteger os filhos de todos os tipos de violência que a internet pode oferecer. Uma pesquisa inglesa feita pelo site Girlguiding UK revelou que mais de um quarto das garotas que utilizam a grande rede já sofreram algum tipo de agressão ao navegarem pela rede.

Segundo o site da BCC, o estudo teve como base entrevistas com mil mulheres adolescentes entre 10 e 18 anos e constatou que 28% delas já sofreram bullying por email, mensageiro eletrônico ou pela internet, normalmente infligido por outra mulher, na maioria das vezes também jovem. Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender.

“Como a maior organização de proteção à mulher do Reino Unido, vemos que é nossa responsabilidade dar a essas moças a sabedoria e a auto-confiança para lidar com esses problemas que as preocupam”, declara Denise King, chefe executiva da Girlguiding UK em nota publicada no site InfoWorld.

King afirma que houve um aumento substancial do bullying e dos novos métodos utilizados pelos agressores e, justamente por isso, ressalta o quão sério é o problema. “Entretanto, também queremos salientar às meninas as habilidades de ser uma boa amiga. Isso é importante não apenas quando se é jovem, mas durante toda a vida”, diz. Por isso, além da pesquisa, o site Girlguiding UK lançou também um guia para que garotas e jovens saibam lidar com esse problema, noticiou o site Tech Radar.

As dicas básicas incluem não informar nenhum dado pessoal como endereço e telefone na internet; não responder a emails e mensagens com teor estranho e sempre mostrar qualquer coisa aos adultos; criar senhas seguras para os cadastros e contas de email e, obviamente, denunciar sempre que possível o cyber bullying.

Fonte:www.geek.com.br

Onde está Carolayne?

CAROLAYNE RODRIGUES DE OLIVEIRA CALDAS, 11 ANOS, DESAPARECIDA DESDE 27/01/2009 NO RIO DE JANEIRO-RJ.

cartaz carolayne

Compra, mãe!

kids-shoppingUma publicitária questiona a ética da propaganda com o documentário ‘Criança, a Alma do Negócio’

*Vera Fiori - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Parece piada, mas não é. As crianças não sabem identificar uma reles minhoca, muito menos distinguir um ganso de uma avestruz, nem os vegetais que consomem todos os dias, como berinjela, pimentão e batata doce. Porém, é impressionante a rapidez com que reconhecem as embalagens de salgadinhos e logomarcas de celulares, e também a capacidade para decorar um comercial inteiro da personagem Moranguinho. Os nomes estão na ponta da língua, afinal, segundo uma pesquisa americana, bastam 30 segundos para uma criança fixar uma marca. Uma menina diz que gostaria de morar num shopping e, outra, de trabalhar na Disney. Já um menino de uns 7 anos fala que, se tivesse dinheiro, compraria um automóvel, o Fox.

Essas são algumas cenas impactantes do documentário Criança, a Alma do Negócio, sobre os efeitos da publicidade nos pequenos. Dirigido e roteirizado pela cineasta Estela Renner, com produção executiva de Marcos Nisti, o filme de 48 minutos, que já foi exibido na TV Cultura e no Canal Futura, está disponível na internet – tanto no site do Instituto Alana (www.alana.org.br) como no You Tube, onde teve mais de 50 mil acessos. Segundo Estela, a produção do documentário abriu mão dos direitos autorais para que o maior números de interessados – pais, educadores e público em geral – tenha acesso ao filme, um convite à reflexão sobre hábitos alimentares, consumismo e erotização precoce.

Formada em publicidade pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e em teatro pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, Estela é diretora da Margarida Filmes e atualmente vive entre São Paulo e Nova York. Ao lado de Tadeu Jungle, diretor de cinema e publicitário, dirigiu a série Amores Expressos. Assinou vários curta-metragens em película, games e comerciais. Apesar de ser mãe de três crianças de 7, 5 e 2 anos, o que a aproximou do tema foi o trabalho da amiga Ana Lucia Vilela, pedagoga que está à frente do Instituto Alana, ONG que mantém um projeto dedicado ao estudo da relação entre criança e consumo. “Dei a ela de presente de casamento um curta-metragem sobre a campanha mundial Desligue a TV, e passei a registrar algumas videoaulas com os conselheiros do Alana, quando tive um contato mais profundo sobre a publicidade infantil.”

