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Pornografia infantil na internet liderou o número de casos encaminhados em 2011 à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, operada pela SaferNet Brasil, organização não-governamental especializada no combate a violações de direitos humanos na web. Foram 15.517 notificações ao todo, conforme indicadores divulgados no site da ONG.

O número corresponde a cerca de 36% das 42.662 denúncias acumuladas pela central durante os doze meses do ano passado. Destas, 22.305, mais da metade, são referentes a conteúdos publicados na rede social Orkut.

Diferentemente da pedofilia, perversão que leva o adulto a sentir atração sexual por meninos e meninas, a pornografia infantil é qualquer situação que envolva menores de 18 anos “em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais”. A Legislação Brasileira considera crime a conduta de “apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive a Internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente”.
Foram regstrados 15.517 notificações de casos de denúncias de pornografia infantil.

Esse tipo de violação tem sido, nos últimos anos, o mais denunciado à SaferNet, que atua em cooperação com órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Na comparação com 2010, entretanto, houve queda no volume de casos de pornagrafia infantil reportadas à Central, que, naquele ano, totalizou 32.255 denúncias em um universo de 68.319 notificações de suspeitas de crimes praticados no ambiente virtual.

Racismo

O segundo tipo de violação mais denunciado em 2011, a exemplo de 2010, foi apologia e incitação a crimes contra a vida, com 7.800 notificações. Na sequência, aparecem xenofobia (4.609), homofobia (4.519) e racismo (3.797). Este último, ao contrário dos demais, teve números superiores aos de 2010, quando foram feitas 2.889 denúncias.

Maus-tratos contra animais – cujos casos também aumentaram na comparação com 2010, passando de 2.262 para 2.640 -, neonazismo, intolerância religiosa e tráfico de pessoas são outras violações que figuram na lista da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

Fonte: JB On-line

“Os pais precisam entender a dimensão pública da internet e conversar com os filhos sobre os riscos da navegação online”, alerta Anna Flora Werneck, Coordenadora de Programas da Childhood Brasil, em entrevista ao quadro Globo Estrada Na Mão Certa transmitido todas as quintas-feiras, às 15h30, durante programa Globo Estrada, da Rádio Globo AM.

Anna Flora diz que as recomendações para as crianças e adolescentes sobre a utilização de sites devem ser as mesmas dadas para quando saem sozinhos na rua: não falar ou aceitar coisas de estranhos, nem fornecer telefone, fotografia ou endereço. “Os pais devem ficar atentos ao que os filhos fazem, porque a violência pode acontecer tanto fora de casa quanto por meio da internet”, afirma a Coordenadora.

Como no mundo real, o mundo virtual também apresenta riscos, como contato com pessoas e redes criminosas que procuram enganar, seduzir ou incitar crianças e adolescentes a acessar sites com conteúdos inadequados de pornografia infantojuvenil. É muito comum os adolescentes acabarem marcando encontro com pessoas desconhecidas que, geralmente, não são quem eles pensavam. Adultos mal intencionados costumam se passar por “amigos” da mesma faixa etária para seduzí-los. O abusador pode, inclusive, oferecer algum benefício monetário ou presentes em troca de fotos e vídeos, os quais são gravados e posteriormente utilizados para chantageá-los.

Muitas crianças e adolescentes acabam desaparecendo do país, porque são aliciados, ou raptados por redes criminosas com fins de exploração sexual, e tudo começa com ofertas de trabalho de falsas agências de modelo ou empregos online. Esse tipo de aliciamento já acontecia antes, a Internet se apresenta como um facilitador do mesmo.

Anna Flora alerta, ainda, que qualquer violação de direitos contra a criança e o adolescente deve ser denunciada, em canais como o site www.denunciar.org.br da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Ela também recomenda que pais, responsáveis, educadores, crianças e adolescentes procurem informações de como navegar com segurança no site da Childhood Brasil através desse link:

http://www.childhood.org.br/programas/navegar-com-seguranca

Outra fonte importante é a Cartilha Navegar com Segurança – protegendo seus filhos do abuso online e da pornografia infantojuvenil na internet, com download gratuito no website da Childhood Brasil:

http://www.childhood.org.br/programas/navegar-com-seguranca

Fale sobre o assunto e divulgue essa informação. A internet é o que fazemos dela. Vamos construir um ambiente virtual que não ofereça riscos a nossas crianças e adolescentes.

Fonte: ChildHood Brasil

O primeiro estado a criar uma sala de depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de abuso sexual, há oito anos, inaugurará mais dez espaços com a mesma finalidade. Com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos, o Rio Grande do Sul totalizará 26 salas acolhedoras, onde a inquirição é feita por meio de uma gravação de vídeo e áudio que será juntada ao processo.

A criança é ouvida em um local separado, por um técnico (psicólogo ou assistente social), enquanto na sala de audiência o magistrado, o promotor de justiça e o advogado acompanham o processo e enviam as perguntas necessárias ao profissional (por meio de um ponto no ouvido). O principal objetivo é poupar a criança de passar pelo constrangimento de reviver seu drama. Antes deste procedimento, a vítima de abuso precisava contar a sua história até oito vezes durante o processo na Justiça.

A iniciativa faz parte do Projeto Depoimento Sem Dano, com início em maio de 2003.

Hoje, este procedimento é adotado em 27 países e em 41 salas no Brasil. O juiz José Antônio Daltoé Cezar, de Porto Alegre, pioneiro da prática de oitiva especial no país, fala sobre a evolução deste tipo de depoimento no país.

Qual o balanço que o senhor faz da prática de inquirição especial desde a sua criação?

Embora o depoimento especial tenha começado em 2003, na 2ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, somente em 2007 começou a ser mais divulgado nas outras regiões do país. De lá para cá, temos percebido avanços como a CPI da Pedofilia ter recomendado o depoimento acolhedor e também o Conselho Nacional de Justiça ter reconhecido como uma prática avançada. A Secretaria de Direitos Humanos é uma grande parceira e queremos agora batalhar para que o depoimento acolhedor torne-se uma política pública. A mídia, de forma geral, também tem ajudado fazendo um trabalho de boa qualidade, porque hoje tem muito cuidado quando fala da infância. Nós não conseguiríamos todo este desenvolvimento, se não tivéssemos a Childhood  Brasil como parceira. A ONG tem nos ajudado com estudos profundos em outros países da Europa e nos dado uma visibilidade grande no Brasil.

O método tem colaborado no combate da impunidade?

Sim. No Pará, onde há apenas uma sala especial, o nível de responsabilização dos autores do abuso sexual já chega a 80%, enquanto a média em Porto Alegre é de 70%.  Hoje a pena para este crime é inafiançável, podendo chegar a 15, 20 anos, em caso dos agressores serem familiares. O nosso sistema não deve nada para o exterior. Nos Estados Unidos já existem 900 centro de escuta com equipes especializadas, mas embora estejamos em menor número o atendimento tem sido satisfatório.

Quais são os equipamentos mínimos necessários para se instalar uma sala especial?

Precisamos de uma câmera de captação de imagem, um computador, integrados a uma sala de audiência, no qual o juiz possa acompanhar a gravação pela tela. Hoje os nossos equipamentos já estão um pouco obsoletos até, mas é possível realizar com poucos recursos.  Com menos de R$15 mil dá para ter uma sala de boa qualidade e tecnologia atualizada.

Quais as dificuldades que vocês ainda enfrentam hoje?

A Justiça, de forma geral, é muito conservadora. As pessoas não querem se expor sendo filmadas. Também recebemos críticas de alguns conselhos. Os psicólogos de forma geral apóiam a iniciativa, mas alguns profissionais ainda são contra, acredito por desconhecerem a importância da prática. É a única forma de punir um delito que na maioria dos casos não tem testemunhas nem prova material, porque é muito difícil haver um flagrante.

Não é fácil implantar as salas de escuta especial, porque é uma quebra de paradigma. Infelizmente, alguns ainda pensam que os depoimentos acolhedores significam uma “fábrica de condenações, e que a criança ficaria responsável pela punição, muitas vezes, do próprio pai. Mas os casos existem e precisam ser revelados. Segundo estimativas, 90% dos abusos não são denunciados, porque ocorrem dentro da família (pai, tio, avô, padrasto) ou com pessoas muito próximas como vizinhos. O abuso traz uma confusão de sentimentos para a criança e ela, mesmo sendo vítima, passa a se sentir culpada e esconde o que aconteceu. É a chamada síndrome do segredo. Muitas vezes, também não fala por receber ameaças. Os 10% que conseguem falar sentem muito medo de que alguma coisa ruim seja feita contra eles. Nós temos que ouvir as crianças, é um direito delas falar em juízo.

Existem casos em que as mães separadas acabam induzindo os filhos a falar mal dos pais? Como identificar que é um falso testemunho?

São raros, mas existem. Os profissionais especializados conseguem detectar esses casos das chamadas síndromes de falsas memórias, devido a técnicas específicas vindas de muitas pesquisas acadêmicas, comprovadas no mundo todo. Nós tivemos apenas um caso com uma menina com síndrome de Down, que dizia ter sido molestada por um guarda do colégio, mas não conseguimos detectar isso no depoimento. A mãe tinha também alguns problemas psiquiátricos.

O tema ainda deve se desdobrar em muitos anos de estudo, porque é muito difícil falar em qualquer parte do mundo sobre o direito da sexualidade na infância e adolescência.

Fonte: Childhood Brasil

A Safernet, organização especializada no combate de crimes na internet, distribuiu 1080 kits pedagógicos sobre como navegar com segurança na rede para todas as escolas municipais do Rio de Janeiro. O material traz um DVD multimídia, com histórias em quadrinhos, vídeos, sugestões de exercícios e textos divulgados na imprensa para estimular a discussão do assunto em sala de aula.

A cartilha Saferdic@s, como o próprio nome sugere, também explica como utilizar a web de forma segura para prevenir-se de diferentes crimes. O kit também vem com cartazes que trazem informações sobre como denunciar casos de abuso online e pornografia infantojuvenil na internet e outros crimes contra os direitos humanos.

Essa iniciativa conta com o apoio da Childhood Brasil e objetiva dar mais suporte para os educadores trabalharem de forma lúdica estes temas com seus alunos. O conteúdo fica disponível nas salas de leitura das escolas e poderá ser acessado, consultado e reproduzido.

Sobre a Safernet

Fundada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores e bacharéis em Direito, a organização começou desenvolvendo pesquisas e projetos sociais voltados para o combate à pornografia infantil na Internet brasileira.