Segundo dados do IBGE, a criança brasileira passa quase cinco horas em frente à TV, quando é bombardeada por comerciais que plantam desejos muitas vezes inatingíveis, caso de famílias que não têm nem o que comer. “Nenhum pai quer que um estranho aborde o seu filho. É o mesmo com a publicidade, que usa as crianças como promotores de vendas”, compara a cineasta. Estela conta que passou, então, a assistir à TV com olhos críticos, surgindo a ideia de fazer o documentário. “Consultei livros que estudam a relação da mídia com o universo infantil, e conversei com especialistas de diversas áreas até formatar o documentário. Com exceção de uma menina de 13 anos, grávida pela segunda vez, foram entrevistadas mães e crianças de 4 a 11 anos, totalizando 100 horas de gravação. “Muita coisa ficou de fora – a internet, inclusive -, mas acho que, nessa primeira abordagem, foi possível focar pontos críticos num espaço de tempo ideal.”

VERBO TER

Criança, a Alma do Negócio dá voz a diferentes classes sociais de São Paulo, metrópole com um recorte representativo de perfis familiares. “O discurso que permeia os depoimentos, independentemente da classe social, é o mesmo: o ter sobrepujou o ser. Dói ouvir relatos como o da mãe que se endividou para comprar um brinquedo que foi usado duas ou três vezes. Em uma casa simples, onde se vê paredes descascadas, a garota mostra um jet ski estacionado no quintal e a coleção de celulares.” Uma mãe de cinco filhos, desempregada, lembra que a criança é vulnerável, e que a publicidade se vale sempre da turminha de amigos para vender a sandália da moda, como condição para se fazer parte de um grupo. Seu parecer é endossado por um dos especialistas ouvidos, Clovis de Barros Filho, doutor em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, a publicidade não promete apenas a satisfação da posse, mas também a alegria da inscrição na sociedade.

Os depoimentos, um raio da x da geração que está mais para as Patricinhas de Beverly Hills do que para a turma rural do Cocoricó, são entremeados com dados estatísticos e pontos de vista de profissionais das áreas de direito, educação, psicanálise, sociologia, comunicação, psicologia, saúde e nutrição – entre eles, Ana Lucia Villela, Yves de La Taille, Inês Silvia Sampaio, José Eduardo Romão, Clovis de Barros Filho, Pedrinho Guareschi e Ana Olmos.

Para Estela, as meninas são as que mais sofrem com o assédio da propaganda. “A publicidade mira o lado vulnerável das garotas, o de querer ser uma princesa. Para se tornar uma, não basta a fantasia, o dom mais precioso da infância. É preciso ter o produto.” A respeito, o psicólogo Yves de La Taille, co-autor do livro Nos Labirintos da Moral, entre outros, lembra que, se antes a criança brincava de boneca, hoje a brincadeira virou projeção: “Ninguém mais brinca de ser a mãe da Barbie.”

O que mais impactou a cineasta ao ouvir relatos absolutamente iguais, não importando a classe social, foi o encurtamento da infância:

- Tenho como referência a artista plástica Loise Bourgeois. Ela dizia que todos os seus trabalhos tinham raízes na infância, com sua mágica e encantamento. Na Índia, por exemplo, a infância é vivenciada plenamente. Então, não se trata de utopia, mas de uma mobilização da sociedade como um todo. Não se pode culpar os pais. Perniciosa, a publicidade se vale do convívio de horas da criança com a TV, levando os pais a suprirem sua ausência com presentes que, claro, não preenchem necessidades de afeto e carinho. Daí a comprar mais e mais.

A erotização precoce é outro ponto crítico. Os comerciais de cerveja, como pontua a pedagoga Ana Lucia Vilela, mostra mulheres bonitas e seminuas, servindo os homens, o que reforça a ideia da imagem feminina como mero objeto sexual. No documentário, uma garota de 13 anos, grávida pela segunda vez e que se diz noveleira e fã do desenho Pica-Pau, se espelha na beleza física da atriz Juliana Paes, justamente estrela de um comercial de cerveja. Segundo uma professora de ensino público, Eliana Santos, a partir dos 3 anos, as meninas já vão de batom para a escola. Conta ainda que uma aluna de 8 anos disse que foi à loja comprar uma calça justa que “valorizasse o corpo”.

Cabe aqui a indagação do promotor João Lopes Guimarães, um dos entrevistados: “Se a criança não pode comprar, porque é considerada incapaz pela legislação, como aceitar uma peça publicitária persuasiva?” Para Estela, o Brasil deveria se espelhar nos países onde a legislação sobre a proteção de direitos da infância é mais rígida. “O Conselho de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, criou normas a respeito, porém é um órgão corporativo. Existe um projeto de lei que regulamentaria de forma mais especificada a questão da publicidade dirigida às crianças, mas cada etapa pode demorar até sete anos para ser aprovada.”

No entanto, nem tudo está perdido. Como diz um comercial de sandálias, depois de repetir à exaustão o que é ser fashion, lá pelas tantas, a menina diz às amiguinhas do filme que fashion é brincar, porque, afinal, ninguém é de ferro.

FONTE: ESTADÃO

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