Hoje é uma entidade de referência nacional no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na web, e tem se destacado até fora do país pela capacidade de mobilização e articulação, produção de conteúdos e tecnologias de enfrentamento aos crimes cibernéticos e pelos acordos de cooperação firmados com instituições governamentais.

Seu objetivo é transformar a Internet em um ambiente ético e responsável, que permita às crianças, jovens e adultos criarem, desenvolverem e ampliarem relações sociais, conhecimentos e exercerem a plena cidadania com segurança e tranqüilidade.

Fonte: Childhood Brasil

“O João Pedro acha que a vida é touchscreen, tenta controlar tudo tocando na tela e nem olha para o teclado.”

É assim que a engenheira Katia Ferreira, 40, fala da relação de seu filho caçula, de 4 anos, com o mundo digital. O interesse de pequenos como João Pedro pela tecnologia suscita a pergunta: há idade mínima para uma criança ter seu primeiro computador?

 

Para o psicólogo Rodrigo Nejm, da ONG Safernet Brasil, a resposta passa primeiro pela avaliação dos pais sobre a maturidade do filho: “O importante é nunca perder de vista que o computador te conecta à maior praça pública do planeta, que é a internet”.

“E, como você não deixaria seu filho sozinho na rua, não deve deixá-lo sozinho na internet”, acrescenta Nejm.

O professor Nelson Pretto, que estuda educação e tecnologia na UFBA (Universidade Federal da Bahia), concorda que esse acompanhamento é necessário até que a criança tenha compreensão de que a internet oferece riscos.

Mesmo com a ressalva, ele destaca a importância do uso dos recursos eletrônicos pelos pequenos.

“A tecnologia tem um papel fundamental na formação das crianças. Formamos nossos jovens para viver no mundo contemporâneo. E esse mundo é cercado de tecnologia”, defende Pretto.

E, mesmo que o filho tenha o próprio computador, os pais devem sempre tentar monitorá-lo on-line.

AO ALCANCE DA VISTA

Nesse sentido, Nejm recomenda deixar o computador na área comum da casa. Para a criança ter computador no quarto, “somente a partir de uns 10, 11 anos, após ter sido acompanhada pelos pais desde os cinco, seis”, indica.

Os especialistas ressaltam que não há uma idade mínima para usar computador, mas chamam a atenção para o equilíbrio entre as atividades da criança.

“O computador deve ser usado para somar, e não para substituir as brincadeiras e obrigações infantis. Se ela só quer ficar no computador, não sai de casa, não brinca com outros garotos, certamente essa relação está sendo prejudicial”, alerta Nejm.

UMA HORA POR DIA

Para Pretto, “quanto menor a criança, menor deve ser o tempo para ela usar o computador”. Na avaliação dele, o ideal é não passar de uma hora por dia até ao menos os dez anos de idade.

A arquiteta Sabrina Zenario, 37, tem tudo isso em mente quando sua filha Catarina, 6, pede para visitar o site da Barbie, seu preferido. “Estou sempre junto. Ela só usa com a supervisão de um adulto”.

O computador que elas usam fica na sala e, oficialmente, pertence a toda a família. Mas Catarina tem outra opinião. “Ah, ela sempre diz que o computador é dela”, reconhece a mãe.

Cuidados essenciais: como evitar riscos para crianças na internet

 

Um estudo feito pela empresa de segurança Norton no ano passado já dá uma dimensão do problema: 62% das crianças e jovens que acessaram a internet no mundo tiveram pelo menos uma experiência negativa on-line.

A pesquisa, que ouviu 2.800 jovens de 8 a 17 anos em 14 países, mostra que 41% receberam convites de amizade por parte de desconhecidos em redes sociais, 33% baixaram pragas virtuais, 25% viram imagens de nudez ou violência e 10% foram convidados para encontros no mundo real.

Fica claro que, com o primeiro computador. surgem mais responsabilidades para os pais. Nas mãos da criançada, o equipamento pode ser uma janela para problemas.

Outro levantamento, divulgado ontem pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 21% dos pais ou responsáveis por crianças de entre cinco e nove anos não controlam nem restringem o que elas fazem na rede.

O estudo, feito nas cinco regiões do Brasil, em áreas urbanas e rurais, mostra que 40% orientam os filhos sobre o uso da web, enquanto 15% bloqueiam sites impróprios.

O tema merece bastante atenção. A Norton mostrou que as crianças brasileiras são as que mais passam tempo on-line. Na média, são 18,3 horas por semana, deixando para trás países como Alemanha e EUA.

Muitas são as fontes de perigos. O contato com o conteúdo impróprio, como violência e pornografia, talvez seja a mais conhecida delas. Uma pesquisa da Kaspersky, publicada no ano passado, mostrou que a cada minuto existem 3.000 tentativas de acesso a conteúdo pornográfico por parte de menores.

Já blogs e redes sociais potencializam o contato com estranhos e a publicação de dados pessoais. Em um estudo com 875 jovens brasileiros, a ONG Safernet mostrou que 73% deles compartilharam fotos e 80% revelaram o nome.

CIBERVÍCIO

Outros dois problemas podem ser o ciberbullying e o vício em internet.

Ainda segundo a Safernet, 38% das crianças sofreram ciberbullying. Ou seja, foram alvo de humilhações e ataques na internet promovidos por gente próxima, quase sempre colegas de escola.

Já a dependência em relação à rede é um problema que ataca cerca de 10% dos internautas de todo o mundo, estima Cristiano Nabuco, psicólogo que coordena um grupo do Hospital das Clínicas que trata dependentes da web.

Com a expansão do mercado móvel, mais uma frente de batalha surgiu para os pais: as compras indevidas em lojas de aplicativos.

Em fevereiro deste ano, a FTC, agência que protege os consumidores dos EUA, decidiu investigar a App Store depois de receber reclamações por parte de pais furiosos com compras acidentais.

Para combater tudo isso, não adianta só instalar um antivírus no computador. É necessário conversar e ouvir a criança, botar a mão na massa e navegar com ela.

Fonte: Safernet

Férias deixam crianças mais expostas aos riscos da Internet

Com os perigos da pedofilia, da pornografia ou da violência online, que colocam milhares de crianças em risco, o Projecto Miúdos Seguros na Net (PMSN), de Portugal, lançou uma lista de recomendações que visam prevenir as famílias quanto aos perigos inerentes ao uso e abuso da Internet.

Entre as 10 recomendações sugeridas encontram-se sugestões que propõem aos pais colocarem os computadores numa zona comum da casa, saberem em que sites andam os filhos e quem são os seus interlocutores online ou o, sempre actual e necessário, diálogo entre pais e filhos.

O documento do PMSN foi emitido na sequência da publicação de uma reportagem no “Diário de Notícias” (DN), que dava a conhecer – de forma bastante gráfica e directa – a facilidade com que vários menores de idades (todos entre 12 e 14 anos) se prontificavam a fazer em frente às câmaras tudo o que lhes fosse solicitado a troco de carregamentos de telemóvel. Entre os muitos pedidos os jovens acediam em masturbar-se, despir-se, ou simular cenas de sexo.

As famílias têm de agir depressa

Tito de Morais, o fundador do PMSN não tem dúvidas de que algo deve ser feito e urgentemente, pois tanto o trabalho do DN como um anterior da revista “Sábado”, que descobriu pedófilos na Internet, “demonstram uma dualidade relativa à segurança online dos mais novos”.

Morais acredita que as famílias, e em particular os pais, têm a obrigação de “proteger as nossas crianças e jovens de contactos com terceiros potencialmente mal intencionados, mas também deles próprios”, uma vez que nem só de pedofilia vivem os recantos negros da Internet, mas também de muitos outos conteúdos ilícitos como, por exemplo, a violência extrema.

O especialista acredita que esta altura do ano aumenta a vulnerabilidade dos mais novos, pois o calendário das férias de Verão obriga-os a passar grande parte do tempo sozinhos, ou pelo menos sem o acompanhamento que seria desejado. Por isso relembra: “É importante as famílias estarem alerta e tomarem medidas preventivas”.

Recomendações para a segurança de crianças e jovens na Internet:

1. Assuma a responsabilidade

A segurança online de crianças e jovens é uma responsabilidade da comunidade. Para a garantir, é essencial que cada um de nós assuma as suas responsabilidades. Todavia, os primeiros desta linha são os pais, a família. Mas a escola e os educadores também têm um papel a desempenhar, tal como os responsáveis pelos espaços públicos de acesso à Internet, os grupos não governamentais de defesa e promoção dos direitos de crianças e jovens, autarquias, governo, legisladores, forças da lei, empresas do sector das tecnologias de informação e comunicação e meios de comunicação social. Se cada um nós assumir as suas responsabilidades e desempenhar o papel que lhe compete ao nível da promoção da utilização segura e responsável das tecnologias de informação e comunicação (TIC) por crianças e jovens, todos teremos a ganhar.

2. Promova a sua literacia digital

Um dos problemas que está na base de muitos dos problemas de segurança de crianças e jovens online reside no fosso existente entre crianças e jovens e os seus pais e educadores no que diz respeito ao conhecimento sobre as TIC em geral, computadores e Internet em particular. Não precisa de saber tanto quanto eles, mas saber o mínimo ajuda. Procure e frequente cursos que o ensinem a aprender a usar o computador, a Internet e os seus diversos serviços. Familiarize-se com os hábitos de utilização da Internet dos seus filhos e educandos. Saiba que serviços e que sites frequentam. Familiarize-se com os riscos, ameaças e perigos potenciais a que a Internet pode expor crianças e jovens. Procure recursos informativos existentes online que possam contribuir para desenvolver o seu nível de familiaridade com as TIC.
 

3. Dialogue com os seus filhos

À semelhança de muitas outras problemáticas, também a falta de diálogo entre pais e filhos, educadores e educandos está na base de muitos dos problemas de segurança de crianças e jovens online. Fale com os seus filhos sobre a forma como utilizam as TIC em geral, o computador e a Internet em particular. Ao fazê-lo, diga-lhes porque lhes dá acesso a este tipo de recursos, quais as suas expectativas, quais os valores que devem presidir à utilização, e deixe claro o que considera aceitável e não aceitável. Identifique sites que gostaria que visitassem e faça-o em conjunto com eles. Fale-lhes das coisas boas, mas não deixe também de os alertar para os perigos. Procure em conjunto sites que vos ensinem a usar as TIC de uma forma responsável e segura.

4. Coloque o computador numa zona comum da casa

Não dê livre acesso ao computador e à Internet – a qualquer dia e a qualquer hora – sem qualquer acompanhamento ou supervisão. Tal, é tão mais aconselhável quanto mais jovens forem os seus filhos ou educandos. Infelizmente, esta tarefa de supervisão é dificultada pelo facto de, em muitas casas, senão mesmo na maioria dos lares, o computador, a consola de jogos e outros dispositivos que fornecem acesso online, estarem colocados no quarto de uma criança. E muitas vezes com o monitor voltado para a parede.Este posicionamento dificulta qualquer acção de supervisão parental. Procure colocar estes dispositivos numa zona comum da casa e com o monitor virado para o interior do espaço e não para a parede.

5. Defina regras de utilização

Sente-se com os seus filhos e defina um conjunto de regras que devem ser observadas relativamente à utilização das TIC em geral, do computador e da Internet, em particular. No caso de ser um responsável por uma escola que fornece acesso online aos seus alunos, ou no caso de ser responsável por um espaço público que fornece acesso à Internet gratuitamente, defina uma Política de Utilização Aceitável, para os recursos que disponibiliza e certifique-se que nenhum menor tem acesso aos mesmos sem autorização parental e sem conhecimento prévio das condições de utilização.

6. Garanta o cumprimento das regras

Coloque as regras estabelecidas no ponto anterior num local visível perto do computador, de forma a todos quantos o utilizam as vejam e tenham consciência delas durante a utilização. A segurança online de crianças e jovens não é algo estático, mas algo dinâmico. Regularmente surgem novas ameaças. As crianças crescem e amadurecem. Reveja periodicamente as regras para se certificar que estas reflectem a realidade e se continuam a adequar à idade e à maturidade dos seus filhos ou educandos.

7. Conheça novas ferramentas

Para além das ferramentas de segurança básicas como as firewalls, as aplicações anti-vírus, anti-spyware, anti-phishing e as ferramentas anti-spam, existem outras mais específicas no domínio da segurança online de crianças e jovens. Refiro-me a ferramentas de classificação e de filtragem de conteúdos, ferramentas de monitorização da utilização, de controlo do tempo de utilização e ferramentas que vedam o acesso a determinados programas, etc. Por si só nenhuma delas é a solução, mas podem ser integradas de forma a garantir a segurança de crianças e jovens na Internet. Informe-se sobre elas, decida quais as adequadas para a sua família, escola ou espaço público de acesso à Internet e implemente-as. Analise periodicamente se a sua solução se mantém actual e se continua a corresponder às suas necessidades. E sobretudo lembre-se que a melhor ferramenta para garantir a segurança online dos seus filhos e educandos não é um qualquer software milagroso, mas o software que qualquer criança tem entre as suas duas orelhas. Acima de tudo, é no “desenvolvimento” deste software – o seu pensamento crítico – que deve apostar.

8. Mantenha o controle

Partilhar um computador com crianças e jovens não é uma tarefa fácil. Controlar essa partilha é da sua responsabilidade. Para isso, lembre aos seus filhos e educandos que o acesso não é um direito, mas sim um privilégio. Como privilégio que é, o acesso pode ser vedado a qualquer altura, sobretudo quando as regras de utilização não são cumpridas.

9. Regule os encontros offline

Um dos grandes perigos para uma criança ou para um jovem são os encontros offline com pessoas que apenas se conhecem online. Como já aqui referi, se na Internet qualquer criança se pode fazer passar por um adulto, o contrário também é verdade. E se é verdade que a Internet potencia a criação de novas amizades, também não é menos verdade que nem todos as pessoas são bem intencionadas. Assim, deixe claro desde o início que encontros na vida real com pessoas que apenas se conhecem da Internet, apenas são permitidos com sua autorização prévia, na sua presença ou na presença de um adulto por si previamente autorizado.

10. Saiba por onde andam, com quem falam e o que fazem

Na vida real, um pai ou uma mãe geralmente gostam de saber por onde andam e com quem andam os seus filhos. O mesmo deve acontecer online. Fale sobre o assunto com o seu filho/educando. Que sites visitam? Com quem trocam mensagens? Veja regular e conjuntamente o histórico do browser instalado no seu computador e analise periodicamente os logs do seu computador.


Fonte: Expresso . Clix . Pt

Um comportamento diferente ou uma dificuldade inesperada de seu filho, um acontecimento traumático, uma reação surpreendente: o que pensar e qual atitude tomar na hora em que bate a dúvida de procurar um psicólogo. Saiba aqui que tipo de situação, quais especialistas você vai encontrar e por que não há razão para ter preconceito ou se sentir fracassado.

Quando planejamos ou temos um filho, a felicidade e a responsabilidade são tão grandes que muitas vezes nos parece uma missão impossível. Mesmo que a jornada já tenha começado. Diante de um conflito – de não conseguir que a criança saia da frente da TV até como fazê-la entender que seus pais não vão mais morar juntos –, é legítimo achar que a força de ser mãe ou ser pai vai desmoronar. Mas também legítimo é entender que pode precisar de ajuda. De alguém da família, de um educador da escola, de um amigo ou, sim, de um terapeuta. Mas quem é esse profissional? Como entender esses vários “psis” disponíveis?

Psicólogo, psicanalista, psicopedagogo e psiquiatra são alguns dos especialistas apoiadores dos pais, desde um caso de transtorno comportamental diagnosticado a uma dificuldade pontual emocional. Ah, mas antigamente não precisávamos deles, alguém pode dizer. Verdade, sabe por quê? Antes sabíamos menos sobre o que se passa na infância. “O preconceito contra esse tipo de atuação profissional está diminuindo porque temos informações melhores”, diz o pediatra Eduardo Juan Troster, coordenador da UTI Neonatal do Hospital Albert Einstein (SP). “As questões da saúde evoluíram tanto que é praticamente impossível só um profissional dar conta de um ser humano do ponto de vista clínico, orgânico, mental, emocional”, diz a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

A discussão acontece também em Brasília. Fez parte das reuniões sobre as indicações e normas da Agência Nacional de Saúde (ANS), que regula os planos de saúde no Brasil. Tanto que, desde junho do ano passado, os convênios médicos são obrigados a pagar por 40 sessões/consultas com psicólogo ou terapeuta ocupacional, que sempre devem ser indicados por um médico que já esteja cuidando desse paciente. “A gente vem sempre discutindo ampliar a participação desses profissionais por entender que é necessária uma visão multidisciplinar”, diz a médica e hebiatra Karla Coelho, gerente de atenção à saúde da ANS. E será que a lista desses profissionais nos livros do convênio médico pode diminuir o preconceito? “Sim, essa abertura pode ajudar a desmitificar a atuação de um psicólogo, por exemplo, e melhorar a avaliação da criança e do adolescente”, completa.

Claro que não é fácil enxergar um problema no filho. Para ninguém. Qual pai ou mãe não luta todos os dias para que ele seja feliz? “Os pais têm sempre um filho imaginado, e, às vezes, não conseguem aceitar o filho real, assumir para si mesmo que ele é diferente do esperado. É difícil não se culpar, não se decepcionar ou até sentir um certo ciúme de que outra pessoa vai ajudá-lo e não você”, diz Gina Khafif Levinzon, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise e professora do curso de psicoterapia psicanalítica da USP. Outra dificuldade pode ser a de não querer acreditar que o filho, de fato, tem algum problema e sempre buscar uma justificativa para o comportamento dele. Aceitar a realidade não quer dizer que você falhou.

Mas quando procurar ajuda? Há dois sinais mais fortes. “Primeiro, se a criança ou adolescente tem um problema acadêmico. Não uma nota baixa, mas quando realmente se percebe que não está aprendendo. Segundo, se tem algum prejuízo de relacionamento social. Se exclui ou é excluído, é impulsivo demais, fica isolado no recreio, não tem amigos. Com a criança sofrendo, investigue. E isso pode resultar em medicação, medicação e terapia, às vezes só terapia ou somente um aconselhamento aos pais”, diz o psiquiatra Gustavo Teixeira, autor dos livros Manual Antibullying e Desatentos e Hiperativos (ambos da Ed. BestSeller). Segundo ele, como a ciência aponta sempre que somos fruto da soma de genética e ambiente, pode-se fazer muito pela segunda parte. “Prevenção e intervenção precoce são oportunidades de ouro.”

Juntos pela criança

Parceria e foco são fundamentais. “Não adianta ter uma série de intervenções se os pais possuem uma conduta inapropriada. Indiretamente, eles quase que passam por um processo terapêutico também”, diz o psiquiatra Paulo Germano Marmorato, coordenador do Ambulatório de Socialização, do Serviço de Psiquiatria da Infância e do Adolescente do Hospital das Clínicas (SP). “Muitos temem que a criança fique dependente da terapia. Mas, na verdade, o objetivo é justamente fazer com que ela caminhe sozinha”, afirma Gina Levinzon.

Por isso, para Paulo Marmorato, os pais precisam saber o que está acontecendo com a criança o tempo todo. “Para entenderem que tipo de proposta o profissional oferece. É um ‘o que vamos fazer para que seu filho consiga lidar melhor com o que está acontecendo’”, afirma ele, que também é psicoterapeuta. “O profissional verá primeiro os pais, perguntará sobre a concepção e o parto, os primeiros anos de vida, se teve doenças, como é a questão da alimentação, sono etc., e qual a queixa. Só depois a criança entra e, se necessário, começam as sessões”, explica Rita Calegari. Nelas, a criança vai ser submetida a testes específicos, mas ela achará que está brincando. “A gente avalia tudo, pensa nos encaminhamentos, que podem ser desde a terapia, uma consulta a um neurologista ou até fazer uma atividade física”, diz a especialista.

As alterações de comportamento da criança são mais facilmente percebidas na escola. “O diagnóstico de um problema é frequentemente feito pela professora, que tem contato quase todos os dias do ano com a criança”, afirma Eduardo Troster. Seu colega de equipe do Hospital Albert Einstein, o pediatra Luiz Guilherme Florence, concorda, e pontua a importância do pediatra também estar atento aos sinais que a criança apresenta. “Nos Estados Unidos já existe uma especialidade pediátrica voltada para a análise de questões de desenvolvimento e comportamento. Ela abrange uma gama de situações vinculadas a esses quadros, desde o famoso transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) até questões mais gerais, como problemas de sono. Um dos principais objetivos é o de capacitar os pediatras gerais a enxergar esses tipos de problemas”, afirma. “O mais importante em relação ao diagnóstico de comportamentos alterados em crianças é a diferenciação entre um atraso esperado e o atraso que já demonstra sinais de patologias.” Ou seja, se temos uma rede de cuidados com a criança, o pediatra é o núcleo.

Paciência e foco

Se o diagnóstico exige habilidade do profissional, o tratamento pede paciência. É bem diferente de identificar um sintoma, levar ao médico, fazer o exame no laboratório, tomar o remédio e aguardar a cura. O tempo do tratamento varia conforme o caso e o método.

Paciência, rede de assistência e informação são os ingredientes principais, não só na hora de optar por levar a criança ao terapeuta, mas para lidar com ela todos os dias. “Caso nenhum significará fracasso dos pais. Criança não vem com manual, todos erram e podem corrigir seus erros”, diz a psicóloga Ceres de Araújo, professora da PUC-SP. “A ideia é ajudar os pais a desenvolverem melhor a capacidade de ser pais daquela criança”, diz a psicanalista Gina Levozin. Rumo a um mundo com menos culpas e com mais soluções.

Até com os bebês

No mundo inteiro há linhas de abordagem de observação e estudos sobre a saúde mental dos bebês, sempre demonstrando que eles são muito mais sensíveis do que imaginamos.

Isso pode apontar que, uma vez que a família esteja sofrendo, nunca é cedo demais para procurar ajuda. Sim, por mais que ele não deite no divã e conte sua história, é a porta de entrada para a terapia àquela família. A terapeuta Regiane Glashan é uma especialista. De tanta experiência na relação de vínculo mãe e filho, focou seu atendimento no pós-parto, como terapeuta perinatal ou, como o nome do seu site diz, “terapeuta de bebês”. “Um bebê quieto ou que dorme demais ou que não responde a estímulos, pode apontar problemas cognitivos, claro. Mas, se não tiver apresentado nenhuma doença, fazemos uma colcha de retalhos de informações com a família para chegar ao por quê”, afirma Regiane. Investiga-se de tudo. “Desde a ponte de sentimentos da mãe com o bebê até qual a rede de apoio que ela tem para cuidar do filho, ou o quanto ela se sente sobrecarregada, por exemplo.”

E quando o problema é com os pais?

Sensíveis ao que as rodeia, as crianças podem apontar os problemas, mas não ser a fonte. Ou seja: pode não estar acontecendo nada com o filho, mas é ele quem vai revelar a dificuldade da família.

E não apenas estamos falando de casais em conflito – chegando à separação ou não –, perda de emprego de um dos pais, ou outro fator traumático no dia a dia, em que os adultos estejam “pedindo socorro”. Mas também de casos em que a questão seja a exagerada expectativa dos pais e a comparação desmedida com outras crianças. Segundo os especialistas, chegam ao consultório os mais diversos casos. “Desde separações em litígio, ou alguém deprimido, até pais muito invasivos, que exigem demais da criança e do desenvolvimento dela”, explica a psicanalista Gina Levozin.

Muitas vezes os pais procuram o especialista, mas apenas uma conversa já resolve, até com o encaminhamento deles a uma terapia em separado. “A orientação pode ser suficiente. Informação correta acalma ansiedades”, diz a psicóloga Ceres de Araújo.

Fonte: Crescer

Levadas pelo sonho de brilhar nas passarelas e se tornar uma futura Gisele Bündchen, muitas meninas acabam sendo comercializadas sexualmente em outros países e nunca mais conseguem retornar para suas casas. Este é o alerta de Caio Almeida, coordenador de TI da Safernet, instituição que há cinco anos promove o uso ético e responsável da internet no Brasil. Ele discutiu o assunto durante o debate sobre prevenção do abuso online de crianças e adolescentes promovido em parceria pela Childhood Brasil e a revista Capricho, no dia 23 de setembro último, na pré-estréia do filme Confiar, que aborda o abuso sexual de uma adolescente de 14 anos.

Segundo o especialista, o Ministério Público tem recebido várias denúncias de falsas agências de modelo na internet que prometem trabalho e fama para as garotas trabalharem em países distantes como Emirados Árabes e as Ilhas Cayman. Eles aproveitam-se da vulnerabilidade das adolescentes, normalmente vindas do Nordeste, pedindo fotos sensuais. Depois, elas são levadas para o exterior, onde têm o passaporte retido e são impedidas de voltar. O caso é chamado na polícia de “Ficha Rosa” de garotas. “As meninas sem perspectivas em sua região vão em busca de um sonho e acabam virando prostitutas e escravas fora do país”, afirma Caio Almeida.

A indústria da exploração sexual e do tráfico de pessoas atua em sites suspeitos, hospedados em outros países, difíceis de serem rastreados. Há muitos agenciadores e abusadores sexuais de crianças e adolescentes que usam serviços anônimos.

Segundo Caio, o cuidado deve ser redobrado antes de encontrar com pessoas com as quais se conversa apenas na internet, porque é um risco muito grande. Ele cita, como exemplo, o caso de duas garotas na Bahia que marcaram de sair com rapazes que conheceram na internet. Ficaram três dias com eles e nunca mais voltaram, porque acabaram sendo assassinadas. “É muito importante promovermos discussões e levarmos informação para prevenir os adolescentes destas situações”, afirma.

O evento contou também com a participação de Ana Maria Drummond, diretora executiva da Chilhood Brasil; Renata Libório, psicóloga da Unesp e organizadora do livro “A exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil”; Neide de Oliveira, procuradora do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e integrante do Grupo de Combate aos Crimes de Divulgação de Pornografia Infantojuvenil e Racismo na Internet, a editora de comportamento da revista Capricho, Tâmara Forresti e a estudante Anne Beatrice Drewes, que desenvolve projeto de internet segura no colégio Porto Seguro em São Paulo.

Fonte: Childhood Brasil

Com o objetivo de intensificar as ações de enfrentamento ao abuso e à exploração de crianças e adolescentes, a prefeitura de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, lançou este mês a campanha “Turismo Sexual não é nossa praia”. Para sensibilizar a população, estão sendo divulgados materiais informativos fixados e distribuídos em locais públicos para a prevenção e a promoção dos canais de denúncia. Haverá também atividades de esclarecimento e mobilização em escolas, estabelecimentos comerciais e no setor de serviços, principalmente voltados à indústria de turismo.

A iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social do local, com o apoio da Childhood Brasil e do Canal Futura, inclui a criação do selo de certificação com o slogan “Turismo sexual não é nossa praia”, destinado a empresários e comerciantes de cerca de mil instituições que se envolverem diretamente na campanha. Para receber o selo, é preciso assinar um termo de compromisso, que prevê a promoção de ações concretas e efetivas de sensibilização do público interno, dos participantes da cadeia produtiva e de clientes.A campanha é resultado do projeto Que Exploração É Essa? , que vem trabalhando com 130 profissionais das redes de proteção de direitos da infância e adolescência nos municípios de Arraial do Cabo, Niterói e São Gonçalo para ampliar o enfrentamento ao problema. Além das prefeituras dos três municípios e do Canal Futura, o projeto tem a participação da Childhood Brasil e consultoria de Tiana Sento-Sé, da Ecpat Brasil.

Em oficinas e palestras, os profissionais de saúde, educação, justiça e assistência social têm recebido capacitação a partir de material audiovisual e gráfico, desenvolvido pela série de TV homônima, exibida em 2009 pelo Canal Futura. Cinco episódios de sete minutos retratam a viagem de um caminhoneiro e seu filho pelas estradas brasileiras deparando-se com diversas situações de exploração de crianças e adolescentes. Os programas, realizados com manipulação de bonecos, levaram dois anos para serem produzidos em conjunto com vítimas e instituições especializadas como a Childhood Brasil, a Casa de Passagem, de Pernambuco, e a ONG Lua Nova, de São Paulo. A trama de ficção é intercalada com depoimentos de especialistas e autoridades.

Fonte: Childhood Brasil

AP
O Conselho Nacional de Justiça divulgou no início da madrugada desta quinta
(13) dados que iluminam o flagelo da política de adoção de crianças no Brasil.

Numa ponta do Cadastro Nacional de Adoção há 26.936 casais interessados em adotar. Na outra ponta, existem 4.900 crianças e adolescentes à espera de um lar.

Ou seja, o número de potenciais pais adotivos é cinco vezes maior que o de candidatos à adoção. Por que, então, os abrigos e orfanatos continuam apinhados?

A resposta está no detalhamento dos dados disponíveis no cadastro nacional, criado e administrado pelo CNJ.

Do total de casais que frequentam a fila da adoção, 9.842 (36,54%) declaram-se interessados em crianças brancas.

Apenas 571 casais (2,12% do total) manifestam preferência por crianças negras. Os que dizem aceitar crianças pardas somam 1.537 (5,71%) pardas.

Outros 9.083 pretendentes à adoção (33,72%) decararam-se indiferentes quanto à raça dos futuros filhos adotivos.

Juntos, os casais que manifestam preferência explícita por pardos e negros somam 7,82% do total.

O problema é que, das 4.900 crianças que aguardam por adoção, 2.272 (46,37%) são pardas e 916 (18,7%) são negras. Juntas, constituem a grossa maioria (65,07%).

Ostentam a pele branca apenas 1.657 crianças e adolescentes mantidos em orfanatos –ou 33,82% do total. Há, de resto, 29 crianças indígenas e 35 asiáticas.

Consdiderando-se que 33,72% dos casais dizem não se importar com a raça, o problema poderia ser atenuado. Há, porém, um segundo entrave: a faixa etária.

A maioria dos casais (58,95%) não admite a hipótese de adotar crianças com mais de três anos de idade. E a maioria delas tem mais de quatro anos.

Não é só: 22.341 casais (82,94% do total) torcem o nariz para a ideia de adotar grupos de irmãos, como prevê a lei.

O diabo é que, do total de crianças passíveis de adoção, 3.780 (77,15%) tem irmãos.

Quer dizer: se a criança tem mais de quatro anos é negra ou parda e convive com a infelicidade de dispor de irmãos, está como que condenada a não ser adotada.

Dito de outro modo: a resolução do problema depende de uma conjunção de fatores muito difícil de ser obtida.

Inclui a mudança de mentalidade dos casais, a agilização dos processos judiciais e flexibilização da lei que rege as adoções.

Em resumo, seria necessário que o país experimentasse um surto de bom senso. E sensatez, como se sabe, é matéria prima escassa.

Fonte: Folha Online – Por Josias de Souza

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